Sindicato do ABC defende paralisação para conter novo avanço da Covid-19

Proposta pede suspensão das atividades das fábricas, novo acordo emergencial e compra de vacinas pelas montadoras

Por REDAÇÃO AB
  • 16/03/2021 - 20:26
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC) divulgou comunicado na terça-feira, 16, informando que entregou um documento para as direções da Anfavea (associação das montadoras) e do Sindipeças (sindicato das fabricantes de autopeças) no qual propõe um “acordo emergencial em defesa da vida e do trabalho”. A iniciativa, segundo o sindicato dos trabalhadores, foi tomada em função do “descaso do governo federal em relação à gravidade da situação”, e por reconhecerem que é preciso um esforço conjunto de empregadores, empregados e o poder público a fim de proporcionar medidas eficazes no enfrentamento da pandemia.

    Wagner Santana, presidente do sindicato, disse que os representantes das entidades foram receptivos à ideia, mas lembraram que são necessárias medidas do governo para custear os salários. “Eles receberam bem a necessidade de unir esforços e propostas que permitam conter o avanço mais agressivo da Covid-19. O sindicato defende o isolamento total e severo, mas, para ser eficaz, ele tem de ser feito de forma geral, não dá para ficar pingando um pouquinho aqui, outro ali. É preciso um programa federal de proteção do emprego e da renda”, declarou Santana.

    O dirigente do sindicato afirmou ainda que pretende ampliar o movimento, com a participação de outras entidades – patronais e de trabalhadores. “Vamos buscar outros sindicatos patronais, vamos buscar a ajuda de outros companheiros e companheiras do movimento sindical na tentativa de construir ações conjuntas que possam mitigar os efeitos da pandemia nas nossas vidas e na sociedade”, disse.

    “É imprescindível que o setor privado apoie o sistema público de saúde, e, com isso, ajude a evitar um colapso irremediável. A indústria tem capacidade para liderar esse processo no segmento econômico”, afirma o texto encaminhado à Anfavea e ao Sindipeças .



    A proposta do sindicato dos metalúrgicos é baseada em três pontos principais:

    1. Isolamento: trabalhadores devem manter o isolamento físico, mas, para isso, são necessárias políticas públicas que garantam renda, empregos e as próprias empresas.

    2. Vacinas: compra compartilhada de vacinas com as secretarias municipais de Saúde ou consórcios públicos (como o Consórcio Intermunicipal Grande ABC, que reúne os prefeitos das cidades da região) como forma de agilizar e acelerar os processos de imunização da população. Importante: inicialmente, a ideia é doar todas as vacinas adquiridas para o SUS regional; depois, assim que todo o grupo prioritário for vacinado, as empresas devem doar 50% dos imunizantes para o SUS e utilizar o restante para vacinar seus colaboradores.

    3. Apoio: criação de uma rede de empresas privadas que apoie o sistema público de saúde de cada cidade da região. Além disso, defende projetos de reconversão industrial como alternativa para ampliar a resposta do sistema público de saúde e de manutenção da atividade econômica, e, por fim, o acesso facilitado ao crédito por parte das empresas que compõem a cadeia produtiva das montadoras.