Randon mantém postura cautelosa com retomada

A partir da esquerda: o presidente David Randon e os COOs Sergio Carvalho e Alexandre Gazzi

Por SUELI REIS, AB
  • 16/10/2017 - 19:43
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Há um consenso entre a cadeia de produção de veículos comerciais de que há uma retomada em curso do mercado e que as vendas, aos poucos, estão dando sinais de melhora, mas este processo ainda está em ritmo bastante lento, indica a fabricante e líder do mercado de implementos rodoviários Randon. Enquanto algumas montadoras de caminhões projetam crescimento de 15% a 20% das vendas para 2018, a empresa é mais cautelosa quanto à retomada da economia e do setor de transporte de cargas no Brasil.

    “Há uma pequena retomada, ainda devagar; e em 2018 esperamos que será um pouco melhor”, afirma o presidente da empresa, David Randon, durante entrevista na segunda-feira, 16, na Fenatran.

    O executivo expressa o quanto o setor de implementos e carretas diminuiu drasticamente com a paralisação do mercado de caminhões: “Saímos de um patamar de 70 mil unidades em 2013 para 26 mil em 2017 e algo em torno de 23 ou 24 mil em 2017”.

    “O mercado não melhorou, continua em nível muito baixo. Nós sentimos uma melhora porque estamos performando melhor do que a concorrência”, analisa o COO das Empresas Randon e responsável pela divisão montadora, Alexandre Gazzi.

    Embora o mercado de pesados trilhe lentamente a rota da recuperação, a Randon indica que não pode parar na crise e tampouco na retomada. A empresa, que como muitas outras da cadeia, foi obrigada a ajustar as operações ao tamanho da demanda menor, adotou a estratégia de “não dar as costas para o mercado e focar em caixa”. Agora, a companhia retoma alguns projetos antes pausados por causa da forte retração das vendas, caso da nova fábrica de Araraquara (SP), anunciada em outubro de 2014 e que só agora retomou as obras, após um período de paralisação. Com investimento de R$ 100 milhões, a unidade será dedicada à produção de semirreboques canavieiros, basculantes e vagões ferroviários. “Desaceleramos e estamos voltando a acelerar em Araraquara, já estamos fazendo testes para operar no primeiro trimestre de 2018”, diz Gazzi.

    INOVAÇÃO X CUSTO

    Gazzi explica que a empresa optou ainda por encontrar o equilíbrio entre inovação e custo, a partir do uso de novos materiais, como mix de aço e alumínio, a fim de reduzir peso e tara e ajudar na composição do preço do produto e nos benefícios que trará para o cliente: “Conseguimos renovar as famílias e chegar a um preço competitivo”, acrescenta.

    Segundo o executivo, 60% da receita do grupo vêm das inovações feitas nos últimos cinco anos em produtos tanto na divisão de veículos, que inclui os implementos e veículos especiais off-road, além das autopeças Fras-le, Suspensys, Master, Jost e Castertech. Essas inovações estão sendo lançadas na Fenatran deste ano, entre elas, cinco novidades na linha de implementos, incluindo o semirreboque a base de contêiner, desenvolvido para o mercado peruano, e outros 17 novos produtos e atualizações da divisão de autopeças.

    “A Randon tem como base trabalhar no melhor para o mercado interno, mas também estamos focados no processo de internacionalização”, reforça o COO para a divisão de autopeças, Sergio Carvalho. Ele confirma a expansão na China, com a ampliação da operação a partir do investimento equivalente a R$ 9 milhões em um novo local para a fábrica, que mais que duplicará sua capacidade produtiva com inauguração prevista para 30 de novembro (leia aqui), e mais um novo centro de distribuição que será aberto na Colômbia. Além disso, Carvalho indica que novos investimentos estão por vir.

    A cobertura de Automotive Business é patrocinada por Carcon Automotive e Automechanika Frankfurt.