PSA mostra motor EC5, que dá adeus ao tanquinho

Novo propulsor para o Peugeot 308 recebe Bosch Flex Start

Por Mário Curcio, AB
  • 14/12/2011 - 12:49
  • | Atualizado há 2 months
  • 4 minutos de leitura

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    Mário Curcio, AB
    De Porto Real, RJ

    Como resultado de um investimento de R$ 100 milhões, a PSA Peugeot Citroën apresentou o motor EC5, um 1.6 de 16 válvulas que equipará o Peugeot 308. Neste carro, a ser lançado em 25 de fevereiro no Brasil, o propulsor utilizará a tecnologia Flex Start, da Bosch, que dispensa a utilização do tanquinho de gasolina porque pré-aquece o combustível antes de injetá-lo sempre que a proporção de etanol no tanque e a temperatura ambiente exijam isso no momento de ligar o carro.

    Segundo a PSA, o propulsor é um novo projeto mundial e o mais potente de sua categoria, produzindo até 122 cv quando abastecido com etanol: “Ele utiliza comando de válvulas variável na admissão, componentes mais leves, processos que reduzem o atrito, polia de virabrequim oval para atenuar a vibração da correia dentada e também uma bomba de óleo variável, que reduz as perdas por bombeamento e economiza 1,2% em consumo de combustível”, afirma o chefe de projeto do EC5, Hernan Ariel Tolosa.

    O sistema Flex Start é muito parecido com o que estreou no VW Polo Bluemotion em 2009, mas trará como novidade no 308 a função Wake-Up: “Ela faz a central eletrônica ECU ‘acordar’ (daí o nome em inglês) assim que o motorista abre a porta do carro. Neste momento a ECU identifica a temperatura ambiente e a proporção de etanol no tanque antes de o condutor virar a chave”, afirma o engenheiro de aplicação da Bosch, Márcio Leder. O Wake-Up elimina o tempo de espera de 5 segundos quando a temperatura ambiente é de 5 graus Célsius. Caso a chave seja de ignição seja colocada no contato antes do aquecimento completo do etanol, uma luz se acenderá no painel indicando que o sistema está em aquecimento. A partida só é permitida após essa luz se apagar.


    Novo motor EC5 é equipado com o Flex Start, da Bosch. Detalhe no alto e à direita (com código de barras) é um dos quatro locais onde ocorre o pré-aquecimento do etanol. Componente isolado na foto é uma das lanças de aquecimento, que favorecem a pulverização do combustível em temperaturas mais baixas.

    Segundo o profissional, o Wake-Up não implicou aumento no custo do Flex Start porque utiliza instalações já presentes no carro. A fabricante de autopeças acredita que, em 2015, 50% dos automóveis flexíveis utilizarão este ou outros sistemas semelhantes a fim de eliminar o tanquinho em 2015. Além da Bosch, outros fornecedores mencionados para o novo EC5 são a INA Schaeffler (variador de fase), KS (pistões), Mahle (bielas e anéis), Magma (bomba de óleo variável), Valeo (bobinas) e Litens (polia oval do virabrequim).

    Segundo a PSA, o EC5 produz sua potência máxima a 5.800 rpm quando abastecido com etanol. Com esse mesmo combustível, o torque máximo de 16,4 m.kgf surge a 4.000 rpm com esse mesmo combustível. O EC5 é um projeto mundial, desenvolvido em conjunto pelas equipes da América Latina, França e China.

    “É um motor melhor em tudo por oferecer melhor desempenho, economia e redução de emissões”, afirma o diretor de pesquisa e desenvolvimento da América Latina, François Sigot. De acordo com a PSA, o propulsor produz 80% do torque a partir de 1.500 rpm. Com seus avanços, resultou em uma economia de combustível de 7%.

    A PSA não revelou todos os motores que estarão no308, mas neste primeiro momento apenas o EC5 terá o Flex Start como equipamento de série. Atualmente, a linha de motores da PSA produz um propulsor 1.4 e dois 1.6 de 16 válvulas, um deles o novo EC5 (nas versões a gasolina e Flex Start) e o outro, o antigo TU5. Este último poderia receber o sistema Flex Start com algum trabalho em sua ECU e na injeção, já que o coletor de admissão e a galeria de combustível do EC5 são compatíveis com ele.

    A capacidade instalada de Porto Real é de 280 mil motores por ano, número que subirá para 400 mil unidades anuais como parte de um total de R$ 3,7 bilhões de investimentos da PSA no período 2010-2015. Como forma de reduzir o impacto ambiental, todos os fluidos utilizados na usinagem dos motores passam por centrífugas. São filtrados e voltam ao processo, não há descarte desse material. E os resíduos de ferro e alumínio provenientes desse processo são enviados aos fornecedores para reciclagem.

    A unidade de usinagem recebeu uma nova prensa para o cabeçote e um equipamento para medição do estado da superfície dos cilindros do novo motor. Outro equipamento adquirido para a produção do propulsor EC5 realiza de forma automática a montagem do conjunto formado por biela, pino e pistão.


    Linha de motores da PSA onde é feito o novo EC5 produz também o 1.4 e o 1.6 TU5, mais antigo. Fluidos utilizados na usinagem nunca são descartados. Passam sempre por filtragem. Resíduos de ferro e alumínio são enviados de volta aos fornecedores para reciclagem. Até 2015, capacidade passará de 280 mil para 400 mil motores por ano.