Produção de máquinas cairá 8% por causa da retração nas exportações

Em nova projeção, Anfavea prevê apenas 9,2 mil unidades vendidas ao exterior, mas mercado interno igual ao de 2019

Por MÁRIO CURCIO, AB
  • 06/07/2020 - 15:35
  • | Atualizado há 2 months
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    Como consequência da queda nas exportações, a produção de máquinas agrícolas e rodoviárias no Brasil deve somar até o fim do ano 46,8 mil unidades, registrando queda de 8% na comparação com 2019. Os impactos da Covid-19 levaram a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) a revisar para baixo as projeções do setor.


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    No início do ano a previsão era de 56 mil unidades produzidas e alta de 5,4% sobre o ano passado. E a estimativa inicial dos fabricantes era enviar 13 mil máquinas ao exterior, mas foi revista para 9,2 mil, 29% a menos pela comparação com 2019.

    “Tivemos queda nas exportações de maneira geral para a América do Sul, em especial Colômbia e Peru. Quando se trata de outras regiões, caíram também as vendas para o Japão”, afirma o vice-presidente da Anfavea, Alfredo Miguel Neto.



    Ele ressalta que houve recuperação nos embarques para a Argentina, onde o produtor decidiu investir em bens de capital. Para o mercado interno, as novas projeções preveem 43,8 mil máquinas, mesmo número alcançado em 2019. A previsão no começo do ano era pouco melhor, 45 mil unidades.

    Esse número é a soma de máquinas agrícolas (com perspectiva de alta de 3%) e rodoviárias (com previsão de queda de 24% na comparação com 2019): “O governo federal tem um orçamento para obras de infraestrutura de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões, é muito pouco”, recorda o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

    MERCADO INTERNO QUASE ESTÁVEL NO 1º SEMESTRE


    De janeiro a junho de 2020 as vendas internas de máquinas somaram 19,6 mil unidades. O número ficou apenas 1,3% abaixo do resultado do primeiro semestre de 2019. Junho teve 3,9 mil unidades repassadas à rede de concessionárias, volume 0,9% mais alto que o de maio. “O mês teve queda na venda de tratores, que vinha bem no semestre, mas houve alta importante na venda de colheitadeiras de grãos e colhedoras de cana”, recorda Miguel Neto.

    Segundo o executivo, a alta nas colheitadeiras se justifica pela pré-venda da safra para a China. No caso das colhedoras de cana, a perspectiva de melhora nos negócios com açúcar e etanol os produtores a voltar a investir. A venda de colhedoras cresceu 160% em junho na comparação com o mesmo mês de 2019.

    EXPECTATIVA PARA O PLANO SAFRA


    O Plano Safra anunciado em 17 de junho, que prevê R$ 236,3 bilhões em crédito para o agronegócio, deve ser suficiente para o período de vigência, que vai até o meio de junho de 2021.

    Para Miguel Neto, a queda de R$ 9,6 bilhões para R$ 9 bilhões nos recursos do Moderfrota não deve impactar o setor por causa da cobertura do setor por linhas de crédito do BNDES e do Banco do Brasil, “com as mesmas condições dentro do Plano Safra”, diz Miguel Neto. Ele acredita ainda que o Plano Safra esteja operacional já a partir do dia 9 de julho.