O que a Fiat brasileira tem a ensinar à matriz

Com a chegada do Pulse, a Fiat deve crescer na Argentina, Chile, Peru e Colômbia

Por MÁRIO SÉRGIO VENDITTI, PARA AB
  • 14/07/2021 - 13:30
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
  • 4 minutos de leitura

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    Em 45 anos de história no Brasil, a Fiat já viveu uma série de momentos marcantes, como a liderança no mercado, o pioneirismo do motor 1.0 e a modernização do polo industrial de Betim (MG). A boa fase brasileira é reproduzida na Europa e a criação da Stellantis – gigante que reúne marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën – no início do ano, deu novo impulso para a fabricante.

    “Não há dúvida de que a Stellantis ajudou a alavancar ainda mais as operações da Fiat no mundo”, testemunha Herlander Zola, diretor da Fiat para a América do Sul e de operações comerciais da Fiat no Brasil.



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    A Fiat representa uma entrega de valor muito forte para a Stellantis, com atributos como design italiano de seus automóveis, tecnologias de última geração, inovação e comprometimento social. “Além disso, o nível de motivação dos importadores aumentou demais diante de um grupo tão robusto”, acrescenta.

    RUMO AO ORIENTE MÉDIO E ÁFRICA



    Zola conta que a Fiat está fortemente consolidada em dois pilares no mercado internacional: Europa e América do Sul. “A qualidade dos nossos produtos nos dá oportunidades para crescer também em outras regiões”, afirma. Segundo ele, a Fiat enxerga muitas possibilidades de ampliar sua atuação em mercados internacionais relevantes, como Oriente Médio e África do Sul.

    Atualmente, o mercado da América do Sul representa de 35% a 40% do volume total de vendas da Fiat no mundo, ao passo que a Europa responde por uma média de 45% a 50%. O restante é compartilhado por outros países, o que comprova o potencial de evolução. “O Cronos é o automóvel de passeio mais vendido na Argentina e esse mesmo espaço pode ser ocupado no Chile, na Colômbia e no Peru”, analisa Zola.

    “A Fiat é inquieta e dinâmica, buscando oferecer sempre o que o cliente está desejando”, destaca. Em algumas regiões, nossa participação é menor, embora a lógica de trabalho da Fiat seja parecida em todos os lugares. Mas os produtos são diferentes, porque cada mercado busca se adequar melhor aos usuários.

    “A Fiat é a única marca italiana na América do Sul e isso vem se revelando um traço forte e positivo na região”, diz Herlander Zola.



    Patrocínio


    NOVOS SERVIÇOS POR SOFTWARES



    Globalmente, a Fiat tem algumas premissas, como trabalhar de maneira mais intensa no desenvolvimento de novas tecnologias para levá-las a um número maior de consumidores.


    Mobile Drive vai novas experiências imersivas em cockpits digitais

    Uma delas é o recém-criado Mobile Drive, programa que visa a rápida criação de recursos e serviços acionados por softwares. “Os clientes já exigem soluções criativas e baseadas em software para conectar os motoristas e passageiros com o veículo por dentro e por fora”, revela Carlos Tavares, CEO global da Stellantis.

    O Mobile Drive é uma parceria com a FoxConn, cujo propósito é expandir os limites da tecnologia de carros conectados e trazer experiências imersivas em cockpits digitais.

    “O Mobile Drive nos dará a agilidade necessária para fornecer a experiência digital do futuro na velocidade que nossos clientes esperam”, completa Carlos Tavares.



    Outro passo fundamental no caminho da Fiat vai no sentido da eletrificação e com um anúncio importante: até 2030, a linha de produtos da marca se tornará inteiramente elétrica. “Mesmo antes da pandemia da Covid-19, já estávamos cientes que deveríamos ter esse compromisso”, diz o CEO da Fiat, Oliver François. “Queremos explorar o território da mobilidade sustentável para democratizar essa experiência com as pessoas.”

    ELETRIFICAÇÃO: CAMINHO SEM VOLTA



    O primeiro movimento da marca rumo à eletrificação é o compacto Fiat 500 elétrico, que já estreou na Europa e será lançado no Brasil neste ano. “Ele atende todos os requisitos de funcionalidade elétrica. A neutralidade de CO2 no setor automotivo é um caminho sem volta”, acredita Antonio Filosa, presidente da Stellantis para a América do Sul.


    O Fiat 500, primeiro elétrico da marca no Brasil, chega ainda neste ano

    Filosa afirma que, em termos globais, a Fiat está trabalhando muito em torno da mobilidade. “A ideia é aproveitar tudo o que o mundo digital nos proporciona fazer e a eletrificação é um dos principais conceitos dos novos tempos”, salienta.

    De acordo com a montadora, ainda não existe uma diretriz definida sobre a eletrificação dos modelos disponíveis no mercado brasileiro. No entanto, uma vez fazendo parte da estratégia global da fabricante, é esperado que o plano seja convergente em todos os mercados onde a Fiat participa.

    Embora a eletrificação seja uma prioridade da Fiat, Herlander Zola faz uma ressalva: “Seria um erro ignorar o avanço do etanol no Brasil”, ressalta. “Sob o ponto de vista tecnológico, a marca vem se adequando para não fabricar mais motor a combustão até 2030. Mas não creio que a América do Sul estará preparada para vender só veículos elétricos nesse prazo.”

    PULSE PODE MELHORAR EXPORTAÇÕES



    No entender de Zola, a experiência bem-sucedida da Fiat no Brasil pode ser aplicada no exterior. “Nossas ações sempre são discutidas com colegas de outras regiões, que têm interesse em alguns produtos, como Strada e Toro”, afirma.

    Além disso, as reedições de determinados modelos da Fiat poderão gerar mais competitividade em mercados no radar da Fiat, como os já citados Oriente Médio e África do Sul. “Para ajudar, existe total conexão logística baseada nos polos de produção da Fiat”, acrescenta.

    Zola explica que existem particularidades no Brasil em comparação aos Estados Unidos e a Europa. Aqui, por exemplo, a lucratividade dos concessionários no pós-venda tem peso superior, criando uma dependência maior sobre os serviços oferecidos.

    Outro ponto que merece atenção diz respeito às exportações da Fiat que, na avaliação de Zola, têm muito potencial para crescer, principalmente em países como Argentina, Chile, Peru e Colômbia. “Acredito que isso acontecerá depois do lançamento do SUV Fiat Pulse, no segundo semestre, e com outro utilitário esportivo que chegará no ano que vem. São modelos que certamente despertarão forte interesse dos mercados”, conclui.



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