Paralelos entre Copa e programa Euro 5

Falta a equação para postos de combustíveis, Arla 32 e S50

Por Paulo Braga, AB
  • 16/05/2011 - 20:20
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
  • 3 minutos de leitura

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    Paulo Braga, AB

    O debate sobre diesel e emissões que a Anfavea promoverá dia 30 de maio, no Centro de Convenções Milenium, em São Paulo, será oportuno para esclarecer o papel dos atores envolvidos na epopeia em que se transformou a evolução para a próxima etapa na legislação de emissões dos veículos comerciais, coordenada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Como se recorda, fracassou a tentativa de implantar a norma Euro 4 no País e agora, no salto para a Euro 5 (Proconve P7), em janeiro de 2012, será preciso correr para evitar risco de novo fiasco. O paralelo mais próximo está no desafio para a realização da Copa do Mundo.

    Entre os problemas que colocam em risco o programa do Conama, estabelecido para conduzir o país a um novo patamar no controle de emissões dos veículos comerciais pesados, estão o suprimento de diesel adequado, com baixo teor de enxofre (S50), para abastecimento de caminhões e ônibus; a distribuição de Arla 32; e a disseminação do conhecimento para utilização de novas tecnologias.

    O diesel limpo, necessário para reduzir as emissões de poluentes, é indispensável para garantir o funcionamento dos novos motores que serão adotados por caminhões e ônibus a partir de janeiro. Se em lugar dele os veículos com a tecnologia Euro 5 utilizarem o diesel atual, os sistemas de injeção e pós-tratamento de gases não vão operar corretamente e haverá degradação do sistema que, automaticamente, levará ao rebaixamento de potência, para evitar danos maiores.

    O alerta sobre o desafio na distribuição de diesel limpo veio da Fecombustíveis, a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes, com a informação de que os postos não investiram na implantação de tanques separados para o S50. Como a adesão dos postos é voluntária, existe a possibilidade da distribuição de diesel limpo falhar, especialmente em pontos distantes dos grandes centros de consumo.

    Caberá à ANP sensibilizar os proprietários dos postos para os riscos de um programa da envergadura do Euro 5/P7 encalhar nas bombas de combustível. Recentemente a ANP e a Petrobras asseguraram que haverá diesel S50 e uma rede para garantir a disponibilidade do produto com baixo teor de enxofre. Resta saber com que capilaridade o combustível estará sendo oferecido. Embora seja tarefa exequível levar o diesel limpo a frotas de ônibus urbanos, a história é bem diferente para veículos comerciais em rotas distantes.

    Associada aos novos motores, há também a questão da disponibilidade da solução de ureia (Arla 32), em paralelo ao diesel, para o pós-tratamento de gases de emissões. O produto deve alimentar regularmente o sistema SCR de purificação e estar armazenado em tanques no caminhão, separado do combustível.

    Da mesma forma que o S50, o Arla 32 está à espera de uma rede logística estruturada para sua distribuição. Diversas iniciativas já foram anunciadas para aproveitar a oportunidade comercial que representa a venda do produto, mas cabe evitar que o canal de distribuição seja informal.

    O imbróglio que se apresenta é fonte de preocupação para fabricantes de motores e veículos e também para transportadores. A partir de janeiro não serão mais comercializados veículos novos fora dos padrões Euro 5 e os fabricantes deverão oferecer a garantia de costume a seus produtos, apesar dos riscos envolvidos. Mesmo calibrando motores e sistemas de pós-tratamento para enfrentar situações adversas, os engenheiros especializados em powertrain advertem que a injeção e sistemas de purificação dos gases de escape vão caducar se houver abastecimento com diesel de baixa qualidade.

    Como acontece em relação à Copa do Mundo, as soluções para chegar à Euro 5 ficaram para a última hora, com algum risco de não haver jogo ou se avançar a uma prorrogação. Os fabricantes de motores e veículos dizem ter cumprido sua parte. Resta esperar que os demais players correspondam à responsabilidade assumida, evitando adiamento do programa ou adoção de solução capenga, à última hora, com prejuízo para todos.