Produção local terá retomada lenta

George Rugitsky é conselheiro do Sindipeças e presidente da Freudenberg NOK

Por MÁRIO CURCIO, AB
  • 22/08/2016 - 22:40
  • | Atualizado há 2 months
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    A indústria automobilística brasileira levará quatro anos para voltar à casa dos 2,4 milhões de unidades produzidas. A projeção é do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) e foi divulgada no painel Perspectivas do Setor de Autopeças durante o Workshop Planejamento Automotivo 2017, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 22, em São Paulo (SP). Em 2015, um ano já bastante ruim (23% abaixo de 2014), o País fabricou 2,43 milhões de unidades.

    “Em 2017 a produção de veículos deve crescer 3%”, estima o presidente da Freudenberg NOK e conselheiro do Sindipeças, George Rugitsky, indicando um total próximo a 2,17 milhões de unidades, sendo 1,8 milhão para automóveis.

    Uma pequena alta está prevista já para o segundo semestre de 2016. O Sindipeças revela projeção próxima a 1,1 milhão de unidades fabricadas de julho a dezembro e crescimento de 8% nas vendas diárias sobre a primeira metade do ano.

    “Nossa previsão é bem mais conservadora que a da Anfavea”, ressalta Rugitsky. A associação das montadoras acredita em crescimento de 26% das vendas diárias na segunda metade do ano sobre a primeira. Sobre os emplacamentos, o Sindipeças estima que no segundo semestre vão superar 1 milhão de unidades, o que fará a média diária registrar alta de 6% sobre aquela anotada nos primeiros seis meses.

    O conselheiro do Sindipeças recorda que as várias medidas que a indústria teve de adotar para reduzir a produção (férias coletivas, layoff e redução de turnos) conseguiram baixar os estoques para 37 dias na soma dos pátios de montadoras e concessionárias. “Mas ainda assim o número permanece acima dos 35 dias”, ressalta Rugitsky, referindo-se a um número aceitável.

    Para o Sindipeças, entre os fatores que comprometem o crescimento das vendas há não só o desemprego, mas o rendimento médio dos trabalhadores, que vem recuando desde o início de 2015 e terminou o primeiro semestre de 2016 abaixo de R$ 2 mil.

    FATURAMENTO DAS AUTOPEÇAS E DÉFICIT NA BALANÇA COMERCIAL

    Rugitsky recorda que até o fim do ano as fabricantes de autopeças instaladas no Brasil devem registrar faturamento líquido nominal de R$ 63 bilhões, anotando queda de 4,5% ante 2015. Para 2017 a previsão é de discreta alta de 2,7%, com R$ 64,7 bilhões (veja aqui).

    Os investimentos das fabricantes de componentes devem registrar no próximo ano R$ 1,55 bilhão e pequena alta de 2,7% sobre o volume estimado para 2016: “A perspectiva de retomada lenta afasta investimentos. Muitas empresas que atuam aqui são de fora e veem inúmeras oportunidades de investir em outros mercados”, recorda o conselheiro do Sindipeças.

    Apesar da desvalorização cambial, o Brasil continua importando mais do que exportando componentes e deve fechar 2016 com déficit próximo a US$ 4 bilhões. E em US$ 3,2 bilhões para 2017. Em sua apresentação, o conselheiro do Sindipeças alertou para o crescimento da inadimplência da carteira de crédito para compra de veículos leves. Esse índice se acentuou de novembro de 2015 até maio deste ano e mostra crescimento mais acentuado na concessão a pessoas jurídicas: “A crise tem afetado a capacidade de pagamento das empresas”, recorda George Rugitsky. A concessão de crédito a empresas para compra de veículos até a metade do ano estava em R$ 5,9 bilhões, bem abaixo do pico de R$ 10,1 bilhões registrado em dezembro de 2014.