Produção de motos volta a cair em maio, apesar da demanda reprimida

Por falta de peças, produção da Yamaha ficou parada em parte de maio e caiu quase 30% ante abril

Por MÁRIO CURCIO, PARA AB
  • 10/06/2021 - 16:50
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
  • 2 minutos de leitura

    Depois de superar por dois meses seguidos a barreira de 120 mil unidades, a produção de motos em maio recuou para 103,8 mil, registrando queda de 15,1% na comparação com abril. Essa retração foi puxada sobretudo pela líder Honda, que montou quase 12 mil motos a menos em maio, e pela vice-líder, Yamaha, que interrompeu suas linhas durante quase toda a primeira quinzena daquele mês por falta de peças. Questionada sobre a queda na produção, a Honda não nos respondeu até o fechamento dessa reportagem.

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    No acumulado do ano foram fabricadas 463,4 mil motocicletas. O total supera em 47,5% os primeiros cinco meses do ano passado, prejudicado com a chegada da Covid-19.

    Os números foram divulgados na quinta-feira, 10, pela Abraciclo, entidade que reúne fabricantes de motos e bicicletas instalados no Amazonas. A produção em 2021 é puxada pela boa demanda no mercado interno. Maio foi o melhor mês em emplacamentos em quase seis anos e as vendas no acumulado aumentaram 34,9% sobre os primeiros cinco meses do ano passado. Os números atuais até permitiriam uma revisão para cima das projeções do setor, mas a Abraciclo recorda que há outros pontos a considerar.

    “A possibilidade de uma terceira onda de Covid-19 e as férias coletivas que ocorrerão em julho impedem uma revisão dos números neste momento”, afirma o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian.



    No início do ano a associação previu a montagem de 1,06 milhão de unidades (leia aqui), o equivalente a 10,2% a mais que no ano passado. Fermanian admite que ainda existe uma demanda reprimida por cerca de 100 mil motos no mercado local, o que gera filas de espera para alguns modelos de baixa cilindrada. No início do ano eram 150 mil unidades, resultando em espera de até três meses.

    “Sabemos que existe demanda e temos capacidade instalada em Manaus, mas ainda há dificuldade de manter o distanciamento seguro entre os funcionários não só na linha de produção, mas também nos intervalos e refeições”, recorda o presidente da Abraciclo.

    O diretor executivo da Abraciclo, Paulo Takeuchi, também demonstrou preocupação com a crise hídrica: “Nosso maior receio é o efeito indireto, ou seja, sobre nossos fornecedores.” Segundo Takeuchi, parte das montadoras de Manaus substituiu equipamentos elétricos por outros a gás, o que garante alguma independência de fontes convencionais.

    MONTADORAS ESTÃO CONTRATANDO



    Em 2012 as fábricas do setor de motos empregavam 18,6 mil trabalhadores e esse número encolheu ano a ano até 2017 para apenas 11 mil funcionários. Voltou a crescer a partir de 2018 e fechou o ano passado com 12,8 mil colaboradores. De acordo com dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em fevereiro de 2021 os empregos no setor se aproximavam de 13 mil e, segundo Marcos Fermanian, as fábricas continuam contratando.

    Ainda de acordo com a Abraciclo, este ano as fábricas de motocicletas pagarão em salários, encargos e benefícios US$ 21,6 milhões, o equivalente a quase um quarto (23,4%) do que será desembolsado por toda a indústria presente no Polo Industrial de Manaus.

    EXPORTAÇÕES SUPERAM 20 MIL UNIDADES



    As fábricas de Manaus exportaram em maio 4,4 mil motos. O volume foi apenas 3,1% maior que em abril. Nestes primeiros cinco meses foram enviadas ao mercado externo 21,8 mil motos, um crescimento de quase 200%, mas sobre uma base muito baixa, comprometida não só pela pandemia como também pela retração do mercado argentino.

    Mas o país vizinho ainda é o maior destino e absorveu em 2021 um total de 6,9 mil motos, 30,8% de todas as unidades exportadas. Os Estados Unidos estão em segundo lugar, com 5,5 mil unidades e 24,7% dos embarques, seguido da Colômbia, com 4,2 mil, ou 18,9%. A estimativa no início do ano era enviar 40 mil motos ao exterior em todo o ano. O número também pode ser revisado para cima, já que o total em cinco meses supera a metade da projeção.