Para Polk, prorrogação de incentivo infla 2012 e abre buraco em 2013

Consultoria calcula antecipação de compras este ano em 100 mil unidades

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 07/08/2012 - 21:06
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Após avaliar os primeiros resultados concretos dos incentivos ao consumo de veículos leves, que geraram significativo aumento de 22% das vendas em julho sobre o mesmo mês de 2011 e de 3,2% ante junho passado, a consultoria Polk fez dois movimentos em suas projeções de mercado para o Brasil. Primeiro, reduziu de 3,5 milhões para 3,46 milhões o volume previsto de automóveis e comerciais leves vendidos este ano, caso o corte de imposto (IPI) e descontos nos preços terminem mesmo no fim deste mês, como está programado. Mas, se os incentivos forem prorrogados até o fim do ano, a Polk aumenta sua aposta em quase 200 mil unidades, para 3,69 milhões.

    Contudo, em seu boletim sobre o mercado brasileiro distribuído na terça-feira, 7, a consultoria avalia que os incentivos mantêm “o mercado artificialmente inflado e ameaça o resultado de 2013”. Por isso, caso o corte de IPI seja mesmo prorrogado até dezembro, a Polk reduzirá em 100 mil veículos leves sua projeção para o próximo ano, que cairá de 3,6 milhões para 3,5 milhões. Na visão dos analistas da Polk, esse é o tamanho do buraco que 2012 deixará para os primeiros cinco meses de 2013 com a antecipação de compras, que o consumidor fatalmente faria para escapar do preço maior após o fim do incentivo.

    Para a Polk, a alta das vendas agora não é sustentável por muito tempo. A consultoria estima que, em junho e julho, os incentivos combinados com a expansão do crédito tenham sido responsáveis por aumentar as vendas em 90 mil veículos leves.