VW completa 65 anos no Brasil e estuda contratar na Anchieta

Montadora apresentou o novo Tiguan durante a cerimônia de 65 anos na fábrica da Anchieta

Por GIOVANNA RIATO, AB
  • 23/03/2018 - 21:00
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    A Volkswagen comemorou 65 anos de história no Brasil na sexta-feira, 23, em evento na fábrica da Anchieta, no ABC paulista, a primeira fábrica da companhia no Brasil, que marcou a estreia da montadora fora da Alemanha. Ao longo das mais de seis décadas, foram feitos ali 23 milhões de veículos, A festa foi animada não só por causa da data, mas pela aceleração dos negócios nos últimos meses com os bons resultados do Polo e do Virtus no mercado. Os modelos puxaram o ritmo de produção da planta, que está perto do topo de seu capacidade. “Estamos fazendo 1.036 carros por dia em três turnos e temos potencial para 1.100 unidades/dia”, conta Pablo Di Si, CEO da empresa na América do Sul.

    O executivo estuda como resolver o bem-vindo problema, que acontece logo após longo período de ociosidade provocado pela crise nas vendas de veículos - quando milhares de funcionários trabalhavam com jornada reduzida ou tiveram suspensão temporária de seus contratos. Segundo ele, há três caminhos para solucionar a situação. O primeiro e mais imediato é contratar novos funcionários. Outra opção, de médio prazo, é trabalhar para elevar a produtividade da operação. O terceiro caminho, de longo prazo, é investir para ampliar a capacidade produtiva. “As três possibilidades estão em estudo. Não há nada definido, mas pode ser que a decisão seja por contratar trabalhadores nos próximos meses”, sinaliza.

    VW QUER A LIDERANÇA DE VOLTA


    Se depender das ambições de Di Si, investir para ampliar o potencial produtivo logo após a pior crise já enfrentada pela indústria nacional soa razoável. Isso porque a companhia pretende recuperar a liderança de mercado perdida nos últimos anos após o Gol liderar o ranking de vendas por quase três décadas consecutivas.

    “Em 2017 o total de emplacamentos evoluiu 9% e nós encerramos o ano com alta de 19% nos nossos resultados. Em 2018 queremos, mais uma vez, crescer o dobro do mercado”, diz.

    Pelo menos por enquanto a empresa tem alcançado a meta. O dirigente conta que até a sexta-feira, 23, o volume da marca já era 43% superior ao dos primeiros quatro meses do ano passado. Enquanto isso, o mercado avançou 22%. A alta garante à fabricante o segundo lugar em vendas, com 15% de market share, atrás apenas da General Motors. Di Si não pretende manter esta posição por muito tempo: “Queremos a liderança no médio prazo”, diz. Por médio prazo entenda-se: “bem menos do que dois anos”, ambiciona, evitando dar muitos detalhes. Além do crescimento das vendas internas, as exportações também vão bem: a empresa quer encerrar 2018 com 180 mil carros brasileiros negociados em outros mercados.

    FÁBRICA DO PARANÁ PREPARA PRODUÇÃO DO T-CROSS


    A estratégia de crescimento da Volkswagen inclui plano de investimento de R$ 7 bilhões para lançar 20 produtos no Brasil. Depois do Polo e do Virtus foi a vez da Amarok V6 Highline e, em abril, chega o novo Tiguan, importado do México com opções de 5 ou 7 lugares. O modelo foi apresentado durante a cerimônia de 65 anos da montadora.

    A gama de SUVs da companhia vai crescer ainda com o T-Cross, fabricado na planta de São José dos Pinhais (PR). Di Si afirma que o modelo chegará ao mercado apenas em janeiro de 2019. O prazo parece um tanto longo, já que a empresa até mesmo interrompeu a produção da fábrica entre 16 de março e 1º de maio para adaptar a linha de montagem para o novo carro. A expectativa era de que o modelo chegaria ainda no segundo semestre deste ano.

    Enquanto a unidade da Anchieta opera em três turnos, perto do máximo de sua capacidade, a planta do Paraná segue afetada por layoff, a suspensão temporária dos contratos de trabalho. Ali são feitos os produtos da família Fox e ainda o Golf. Com a chegada do T-Cross, Di Si espera equilibrar o ritmo na unidade e garantir nível mais alto de ocupação.