Volkswagen investe R$ 2,6 bi para fazer Polo e Virtus

Volkswagen começa a montar o novo Polo na fábrica Anchieta, que completa 60 anos de atividade em São Bernardo do Campo (SP)

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 14/08/2017 - 18:30
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    A Volkswagen confirmou investimento de R$ 2,6 bilhões para desenvolver e produzir os novos Polo e Virtus na fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP). O aporte marca a chegada na primeira planta da empresa fora da Alemanha, que este ano completa 60 anos de atividades, da mais moderna plataforma modular do Grupo VW, a MQB, sobre a qual são construídos os dois carros, entre cerca de 20 modelos. Os recursos fazem parte do programa de R$ 7 bilhões em curso que a montadora aplica no Brasil para o período 2016-2020, com objetivo de renovar completamente sua linha de produtos no País.

    É a segunda vez que o Polo traz investimentos expressivos para a antiga planta da Volkswagen: a primeira vez foi em 2002, quando foram aplicados R$ 2 bilhões (valor superior ao de hoje se descontada a inflação) para inaugurar o que na época foi chamada de “Nova Anchieta”, que recebeu 400 novos robôs e linhas de produção modernas para fazer a quarta geração do hatch, produzida em São Bernardo até 2014. Agora o Polo retorna em sua sexta geração – já apresentada na Europa – para ser montado na mesma linha inaugurada pelo modelo há 15 anos.

    Desta vez o Polo tem responsabilidade ainda maior do que já teve no passado recente, pois inaugura “uma nova Volkswagen no Brasil”, segundo destacou o presidente da empresa na América do Sul, David Powels, em seu discurso para funcionários, autoridades e fornecedores na segunda-feira, 14, em cerimônia realizada na fábrica que marcou o início da produção comercial das primeiras unidades do hatch, que só será lançado na rede de concessionárias em novembro. “A renovação completa de nosso portfólio de produtos terá início com o novo Polo. Ele será mais que um carro. Será o embaixador de uma nova Volkswagen”, disse o executivo. A variante sedã do modelo, o Virtus, vem a seguir, com previsão de vendas no início de 2018, e mais adiante a mesma plataforma MQB será usada para a produção de um novo SUV e uma nova picape em São José dos Pinhais (PR).

    ESTRATÉGIA PRODUTIVA


    Volkswagen fez evento na planta Anchieta para marcar o início da produção comercial do novo Polo

    Para acomodar Polo e Virtus em São Bernardo, há pouco mais de um mês a Volkswagen transferiu toda a produção do Gol para sua fábrica de Taubaté, no interior de São Paulo (leia aqui) e cancelou a redução de jornada de trabalho na planta (leia aqui). Assim, a Anchieta produz atualmente em larga escala somente a picape Saveiro, montada na mesma linha onde já começou a ser feito o Polo e que também receberá o Virtus até o fim do ano.

    Powels destacou que o investimento só foi possível após o acordo de cinco anos com os trabalhadores de todas as fábricas da Volkswagen no País, que inclui estabilidade e reajustes salariais programados. “Isso mostra a maturidade da relação da empresa com os sindicatos”, disse. Contudo, não será necessário fazer novas contratações para produzir Polo e Virtus na planta Anchieta, que hoje opera em dois turnos. “Com a queda de 40% do mercado nos últimos anos a produção caiu muito. O que queremos é trazer os trabalhadores que estão em layoff (suspensão temporária do contrato de trabalho) para voltar a operar em três turnos aqui”, afirmou o executivo em rápida entrevista a jornalistas após a cerimônia na fábrica. O executivo não soube precisar quantos funcionários da unidade estão afastados no momento, disse que é algo entre 200 e 300 pessoas.

    A meta de nacionalização de componentes do Polo é de 75%. “Devemos começar um pouco abaixo disso, mas logo esse índice vai aumentar”, disse Powels. Segundo ele, a expansão da montagem de carros da Volkswagen sobre a plataforma MQB no Brasil deve marcar a “construção de uma parceria de longo prazo com os nossos fornecedores, que têm papel fundamental para a produção de novas tecnologias mundiais, aumento do conteúdo local e ganhos de escala”, completou.