O Renault Captur pode ser brasileiro?

O Renault Captur pintado com a bandeira brasileira: por enquanto, só no Facebook.

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 08/03/2013 - 19:21
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Quem quiser ver um Renault legítimo brasileiro, não fará isso em nenhuma fábrica no Brasil, mas pode apelar ao Facebook, onde a fabricante francesa criou um aplicativo para “vestir” o novo Captur com uma das 12 bandeiras nacionais (incluindo a do Brasil) escolhidas para um concurso. Na página da marca na rede social (veja aqui), o internauta pode votar até o próximo 18 de março na bandeira preferida para personalizar a pintura do crossover (modelo que mistura elementos de utilitário esportivo com automóvel). A Renault promete produzir uma unidade com a personalização mais votada, que será exposta em diversos eventos durante o ano, além de sortear um dos eleitores para uma viagem VIP com acompanhante para o Festival de Cinema de Cannes deste ano, na França.

    Por enquanto, essa é a única possibilidade de “fazer” um Renault brasileiro, já que os carros feitos pela montadora no Paraná são todos projetos da subsidiária romena Dacia, vendidos na América do Sul com o losango da marca na grade frontal. Contudo, existem rumores que o Captur poderia ser produzido de verdade na planta de São José dos Pinhais – que passou por obras de ampliação e modernização e já foi preparada para produzir modelos de outras plataformas além de Sandero, Duster e Logan (leia aqui).

    No Salão de Genebra deste ano (de 7 a 17 de março), onde o Captur foi apresentado pela primeira vez ao público, Carlos Ghosn, CEO da Aliança Renault Nissan, deixou no ar a possibilidade de o carro ser introduzido também no Brasil, com declarações dúbias, como essa publicada pelo site Carro Online: “Primeiro ele (o Captur) precisa ser lançado nos mercados europeus, mas é preciso ter em mente que é um modelo mundial”, destacou o executivo.

    DECISÃO IMPROVÁVEL

    Existe a opção de se importar o Captur para o mercado brasileiro, mas com a sobretaxação sobre importados o carro chegaria por aqui com preço nas alturas, nada competitivo diante de concorrentes que já são ou serão feitos no Brasil, como o Ford EcoSport e Peugeot 2008, com os quais ele também vai brigar na Europa.

    Há ainda um conflito adicional: o Captur iria competir aqui com outro Renault no mesmo segmento de mercado, o Duster. Portanto, fazer o novo crossover compacto no Brasil seria mudar a estratégia sobre a qual a Renault vem construindo seu crescimento no País. O Captur é fabricado sobre a mesma plataforma da quarta geração do Clio, lançado no fim de 2012 na Europa, com avanços tecnológicos que a fabricante descarta oferecer aos brasileiros porque elevaria os preços a níveis além do poder de compra local, na visão da companhia. Assim a Renault escolheu para o Brasil os modelos mais simples e baratos da Dacia.

    A bem da verdade, nem no Facebook o Captur vestido de Brasil está ganhando. Na rede social a bandeira brasileira compete com Alemanha, Argélia, Argentina, Espanha, França, Índia, Itália, Reino Unido, Romênia, Suíça e Turquia. Na votação até a sexta-feira, 8, as três pinturas personalizadas mais votadas eram, pela ordem, da Turquia, Argélia e Romênia – isso mesmo, até os romenos da terra da Dacia parecem preferir um Renault.

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