Produção recua para conter estoques

Volume de veículos em pátios é o maior desde novembro de 2008

Por SUELI REIS, AB
  • 04/04/2014 - 17:30
  • | Atualizado há 2 months
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    A indústria automotiva vem reduzindo gradativamente o ritmo da produção nacional: o volume entregue pelas linhas de montagem das associadas da Anfavea caiu 8,4% no acumulado do primeiro trimestre sobre o mesmo período do ano passado, para pouco mais de 789,8 mil unidades, entre leves e pesados. No comparativo mensal, o total produzido em março, de 271,2 mil veículos, é 3,6% menor que o volume fabricado em fevereiro e representou queda de 17,6% quando comparado com março de 2013.

    “Este é um reflexo das vendas menores no mercado interno, em linha com a queda das exportações”, argumenta o presidente da Anfavea, Luiz Moan, durante a apresentação do desempenho do setor na sexta-feira, 4, realizada em São Paulo.

    -Veja aqui os dados da Anfavea

    Em consequência de uma produção arrítmica, o estoque de veículos em março, que inclui os carros ainda não vendidos e alocados nos pátios das fábricas e nas concessionárias, atingiu 387,1 mil unidades, o equivalente a 48 dias de vendas, o maior estoque já registrado pela entidade desde novembro de 2008, quando subiram para o equivalente a 56 dias de vendas. Em fevereiro, o estoque, que já era alto, chegou a 37 dias, com 348,9 mil veículos.

    “De novo, este é um reflexo do desempenho das vendas internas e externas. Teremos claramente de buscar soluções nos próximos meses”, disse Moan sobre os estoques.

    Para conter a elevação do volume de veículos acumulados, algumas montadoras adotam desde fevereiro medidas de redução de produção, como férias coletivas, lay-offs e folgas extras. Para Moan, esta “é uma decisão individual de cada empresa”. Ele acrescenta que os 48 dias de estoque representam uma média, o que significa que algumas companhias têm mais estoques do que outras.

    Entre as empresas que adotaram medidas, então PSA Peugeot Citroën, em Porto Real (RJ) (leia aqui), Ford, Mercedes-Benz, Scania e Volkswagen, no ABC Paulista (leia aqui), MAN Latin America, em Resende (RJ), e GM, em São Caetano do Sul (SP) (leia aqui).

    Pelo menos no primeiro trimestre, o movimento de tentativas de redução de estoques está mais concentrado no segmento de veículos leves, cuja redução na produção foi de 8,4% contra o mesmo período acumulado do ano passado, para 737,8 mil unidades. Enquanto a queda foi de 9,3% para 586,8 mil automóveis, o recuo em comerciais leves fechou o período acumulado em 6,9%, para 150,9 mil unidades.

    Já no segmento de pesados, a produção de caminhões recuou 1,5%, para 42,4 mil unidades, enquanto a montagem de chassis de ônibus chegou a 9,6 mil unidades, 3,2% menos do que o anotado no primeiro trimestre de 2013. Segundo Moan, a entidade não faz mapeamento de onde estão concentrados os maiores estoques, mas assegura que o nível médio de caminhões estocados é um pouco superior à média de automóveis parados nos pátios.

    Apesar da diminuição do ritmo nas fábricas, o nível de emprego se manteve estável na passagem de fevereiro para março, com leve queda de 0,4%, para 134,3 mil postos de trabalho ativos. Com relação a março do ano passado, houve um incremento de 0,2%.

    Assista à entrevista exclusiva com Luiz Moan, presidente da Anfavea: