Siemens PLM aposta no Teamcenter

Heidorn: conquistas no exterior abrem oportunidades no Brasil.

Por Paulo Ricardo Braga
  • 11/02/2011 - 18:41
  • | Atualizado há 2 months
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    Paulo Ricardo Braga, AB

    John Heidorn, vice-presidente de marketing para as Américas da Siemens PLM esteve no Brasil na semana passada para fazer um reconhecimento do mercado local. Foi a primeira viagem dele ao País, acompanhado de um grupo de seis profissionais da empresa e com uma agenda repleta de compromissos. Nos seus principais encontros estiveram profissionais que comandam negócios nas áreas de energia e indústria automobilística.

    O executivo norte-americano não fala em números ou sobre market share da companhia na região. O balanço da companhia consolida resultados globais e não ficam evidentes os resultados do segmento de software, que são integrados à Divisão de Automação Industrial da Siemens, que possui 39 mil funcionários.

    Uma das principais preocupações de Heidorn na vinda ao Brasil foi disseminar a utilização das novas gerações de softwares que utilizam o conceito de alta definição e estimular o emprego do Teamcenter. Trata-se de uma solução de amplo espectro para gerenciamento do ciclo de vida de produtos, dentro de um ambiente colaborativo, no qual diferentes áreas de atividade na empresa trabalham sobre a mesma base de dados para desenvolver um projeto. Há facilidades como incorporar parceiros no programa e gerenciar sistemas de ERP (para materiais) e CRM (para relacionamento com o cliente).

    Ferramenta construída sobre plataforma aberta, o TeamCenter tem a habilidade de conversar com outros softwares da Siemens PLM, com o NX (desenho industrial, projeto de produtos e ferramental), o Tecnomatix (manufatura digital), Solid Edge (para projeto de conjuntos e sistemas, com modelagem em 2D e 3D) e Femap (simulações e validação).

    Heidorn destaca a importância das soluções de softwares como os oferecidos pela sua empresa para agilizar o gerenciamento das inúmeras etapas de vida de um produto, desde a conceituação, simulação de projetos e manufatura até a distribuição, passando depois por ciclos de aperfeiçoamento e inovação. “As empresas querem chegar primeiro ao mercado e, sempre que possível, com algo novo. Os softwares PLM representam uma ferramenta ideal nessas iniciativas”, assegura.

    E quanto aos recalls, que acontecem cada vez com maior frequência? Para ele, as convocações são resultado, em grande parte, da complexidade dos novos produtos. Com a introdução da eletrônica nos automóveis e inúmeros componentes para atender o mercado de forma customizada, multiplicam-se aos milhões as possíveis combinações dos elementos. Programas de testes e simulações constituiriam uma forma de reduzir problemas futuros em relação a produtos e processos de manufatura.

    No Brasil

    O Brasil representa cerca de 5% dos negócios globais da Siemens PLM, mas merece atenção especial da companhia pelo crescimento de negócios puxados pelo avanço da economia, com investimentos bilionários na área de petróleo e gás. A indústria automotiva é outro campo de interesse, diante dos aportes já anunciados, que podem somar R$ 40 bilhões até 2015.

    Paulo Leal Costa, que comanda a operação brasileira, está otimista com a penetração da marca no País. “Houve avanços significativos da companhia no exterior, que trazem reflexos positivos no Brasil”, afirma. Uma dessas conquistas ocorreu junto à Daimler, que recentemente anunciou a escolha dos softwares de CAD da Siemens como padrão global no desenvolvimento de veículos, com o emprego do NX e a implementação do Teamcenter. A Chrysler segue o mesmo caminho, adotando as mesmas ferramentas para gerenciar o ciclo de vida de produtos das marcas Chrysler, Dodge, Jeep, Ram. Na Ford, motores do Fusion Híbrido e da Transit Connect foram desenvolvidos com soluções da Siemens PLM.

    O Teamcenter é um software relativamente barato – cada cópia custa em torno de US$ 1 mil, mas são necessárias muitas licenças para atender empresas de porte empenhadas no desenvolvimento em colaboração. O Tecnomatix vale US$ 20 mil e as montadoras chegam a adquirir dezenas de licenças. Mas quase metade da receita de vendas no Brasil vem do NX, cotado a US$ 8 mil.

    A operação brasileira reúne quase uma centena de profissionais, a maioria especializada em software e nos mercados-alvo da companhia, que exigem abordagem técnica durante a venda. Há 16 distribuidores, cuja atuação é definida pelo faturamento do cliente potencial. A Siemens PLM atende diretamente os maiores, oferecendo treinamento de pessoal do cliente e o suporte técnico.

    Foto: John Heidorn, vice-presidente de marketing para as Américas da Siemens PLM.