PSA registra queda de 10% nas vendas globais

Grupo contabiliza primeira baixa após cinco anos seguidos de crescimento

Por REDAÇÃO AB
  • 16/01/2020 - 19:33
  • | Atualizado há 2 months
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    No ano em que anunciou sua fusão com a FCA, o Grupo PSA registrou em 2019 sua primeira retração de vendas globais após cinco anos consecutivos de resultados positivos, com recordes em 2017 e 2018. As quatro marcas da corporação (Peugeot, Citroën, DS e Opel/Vauxhall) venderam no mundo todo perto de 3,5 milhões de veículos, o que resulta em queda de 10% sobre as 3,9 milhões de unidades do ano anterior – fato que a PSA tentou camuflar em seu comunicado distribuído à imprensa na quinta-feira, 16, no qual não divulga os dados de 2018 para evitar a comparação.

    Sem os efeitos da adição dos volumes da Opel, como aconteceu em 2018 no primeiro ano completo de contribuição da marca para o grupo, a PSA contabilizou resultados modestos ou negativos em todas as regiões onde atua. Com muitas mudanças no portfólio de produtos, com foco na ampla eletrificação de modelos na Europa, e ventos desfavoráveis em diversos mercados, a companhia preferiu preservar o caixa, centrando esforços no que o presidente global Carlos Tavares chama de “vendas rentáveis”.

    “Em todas as regiões, nossas equipes estão fortemente comprometidas com o desempenho, com vendas rentáveis e com a satisfação de nossos clientes, em um ambiente altamente mutável. Esse compromisso é sustentado pelas estratégias Core Model e Core Technology do Groupe PSA e reforçará, no longo prazo, nossa ambição de fornecer soluções de mobilidade limpas, seguras e acessíveis para as pessoas e para os bens, a fim de conter os efeitos do aquecimento global”, declarou Carlos Tavares.



    Na Europa, que continua a ser o maior mercado de todas as marcas da PSA, houve leve crescimento de 1,3% nas vendas e a participação recuou marginalmente de 17,1% para 16,8%. O desempenho foi afetado pela grande renovação da linha de produtos, que deve continuar nos próximos anos com a oferta de eletrificação com powertrain híbrido ou 100% elétrico para todos os modelos – 10 deles já foram lançados no ano passado e o plano é lançar mais 13 híbridos ou elétricos até 2025, sendo 50% até 2021.

    Na América Latina, dois mercados importantes para a PSA registraram retração e provocaram quedas de vendas na Argentina (-43%) e no Chile (-11%). Mas houve crescimento no México (+13%) e no Brasil (+1,7%). Embora a expansão no mercado brasileiro ainda seja modesta, a contração dos últimos anos ao menos foi contida, graças ao bom desempenho do SUV C4 Cactus e pela linha de veículos utilitários da Peugeot e Citroën.

    REESTRUTURAÇÕES



    As operações da PSA passam por reestruturação em boa parte do mundo. O grupo está reajustando seu modelo de negócio na China, deixando a sociedade que mantinha com a Changan (CPCA) e refazendo sua parceria com a Dongfeng na DPSA. Com isso, as vendas perderam vigor no país. Em 2020 a empresa começa sua ofensiva de lançamentos de veículos eletrificados no mercado chinês, com a produção local dos elétricos e2008, DS 3 CROSSBACK E-TENSE e de três híbridos recarregáveis (PHEV): 508L HYBRID, 4008 HYBRID, e C5 Aircross Hybrid. Ainda na Ásia, será iniciada na Malásia a montagem dos SUVs Peugeot 3008 e 5008.

    No Oriente Médio, os resultados do grupo foram impactados pela suspensão das atividades no Irã (em maio de 2018), o que reduziu o número de unidades vendidas em 2019. Na África os destaques foram o Egito, onde a participação de mercado cresceu 6,1 pontos porcentuais, e o Marrocos (+2,1 p.p.), país no qual o desempenho tende a melhorar em 2020 com a produção local da fábrica de Kenitra, inaugurada em setembro passado e que terá sua capacidade duplicada para 200 mil veículos a partir da metade deste ano.

    Na Índia, o Grupo PSA começou a produção de transmissões em parceria com a AVTEC e este ano vai lançar o SUV C5 Aircross no país, que em 2021 será seguido pelo lançamento de novos modelos da Citroën desenvolvidos localmente.