VWCO se aproxima de startups com projeto global de aceleração

Presidente e CEO da VWCO, Roberto Cortes, e outros executivos recebem na sede de São Paulo as startups selecionadas no programa global MAN Impact Accelerator

Por SUELI REIS, AB
  • 21/01/2020 - 18:56
  • | Atualizado há 2 months
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    A Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) se aproxima do universo das startups por meio do projeto global de aceleração MAN Impact Acceletaror, programa de mentoria criado pela MAN Truck & Bus na Europa em parceria com a Yunus Social Business. Em sua terceira edição, é a primeira vez que a iniciativa vem para o Brasil e das sete startups selecionadas entre as mais de 300 inscritas em todo o mundo, três são brasileiras, todas com foco no negócio social ligado a transporte e mobilidade.

    O objetivo primário do programa é aumentar o impacto desses projetos no meio em que atuam, elevando a capacitação de seus agentes idealizadores para que possam sustentar seus modelos de negócio colocando os participantes em contato com especialistas em diferentes ecossistemas de startups ao redor do mundo. Nesta semana, é a vez da VWCO receber as startups em sua sede, em São Paulo. No total, são oito meses de programa no qual as empresas têm a oportunidade de desenvolver seus negócios sob a orientação da VWCO, MAN Truck & Bus, Yunus Social Business e outros parceiros.

    Para o diretor de relações governamentais e institucionais da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Marco Saltini, a iniciativa é uma via de mão dupla.

    “São projetos que têm tudo a ver com o nosso negócio que é transporte, mobilidade e logística e que talvez consiga nos alertar para algumas falhas que a gente possa vir a ter em análises não só baseadas em um passado que a gente tem de experiência e expertise em transportes, mas em um mundo que está se modificando a partir de uma profunda transformação nessas áreas. Essas startups tem uma facilidade maior para entender essas mudanças porque elas já nascem sob um aspecto digital”, analisa Saltini.

    Para o executivo, a importância dessa aproximação está no aprendizado de ambos os lados e na abertura que a companhia se permite para formular as futuras possibilidades de um novo modelo de negócio, que toda empresa do setor automotivo se vê atualmente obrigada a planejar.

    “Estamos aprendendo sobre serviços e avaliando; toda empresa do setor vai passar ou está passando por isso. Ou se adequa ou morre”, avalia Saltini.



    Com a oportunidade de fazer uma das etapas do programa global no Brasil, a VWCO e a MAN da Europa já estudam o passo seguinte em como aprimorar o projeto de uma maneira mais adequada às necessidades do Brasil.

    “A ideia é que a gente dê continuidade fazendo um trabalho em conjunto e com o suporte deles para tentar aprimorar o programa, porque nossa realidade é diferente da Europa, nossos gaps são muito maiores. Há um longo caminho a percorrer e tentar aprender, talvez não tenhamos muito tempo, porque as coisas mudam rápido, mas a ideia é aprender com as startups e ver o que podemos aproveitar de tudo isso.”

    AS SELECIONADAS


    As três startups brasileiras selecionadas para participarem desta terceira edição do programa de mentoria da MAN tem como pano de fundo o transporte e a mobilidade com o diferencial de ser um negócio social, impactando diretamente o público alvo de cada uma delas.

    O projeto Eu vô (www.euvo.com.br) é um aplicativo de transporte de pessoas que conecta motoristas treinados a idosos com mobilidade reduzida. Eles oferecem serviço de transporte no modelo Uber – basta solicitar pelo celular, com a opção de contratar um serviço de acompanhamento personalizado. A startup é de São Carlos (SP), onde fez seu projeto piloto e está expandindo para atuar na capital paulista. Por aqui, conta com 80 motoristas já cadastrados e outros 600 já aprovados para treinamento. Até o fim do ano, a empresa estima que serão 630 motoristas atuando em São Paulo.

    Já o projeto Nina (www.ninamobile.org) nasceu em Recife (PE), mas começou a operar primeiro no Ceará e consiste em uma plataforma on-line para rastrear, padronizar e centralizar casos de assédio no transporte público. Sua tecnologia permite que os usuários denunciem instantaneamente quando sofrem assédio ou são testemunhas. Ao apresentar a denúncia, o Nina facilita a investigação pela polícia e oferece apoio psicossocial às vítimas.

    A terceira startup selecionada é a Sumá (appsuma.com.br) que conecta pequenos agricultores a clientes cativos que compram a granel, eliminando agentes intermediários. A empresa atua na capacitação do agricultor, apoiando seu desenvolvimento para que possa atender as exigências dos compradores regulares de alimentos. Contribui também com informações reais do campo para que o comprador elabore seus cardápios de acordo com os planos de produção local respeitando a sazonalidade dos produtos.

    Atualmente, a startup trabalha com parceiros transportadores profissionais que garantem a segurança da operação logística de distribuição dos produtos, com custo viável e com flexibilidade de aumentar sua capacidade de transporte.

    Para Saltini, esta última startup é um exemplo que faz com que a montadora repense seu modelo de negócio para o futuro e qual o seu papel no ecossistema: “As coisas estão mudando; queremos ser só fabricantes de veículos ou ser as donas dos caminhões e entregar serviços de transporte adequados para cada realidade? É o que nos faz pensar.”