SUVs provocam aumento dos preços de locação

Esse tipo de veículo tem crescido na frota e impactado os custos da Movida. "Hoje o nosso maior gargalo para o crescimento é a montadora", diz CEO

Por BRUNO DE OLIVEIRA, AB
  • 29/07/2021 - 19:04
  • | Atualizado há 1 month
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    A Movida registrou aumento do tíquete médio da sua oferta nas suas três unidades de negócios, a locação, gestão de frotas e venda de veículos seminovos. Mas não pense que isso é apenas reflexo da alta dos preços dos veículos novos no mercado, que se acentuou no primeiro semestre. Também pesou nessa conta o crescimento no número de modelos SUVs na frota da companhia.

    "Aumentou a participação dos utilitários na nossa frota, o que é apenas um espelho do que é demandado pelos nossos clientes. Com um veículo mais caro no mix de produtos, é evidente que o serviço também passa a ter uma tarifa maior", disse o CEO Renato Franklin na quinta-feira, 29, durante apresentação online dos resultados da companhia aferidos até julho.



    O executivo evitou entrar em detalhes sobre a participação desse tipo de modelo na frota, mas afirmou que a tendência é que essa fatia aumente nos próximos anos em função de novas aplicações. "No serviço de gestão de frotas, os clientes corporativos têm pedido cada vez mais por SUV. No caso da locação para pessoa física, aumentou o volume de viagens aos finais de semana e o cliente quer SUV", disse o executivo.

    A própria Movida também quer mais SUVs para acompanhar a demanda, algo que não acontece no ritmo que a empresa gostaria por causa dos atrasos nas entregas das montadoras. "O que temos hoje é inferior à demanda, precisamos de mais veículos, principalmente em gestão de frotas, que é uma área que está crescendo muito", conta Franklin.

    O executivo afirmou que a empresa "vem recebendo volumes satisfatórios" das fabricantes, ainda que a quantidade esteja aquém dos pedidos. Ele disse, ainda, que a empresa deverá fechar a compra do volume que considera adequado à demanda no segundo semestre do ano que vem.

    "Já estamos em negociação de novos patamares de volume de compra de veículos daqui para frente. Por ora não houve revisão dos pedidos já feitos e projetamos um maior patamar de compras até dezembro", disse Edmar Prado Lopes Neto, diretor financeiro.

    O executivo disse, no entanto, que o volume de negócios da empresa poderia crescer muito mais se não fosse pelas montadoras, que enfrentam problemas na produção. "Existem quatro possíveis gargalos para impedir o crescimento da operação: balanço, capacidade operacional, demanda e, durante a pandemia, as montadoras. Hoje no nosso maior gargalo é a montadora porque não temos veículos disponíveis para expandir a atuação."

    DESEMPENHO POR DIVISÃO



    De acordo com o balanço da Movida, o tíquete mensal da unidade de gestão de frotas subiu de R$ 1.231, no primeiro trimestre, para R$ 1.308, ao final do segundo trimestre. Já o número de diárias saltou de 3.861 para 4.544 diária, uma alta de 17,6%.

    O preço médio por unidade na divisão de seminovos subiu de R$ 51,8 mil para R$ 54,5 mil na mesma base de comparação. O volume de veículos vendidos no segundo trimestre somou 12.462 unidades, alta de 126% sobre o volume vendido no primeiro trimestre. A idade dos veículos vendidos no abril-junho foi de 22 meses em média, o maior patamar de idade dos últimos dose meses, um reflexo da escassez de veículos que levou a empresa a diminuir o ritmo das aquisições ao longo da pandemia no ano passado.

    No segundo trimestre, a empresa comprou 23,2 mil veículos, o maior volume registrado desde o primeiro trimestre de 2020. O resultado foi 109% maior do que aquele comprado no primeiro trimestre do ano.

    No caso da unidade Rent a Car, a diária média aumentou de R$ 81 no primeiro trimestre para R$ 84 no segundo. O número de diárias, no entanto, caiu 8% na comparação entre os trimestres, chegando a 4,6 mil diárias em junho.

    A frota total da companhia ao final do segundo trimestre era formada por 134,2 mil veículos, alta de 9,5% sobre o volume total observado no primeiro trimestre.

    RESULTADOS TOTAIS



    A companhia registrou lucro líquido de R$ 174 milhões no segundo trimestre, alta de 6.556% na comparação anual e de 58% na trimestral. Já o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) foi a R$ 388 milhões, 27% maior que aquele aferido no primeiro trimestre e 157% superior àquele registrado em mesmo período no ano passado.

    A receita líquida totalizou R$ 1,2 bilhão, um aumento de 15,6% na comparação anual e de 50,5% na comparação trimestral.