Pandemia requer calibração nas ações de diversidade

Empresas têm o desafio de manter a relevância do tema em meio a assuntos urgentes

Por SUELI REIS, AB
  • 27/04/2020 - 20:24
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Como manter as ações para promover a diversidade ativa em meio a uma pandemia? Foi essa provocação que motivou os debates do 2º Encontro da Rede AB Diversidade em 2020, realizada na segunda-feira, 27. O desafio era exatamente expor as dificuldades das empresas e tentar encontrar caminhos que poderiam reafirmar a importância das ações de inclusão em um momento como este. O evento foi realizado em formato digital, uma vez que grande parte dos participantes continua em quarentena.


    Ao abrir os trabalhos do evento, o gerente-geral da TE Connectivity para a América do Sul, Daniel Malufi, contextualizou o cenário atual, que virou do avesso com a crise gerada pela pandemia de coronavírus. Em sua fala, trouxe o paradigma da prioridade quando as duas grandes vertentes de toda empresa, negócio e pessoas, estão em apuros neste momento.

    “Há uma pressão muito grande, quase 100% das companhias saíram do plano estratégico de médio prazo para olhar o problema atual, que é o caixa: o business mudou. As pessoas também mudaram, elas também têm preocupações, porque precisam sobreviver diante de uma pandemia, onde há o risco da doença, mas também o risco de perder o emprego com a crise”, sinalizou Malufi.



    Para o executivo, é necessário que os comitês internos avaliem o momento da empresa, levando em conta que o contexto demanda foco na sobrevivência de curto prazo.

    “Se uma empresa nunca fez uma ação dedicada à diversidade, essa não é a hora, porque não vai conseguir chamar a atenção da liderança; é necessário calibrar as ações. Por outro lado, se já existe uma trajetória interna, é importante continuar evoluindo e reforçando a cultura sem descuidar das iniciativas de longo prazo.”

    Para Carla Fabiana, head de diversidade e inclusão da Gerdau, o tema da diversidade não pode perder a dimensão e precisa continuar influenciando as decisões estratégicas das companhias.

    “Este é um momento que pode catalisar as ações das empresas, o desafio é fazer com que essas iniciativas contribuam para o negócio, trazendo resultados para a organização”, indica Carla.



    A executiva também apontou que para quem já trabalha com comitês, é essencial pensar de forma estratégica para que o fomento à diversidade na empresa esteja alinhado com o contexto atual, sem correr o risco de ser um tema desconectado com o negócio.

    Segundo Tiago Rodrigo, data privacy manager da T-Systems do Brasil, uma experiência interna na empresa mostrou que transparência por parte da companhia é um passo importante no contexto atual.

    “Como transmitir as decisões para os funcionários, que estão muito preocupados com a questão do emprego, por exemplo, e planejar essa comunicação, que deve ser coerente com o que a empresa valoriza? Depois que nosso presidente reforçou que demissão seria o último recurso, trouxe mais conforto a todos”, contou.



    O consultor da MAC Diversidade e conselheiro da Rede AB Diversidade, Guilherme Bara, acentua que este é um momento que demanda sensibilidade para entender as organizações, já que em condições normais de temperatura e pressão o tema diversidade já sofre problemas de relevância e aceitação da liderança.

    “Talvez as empresas façam menos ações, mas não deixem de fazer. Pode ser que as iniciativas sejam pontuais, mas teremos oportunidades de engajamento”.