Nissan lança Frontier 2017, mas pela metade

Opção LE traz tudo o que a maioria dos picapeiros sonha: cabine dupla, motor diesel, tração 4x4 e câmbio automático

Por MÁRIO CURCIO, AB | De Tuiuti (SP)
  • 17/03/2017 - 23:13
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    A Nissan já vende no Brasil a nova picape Frontier. A linha 2017 é um produto totalmente diferente em chassi, cabine e motorização, mas veio pela metade. Importada do México, ela chega apenas na versão LE, completa. Tem cabine dupla, tração nas quatro rodas, motor 2.3 diesel biturbo de 190 cavalos, câmbio automático e preço sugerido de R$ 166,7 mil.

    “As demais versões serão definidas mesmo a partir de 2018, quando ela for montada na Argentina. Como as novas cotas de importação do México não foram estabelecidas, ainda não é possível dizer se virá outra versão este ano”, afirma o gerente de produto Alan Ponce.

    Por esse mesmo motivo a Nissan não revela pretensão de vendas. Em 2016, com a versão antiga em fim de carreira, a Frontier ficou em oitavo lugar entre as picapes médias, com apenas 3,6 mil unidades emplacadas. A situação foi especialmente agravada pelas renovações de Toyota Hilux, Chevrolet S10, Ford Ranger e pelo surgimento da Fiat Toro, que por contar com o fator novidade e preços mais baixos acabou roubando clientes da concorrência.

    “A Toro movimentou o mercado porque atraiu compradores de sedãs, de SUVs e, com sua opção a diesel, também conquistou clientes de versões flex das picapes médias”, diz Ponce.

    Seja como for, a Frontier volta ao páreo recheada de novidades. Os testes de desenvolvimento foram feitos no Brasil e em outros países latino-americanos, onde a Frontier tem participação importante, sendo líder em mercados menores como Panamá, Colômbia e Chile. “O uso em minas chilenas teve grande importância neste novo projeto”, afirma Ponce. Ainda de acordo com o executivo, as unidades para o Brasil têm modificações específicas nas suspensões: “O brasileiro tem o hábito de andar rápido por estradas ruins”, explica.

    Nissan
    Nissan reduziu o peso do novo chassi em 44 kg e o da carroceria e outros itens em 132 kg. Ganchos para amarração correm por trilhos e por isso podem ser fixados no lugar mais apropriado para prender a carga. Há também uma tomada de 12 volts protegida contra água.

    O chassi da Frontier está quatro vezes mais resistente, mas teve seu peso reduzido em 44 quilos. A carroceria e novos componentes aliviaram a picape em outros 132 kg. A suspensão traseira agora usa eixo rígido com sistema multibraços e molas helicoidais no lugar dos feixes de molas, o que melhorou o conforto e a estabilidade em asfalto ruim ou piso irregular.

    O motor, que é 10 kg mais leve que o anterior, utiliza comando de válvulas acionado por corrente metálica em vez de correia de borracha, o que reduz a possibilidade de quebras. O torque máximo de 45,9 kgf.m surge a 1.500 rpm, 500 giros a menos que no motor anterior. A pressão do óleo utiliza um sistema de controle elétrico que permite melhor lubrificação em diferentes faixas de rotação e com isso ajuda na redução de consumo de combustível.

    Outra melhora relevante está na nova caixa automática com sete em vez de cinco velocidades, que permitiu o uso de uma primeira mais curta e a sétima mais longa que a quinta marcha da transmissão antiga, o que também ajuda a reduzir o consumo. A picape faz 8,9 km/l na cidade e 10,1 km/l na estrada, de acordo com o programa de etiquetagem veicular. O novo sistema 4x4 agora pode ser engatado a 100 km/h, 20 km/h a mais.

    Entre os itens de série a Frontier tem um sistema inteligente de controle de descida. Ativado por uma tecla no painel, ele segura a picape pelos freios e impede que ela desenvolva velocidade acima de 5 km/h, por mais forte que seja a ladeira. É só apertar o botão, soltar o pedal de freio e manter a trajetória com o volante.

    A linha 2017 vem também com o controle de partida em rampas, que impede por três segundos que a picape desça de ré naquele instante que o motorista tira o pé do freio do freio e o coloca no acelerador para sair de uma garagem de prédio, por exemplo. Os controles de tração e estabilidade também fazem parte da lista de itens de segurança. Airbags, porém, só os frontais, para motorista e passageiro. O cinto de segurança traseiro só tem dois pontos.

    Nissan
    Versão LE trazida do México tem interior de couro, bancos dianteiros com aquecimento e o do motorista recebe ajustes elétricos. Central multimídia já vem com alguns aplicativos e tem 2 GB livres para a instalação de outros. Câmbio automático agora tem sete marchas, mas só permite trocas manuais pela alavanca, não há borboletas atrás do volante.

    A relação de itens de conforto inclui ar-condicionado com duas zonas distintas de temperatura, acabamento de couro, ajustes elétricos para o banco do motorista, aquecimento em dois níveis para as duas poltronas dianteiras, abertura das portas e partida do motor com chave presencial, sensor de estacionamento traseiro mais câmera de ré, central multimídia específica para o mercado brasileiro com tela colorida de 6,2 polegadas, navegador GPS, AM/FM e CD/MP3 player. A central já vem com alguns aplicativos instalados. Ela tem entradas auxiliares e conexão à internet por Wi-Fi pela plataforma Android, que permite o download de outros apps (há espaço disponível de dois gigabytes).

    A caçamba recebeu trilhos laterais com ganchos corrediços, que podem ser fixados na distância ideal para a amarração de carga, e também uma tomada de 12 volts protegida contra chuva.

    A Nissan promete baixo custo de manutenção (R$ 5.250 nas revisões até 60 mil quilômetros) e também em itens comumente trocados em caso de impacto, como lanternas, retrovisores, para-choques e para-lamas dianteiros. O conjunto desses itens soma R$ 48,9 mil, valor 51,6% mais baixo que o da concorrente com peças mais caras. A montadora armazena os itens de reposição em seu centro de peças em Resende (RJ).

    Mesmo com uma única versão a nova picape deve ajudar a Nissan a avançar em participação de mercado e volume. Ano passado a empresa terminou em nono lugar no ranking das montadoras, com 60,9 mil unidades e 3,1% de market share, um tiquinho acima dos 3% pretendidos. Em 2017 vai ganhar ainda mais espaço porque terá 12 meses para vender as opções automáticas CVT do March e do Versa (que estrearam em junho de 2016), mais o SUV Kicks (que chegou à rede em agosto). No primeiro bimestre deste ano a participação da montadora subiu para 3,8%.

    COMO ANDA A FRONTIER 2017

    A nova picape Nissan manteve qualidades da versão anterior como suspensões bem acertadas e bom espaço para os passageiros do banco de trás. E está mais previsível em curvas com piso ondulado ou irregular.

    O desempenho não é empolgante em acelerações nem retomadas de velocidade, mas, segundo a Nissan a picape vai de zero a 100 km/h em 12,5 segundos. A velocidade máxima informada é de 180 km/h. Andando a 120 km/h em Drive o câmbio tende a permanecer em quinta marcha. É preciso deslocar a alavanca para a esquerda e passar para a sétima manualmente.

    Fazem falta num veículo de mais de R$ 160 mil as aletas para trocas de marcha atrás do volante. E este não é ajustável em distância, só em altura.

    O acabamento da Frontier é bom e usa materiais agradáveis ao toque. Os principais comandos da central multimídia são bem intuitivos. Os retrovisores têm rebatimento elétrico e foram projetados para dobrar à frente com facilidade, o que evita quebra quando recebem o impacto de um motociclista andando entre os carros.

    Em uso fora de estrada é impressionante a capacidade do controle inteligente para descidas. No test drive a Frontier percorreu de mansinho, sem dificuldade, uma pirambeira com mais de 50 metros de extensão e inclinação de cerca de 50 graus. Lá do alto, antes do início da descida, era difícil acreditar que conseguiria.

    Assista ao vídeo com a Nissan Frontier 2017: