Renault usará cota de Inovar-Auto para trazer Captur

Carlos Ghosn, CEO Renaul-Nissan: reclama de altos impostos no Brasil.

Por CAMILA FRANCO, AB | De Curitiba (PR)
  • 17/06/2013 - 19:25
  • | Atualizado há 2 months
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    O CEO da Aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn, reuniu-se com a imprensa na segunda-feira, 17, na Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), e revelou que a Renault vai lançar mão em breve da cota de importação de 9,6 mil veículos ao ano prevista para empresa pelo Inovar-Auto, o novo regime automotivo em vigor desde o começo deste ano. O Captur, compacto global da marca apresentado no Salão de Genebra e que já foi visto em porto brasileiro, é o modelo mais cotado para ocupar o volume de importação.

    “Nas próximas semanas vamos definir se importaremos apenas um veículo ou dois. Os que têm mais chances são o Captur e o Megane RS, versão esportiva do Megane hatch”, complementou Olivier Murget, presidente da Renault no Brasil.

    O presidente da Renault tem anunciado desde o ano passado que, diante dos altos custos de produção brasileiros, a empresa aposta na produção de modelos de altos volumes, a começar por hatches e sedãs compactos de até R$ 30 mil, como o Sandero, que vende ao ano cerca de 100 mil unidades, e o Duster, com média de 50 mil. “Para aproveitar a cota sem o IPI majorado, vamos importar um veículo de um segmento novo e com valor acima disso”, justificou Murget. Em 2013, a Renault passará a produzir apenas novas séries limitadas dos modelos que já mantém no mercado.

    O CEO Carlos Ghosn diz que a estratégia foi adotada por causa dos altos impostos praticados pela indústria brasileira. “Não tenho dúvidas de que a economia brasileira crescerá nos próximos anos. Em 2012 avançou 0,9% e já tem sinalizado um crescimento de 2,5% em 2013. Minha única preocupação está relacionada à perda de competitividade. Aqui, 30% do preço do carro corresponde à tributação. Na França, os impostos chegam a 16% do valor do carro e nos Estados Unidos, a 6%. As medidas adotadas recentemente pelo governo brasileiro, como a redução do IPI para os automóveis até o fim do ano e dos custos da energia elétrica, além da medida provisória que melhora a eficiência dos portos, são positivas e podem ajudar a trazer aos poucos a competitividade. Mas ainda é preciso fazer mais, principalmente para reduzir a carga tributária. Só assim vamos aumentar o nosso consumo interno e também as nossas exportações.”

    Diante desses desafios, Ghosn - diferentemente da Anfavea, que prevê expansão da indústria automotiva de 3,5% a 4,5% sobre 2012 -, aposta que 2013 manterá o mesmo volume de vendas de 2012, de 3,8 milhões de automóveis e comerciais leves. “O nível de 2012 já foi bastante alto e prefiro manter uma previsão conservadora. O mercado brasileiro só deve chegar a 4,5 milhões de unidades em 2017.”

    Sua previsão para a Renault é mais otimista. “Crescerá acima do mercado, como já vem acontecendo nos últimos três anos - em 2012, a empresa registrou alta de 24%, enquanto o mercado geral de veículos e comerciais leves ficou na casa dos 6%; em 2011 a fabricante cresceu 21% e o mercado, 3%; em 2010 os índices foram de 36% contra 10% de avanço. E chegará a uma participação de 8% até 2016. Esta alta vai contribuir, inclusive, para um avanço da marca no cenário internacional.”

    Atualmente, o Brasil é o segundo mais importante mercado para a Renault, atrás apenas da França. Ghosn aposta que Brasil, Rússia, Índia e outros países emergentes ajudarão o mercado mundial avançar de 2% a 3% em 2013, enquanto a Europa deve registrar queda pelo sexto ano consecutivo. “A retração europeia deve ser de 5% em 2013. Só em 2016 o mercado europeu voltará ao nível de vendas de 2007”, concluiu o CEO.