Produção de caminhões cresce 115% no 1º semestre

Período teve 74,7 mil unidades, o melhor desde 2014, e nova projeção anual indica mais de 135 mil veículos

Por MÁRIO CURCIO, PARA AB
  • 07/07/2021 - 16:30
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    A produção de caminhões em junho somou 14,6 mil unidades. Foi o melhor resultado do ano, com alta de 5,3% sobre maio, e também o volume mensal mais alto desde fevereiro de 2014. Em todo o primeiro semestre foram fabricadas 74,7 mil unidades, 115,1% a mais que em igual período do ano passado. O resultado também é o melhor desde o primeiro semestre de 2014.

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    Os números foram divulgados na quarta-feira, 7, pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que revisou para cima as projeções do segmento de 135 mil para 156 mil veículos pesados (caminhões e ônibus somados). Se a associação estiver certa, haverá alta de 42% sobre 2020. A projeção anterior era de 135 mil unidades e crescimento de 23%. Nas projeções de produção, a Anfavea não separa os números de caminhões e ônibus, mas pelo volume alcançado no primeiro semestre dá para acreditar em 137 mil caminhões fabricados até o fim do ano. Já a projeção para veículos leves recuou para 2,32 milhões de unidades.

    A associação chama a atenção para a mudança na demanda de diferentes segmentos de caminhões nos últimos seis anos. No primeiro semestre de 2015 os modelos pesados (com Capacidade Máxima de Tração, CMT, acima de 40 toneladas) ocupavam uma fatia de 25% do mercado, enquanto os semileves (com Peso Bruto Total, PBT, de 3,5 até 6 toneladas) e leves (com PBT de 6 a 10 toneladas) tinham juntos 33% do setor. Atualmente os pesados detêm 52%, enquanto a presença dos semileves e leves baixou para a 15%.

    “Entre as razões para isso está o foco do cliente em aplicações no transporte que utilizam bitrens e rodotrens, implementos que exigem caminhões com maior capacidade de carga”, afirma o vice-presidente da Anfavea, Gustavo Bonini.



    O executivo recorda que a presença dos pesados se ampliou não só pelo agronegócio como também pela mineração e até pelo aumento da demanda do comércio eletrônico. “Temos o hábito de atribuir ao e-commerce apenas o aumento das vendas de modelos menores, aqueles que vemos na ponta da linha, mas esse segmento demanda veículos grandes também, que fazem o transporte da indústria para os centros de distribuição”, recorda Bonini.

    FALTA DE SEMICONDUTORES TAMBÉM ATINGE O SETOR



    Embora com menor intensidade que nos automóveis, a falta de semicondutores prejudicou a montagem de veículos pesados no primeiro semestre. Bonini não tem uma estimativa em unidades, mas recorda que as fábricas foram obrigadas a alterar o mix de produtos e recorreram até ao transporte aéreo de componentes. “Isso nem sempre tem resolvido e acreditamos que o problema permanecerá no segundo semestre e possivelmente na primeira metade de 2022”, diz.

    EXPORTAÇÃO CRESCE 123,6% NO SEMESTRE



    Em junho foram exportados 1,8 mil caminhões, volume apenas 1,6% menor que o de maio. No acumulado do ano o Brasil enviou 10,7 mil unidades ao mercado externo, uma alta de 123,6% sobre o primeiro semestre do ano passado, quando a chegada da pandemia de Covid-19 causou grande impacto nas operações portuárias. Os caminhões pesados responderam por pouco menos de 50% dos embarques. Foram 5,1 mil unidades e alta de quase 90% na comparação com iguais meses de 2020.

    A indústria também revisou para cima as exportações. A estimativa inicial de 20,1 mil unidades subiu para 24 mil, com crescimento de 38% sobre 2020. Nestes 24 mil veículos a Anfavea também reúne caminhões e ônibus. É possível estimar que os caminhões responderão por mais de 20 mil embarques.

    MERCADO INTERNO COMPRARÁ MAIS DE 120 MIL CAMINHÕES



    O mês de junho teve 11,4 mil caminhões emplacados no País, resultando em pequena queda de 1,1% em relação a maio, mas este foi o melhor junho desde 2013. E o acumulado do ano atingiu 58,7 mil unidades, mais uma vez o melhor resultado para o período desde 2014. Já a comparação com a primeira metade de 2020 indica alta de 55,1%. A Anfavea recorda que o melhor primeiro semestre para o setor foi anotado há exatos dez anos, com 83 mil caminhões emplacados. “Estamos 29% abaixo disso, o que mostra que o segmento tem espaço para crescer”, recorda Bonini.

    A projeção divulgada em janeiro pela Anfavea era de 101 mil caminhões emplacados até o fim do ano, mas a demanda aquecida em todos os segmentos obrigou a entidade a elevar essa estimativa para 122 mil unidades, ou 36% a mais que o total licenciado em 2020. Os modelos pesados tiveram 30,6 mil unidades licenciadas de janeiro a junho, uma alta de 61,2% sobre iguais meses de 2020. A menor alta no período ocorreu para os caminhões médios: 4,8 mil veículos e crescimento de 37%.

    ANFAVEA E GOVERNO DISCUTEM RENOVAÇÃO DE FROTA



    Em entrevista coletiva on-line, outro vice-presidente da Anfavea, Marco Saltini, informou que a associação vem discutindo com o ministério da Economia a viabilidade de um programa de renovação de frota capaz de retirar de circulação caminhões muito rodados, poluentes e inseguros. “A discussão envolve vários setores: siderúrgicas, as próprias montadoras, fornecedores, sindicatos de motoristas autônomos e Confederação Nacional do Transporte”, afirma Saltini.

    “É preciso que o poder público abrace essa ideia e a gente possa fazer a renovação, que trará maior produtividade no transporte. A sociedade sairá ganhando com redução de emissões e menores custos com acidentes”, recorda Marco Saltini.



    “Sempre digo que o caminhoneiro não usa esses veículos porque quer, mas porque não consegue comprar outro mais novo”, afirma. Segundo o executivo, há a intenção de fazer um programa-piloto para avaliar as alternativas propostas para o governo a fim de dar consistência ao programa. Ele recorda ainda que no Brasil e em outros mercados já houve exemplos de programas que funcionaram.



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