Novos SUVs mudam o rumo do segmento

Importados e veteranos perdem espaço no mercado; FCA e Honda acertam a mão e avançam

Por MÁRIO CURCIO, AB
  • 05/03/2018 - 16:15
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    A maior oferta de SUVs mudou bastante o cenário do segmento nos anos mais recentes, como mostra a comparação dos primeiros bimestres de 2015 para cá. No começo daquele ano havia quatro modelos importados entre os dez primeiros colocados: Chevrolet Tracker (6º), Kia Sportage (7º), Toyota Hilux SW4 (8º) e Toyota RAV4 (10º). Neste começo de 2018 o único forasteiro entre os dez mais é o mexicano Tracker.

    Outro efeito foi a troca de liderança. O Ford EcoSport não resistiu à pressão. Do topo que ocupava no início de 2015, caiu para o terceiro lugar no começo de 2016 e para o sexto em 2017. A permanência na sexta colocação em 2018 mostra que o facelift na metade do ano passado não foi suficiente para combater a concorrência. Em volume de vendas o modelo revela queda de 31,9% na comparação entre o primeiro bimestre de 2015 e o de 2018. O lançamento recente da versão Storm 4x4 (leia aqui) deve ajudar o Ford a manter, mas não recuperar posições.

    A análise de igual período mostra que o veterano Duster caiu do segundo para o décimo lugar. Em nono está outro Renault, o Captur. E a venda dos dois juntos (4,7 mil carros) é inferior ao que o Duster fez sozinho no começo de 2015.

    O período mostra a decisão acertada do Grupo FCA com a nacionalização do Jeep Compass. Mais do que a liderança entre os SUVs com esse produto, a soma com o Renegade leva a 13 mil unidades somente neste primeiro bimestre. Nos dois primeiros meses de 2015 a Jeep somava menos de 700 veículos emplacados porque dependia dos importados, inclusive do antigo Compass.

    Também acertou a Honda. Com o HR-V ela liderou o segmento de SUVs nos resultados anuais (janeiro a dezembro) em 2015 e 2016 e fechou o ano passado pouco atrás do Compass. O carro inicia 2018 em segundo lugar, mas a Honda conta agora com a ajuda do WR-V. Pouco menor, mas montado sobre a mesma plataforma do HR-V, o modelo foi lançado em abril do ano passado e ocupa atualmente a oitava posição. Juntos eles tiveram 10,6 mil unidades emplacadas no primeiro bimestre.

    A nacionalização e aumento da oferta de versões fizeram bem ao Nissan Kicks. Ele chegou às concessionárias em agosto de 2016 importado do México e no início de 2017 ainda estava restrito a opções importadas, sempre automáticas, completas e vendidas por cerca de R$ 90 mil. Com a nacionalização em abril do ano passado e a chegada de uma opção com câmbio manual em maio (veja aqui) o Kicks aparece agora em terceiro lugar.

    O aumento da oferta de modelos também atrapalhou os veteranos Hyundai Tucson e ix35, que no primeiro bimestre de 2015 apareciam em terceiro e quarto lugares. Neste início de 2018 o ix35 está na 11ª posição, com 1.364 unidades licenciadas, e o Tucson na 17ª, com 761 emplacamentos. Os dois são produzidos pela Caoa Montadora em Anápolis (GO). Por outro lado, o modelo Creta, fabricado pela própria Hyundai em Piracicaba (SP), ocupa o quarto lugar.