Treinamento é solução para driblar escassez de motoristas

Montadoras ampliam programas e frotistas se esforçam para reter profissionais

Por Giovanna Riato, AB
  • 26/07/2011 - 19:35
  • | Atualizado há 2 months
  • 3 minutos de leitura

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    Giovanna Riato, AB

    O aquecimento do mercado de caminhões nos últimos anos evidenciou um gargalo do setor de transportes: a falta de motoristas para o setor. “Ouvimos casos extremos de companhias que deixam de aumentar a frota por conta da falta de motoristas”, conta Marcelo Bouhid, gerente comercial da Iveco. A dificuldade para reter profissionais é outro desafio apontado pelo executivo. “muitos clientes estão passando por isso”, afirma.

    Em 2011, a montadora planeja aumentar para R$ 9 milhões o investimento em programas de treinamento. O principal deles é o Top Driver, que já habilitou 13,5 mil profissionais desde 2009. Com 55 instrutores entre a fábrica e a rede de concessionárias, a iniciativa cresce a um ritmo de 25% ao ano em número de horas. A companhia também anunciou recentemente parceria com o Centro de Ensino no Transporte e Tecnologia (CETT), em Lins, interior de São Paulo, para a formação de motoristas.

    A Volvo mantém acordo semelhante com a instituição, além de parceria com o Senac do Paraná, onde está instalada a fábrica da montadora. O programa de treinamento da empresa Sueca conta com cerca de 56 instrutores. O aporte anual é de cerca de R$ 2 milhões, descontando o investimento físico, para garantir os caminhões.

    Rogério Roa, coordenador de desenvolvimento de competências na rede de concessionárias da companhia, aponta que, em pesquisas de satisfação, os clientes sempre pedem mais treinamento para os motoristas. O executivo identifica duas necessidades: ampliar o número de profissionais e oferecer treinamento para que motoristas que já estão no setor acompanhem o avanço tecnológico dos veículos.

    Bouhid, da Iveco, destaca que a evolução dos caminhões representa algo positivo para o motorista. “Os veículos de hoje têm uma condução muito mais fácil, com câmbio automático e cabines confortáveis, por exemplo”, destaca. O executivo acredita que a falta de motoristas no mercado representa mais um desafio para o crescimento do setor mas não tem força para segurar o avanço das vendas.

    O ponto de vista é semelhante ao da MAN. Sergio Beraldo, gerente de desenvolvimento da rede da companhia, diz que as empresas de transporte não deixam de assinar novos contratos mas, sem profissionais preparados, podem iniciar “uma operação inadequada, que comprometa a performance do produto e os ganhos”, alerta.

    A marca alemã oferece dois tipos de treinamento aos clientes. O primeiro é focado em uma exposição técnica do produto e em aulas práticas. O segundo utiliza a tecnologia de um simulador para expor o condutor às várias condições de trânsito.

    As ações do frotista

    Os frotistas apostam no profissional como um dos pilares para uma operação eficiente. A JSL, antiga Julio Simões Logística, trabalha pela valorização dos motoristas, que passam por treinamento intensivo e recebem prêmios por resultados. “Investimos anualmente 1,5% do nosso faturamento global em treinamento”, revela Irecê Andrade, diretora comercial da companhia.

    Além da preparação oferecida pelas montadoras, a operadora logística tem cursos próprios. Os novos colaboradores passam por um intensivo de, no mínimo, 226 horas, com disciplinas como direção defensiva, condução econômica, atendimento ao cliente e até alimentação saudável. Depois disso os condutores participam de treinamento e atualização pelo menos uma vez por ano.

    Cerca de 70% do total de funcionários da empresa são motoristas, algo em torno de 10 mil pessoas. Segundo a JSL, o investimento nos colaboradores é um dos motivos para a companhia ter conseguido driblar a dificuldade de contratar. “Nunca deixamos de iniciar uma operação por falta de motorista mas, quando abrimos vagas, sentimos uma diminuição do número de candidatos”, conta Irecê. Para a diretora, o momento é de adaptação. “Esta profissão passará por uma evolução e teremos então mais interessados”, aposta.

    Novos motoristas

    A valorização da profissão parece ser um caminho sem volta. Começam a surgir ideias para amenizar as dificuldades que o motorista de caminhão enfrenta, como os longos períodos longe de casa, a falta de infraestrutura viária do País e a rotina solitária.

    Roa, da Volvo, aponta que muitas empresas do setor logístico já trabalham com rotas mais curtas, com troca de motorista durante o percurso. “Isso traz um benefício enorme para a operação. O motorista trabalha descansado, conhece melhor o trecho, não para em postos de serviço na estrada e volta para casa com mais frequência”, enumera. O executivo lembra que, no passado, algumas famílias que enxergavam a profissão de motorista como tradição. No futuro, no entanto, “a carreira será planejada e terá uma formação de base”, aposta.