Nacionalizar virou meta número um de montadoras

Debate sobre cadeia de suprimentos com CNH Industrial, GM, FCA e Mercedes-Benz: agora todos querem nacionalizar (foto: Luis Prado)

Por ALEXANDRE AKASHI, PARA AB
  • 17/08/2015 - 20:15
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Se ainda havia alguma dúvida sobre a necessidade de nacionalizar os componentes utilizados na fabricação de veículos no Brasil, qualquer dilema nesse sentido foi pulverizado pela depreciação de mais de 50% do real diante do dólar nos últimos 12 meses. Mais do que uma tendência de momento, localizar peças é uma opção sem volta na opinião dos executivos de compras de quatro montadoras que participaram do painel de debates “A Evolução da Cadeia de Suprimentos” durante o Workshop Planejamento 2016, promovido por Automotive Business na segunda-feira, 17, em São Paulo.

    O desafio, porém, é desenvolver fornecedores nesse momento em que muitos deles passam por dificuldades, especialmente nas partes mais baixas da cadeia de suprimentos, onde estão os chamados tiers 2 e 3. As montadoras estão monitorando de perto a situação dessas empresas, que em alguns casos vão precisar da ajuda de alguns grandes tier 1 e dos próprios fabricantes de veículos.

    De acordo com o diretor de compras da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), Antonio Filosa, o maior problema é a eficiência de produção. “A não qualidade é custo a mais para a indústria”, afirmou o executivo, ao comentar que este ano aumentará o volume de compras em 35%, com total de R$ 9,5 bilhões. “E em 2016 o volume deve dobrar”, disse. A explicação para isso é o lançamento do Jeep Renegade este ano, que tem índice de nacionalização média de 65%. “O objetivo é reduzir importações de 35% para 20% a 25%”, disse. Filosa falou também dos planos de aumentar o parque de fornecedores para a fábrica de Goiana (PE) e confirmou a intenção de produzir dois novos modelos na fábrica, entre eles a picape média Fiat Toro até o fim de 2015.

    Com plano de reduzir o número de fornecedores e, assim, concentrar volumes, o diretor de compras da Mercedes-Benz do Brasil, Erodes Berbetz, lembrou que faz parte do DNA da empresa desenvolver fornecedores locais. “Localmente os custos logísticos são menores e há mais flexibilidade”, disse, ao explicar que este ano deverá reduzir em 30% o volume de compras em relação ao ano passado. “Para 2016 trabalhamos com valores similares a 2015”, afirmou.

    A General Motors, de acordo com o diretor de compras Rogério Negrão, desenvolve há cinco anos programa de localização de fornecedores. “É preciso incentivar para que aconteça”, afirmou. Assim como Filosa, da FCA, Negrão comentou sobre a ineficiência na cadeia de suprimentos: “Os fornecedores precisam se tornar mais competitivos.”

    Negrão também informou que o volume de compras na GM ficará 20% menor este ano em relação a 2014, e assim como o colega da Mercedes-Benz, acredita que 2016 repetirá 2015. O executivo confirmou ainda que o modelo Cruze passará a ser produzido na planta da Argentina, mas negou que isso seja feito por causa do grande volume de peças importadas. “É uma opção para aproveitar nosso parque de produção na região e a fábrica de Rosário se mostra mais competitiva para produzir esse tipo de modelo global”, afirmou.

    Com investimento já anunciado de R$ 250 milhões para nacionalização de componentes, o diretor de compras para a América Latina da CNH Industrial (Case, New Holland, FPT e Iveco), Osias Galantine, destacou que é importante os fornecedores serem competitivos. “A crise traz oportunidades, com redução de custos”, afirmou, ao definir que a localização de fornecedores veio para ficar, independente do câmbio.

    Galantine revelou ainda que o volume de compras na região será na ordem de US$ 1 bilhão para este ano, com expectativa de leve crescimento para 2016.