Automotive Business
  
News Mobility Now

Mobility Now

Ver mais notícias
Comunidade brasileira adiciona 16 mil postos de saúde aos mapas do Waze

Mobilidade | 25/03/2021 | 15h0

Comunidade brasileira adiciona 16 mil postos de saúde aos mapas do Waze

Em ação colaborativa, comunidade brasileira de editores adicionou 16 mil unidades de atendimento ao aplicativo

VICTOR BIANCHIN, AB



Desde o começo da pandemia, o Waze incluiu em seus mapas brasileiros 16 mil postos de saúde com a meta de ajudar a população a buscar atendimento e informações. O levantamento não foi feito por nenhum algoritmo superpoderoso, mas por pessoas, em um esforço voluntário para adicionar à plataforma unidades de saúde de todo o país que não estavam registradas ali.

Os editores de mapas são uma das comunidades oficiais da plataforma – as outras são usuários beta, localizadores, parceiros e carpoolers. São 500 mil voluntários em todo o mundo, dos quais 30 mil ativos mensalmente, que atuam corrigindo e adicionando informações sobre vias, trânsito e serviços na plataforma.

“Em dezembro de 2019, por iniciativa própria, a comunidade brasileira, formada por dois mil editores ativos, começou a verificar se os postos de saúde estavam no mapa do Waze”, conta Hila Roth, responsável pelas comunidades do Waze. Na época, o mapa do país contava com apenas 840 hospitais listados.

“Os voluntários realizaram um levantamento de 50 mil endereços por todo o país para serem inseridos na plataforma. Até o momento, já foram mapeados mais de 16 mil locais”, afirma ela. As edições incluem localidade, horário de funcionamento e telefone.

Segundo Roth, esse tipo de mobilização é comum na plataforma em casos de grande impacto. “Normalmente, se há um evento climático ou um incidente, a resposta da comunidade é ativada no âmbito local, mas esta situação nova inspirou um esforço global”, conta ela. “Voluntários começaram a marcar ruas, unidades de saúde, centros de testagens, serviços de drive-thru, bancos de distribuição de alimentos, informações de pequenos negócios, etc.”, afirma a gerente.

COMO É SER EDITOR DO WAZE?



A participação na comunidade de editores de mapas é voluntária e não tem compensação financeira. “Em uma pesquisa com os voluntários, a primeira razão disparada pela qual as pessoas escolhem fazer parte desse grupo é o desejo de contribuir com a comunidade local e com os usuários da sua região”, afirma Roth.

Cleiton Casarotto, farmacêutico bioquímico de Cascavel (PR) é um desses editores de mapa voluntários. Ele começou em 2013 e, como é praxe na comunidade, recebeu um mentor para orientá-lo no trabalho. A experiência, segundo ele, tem sido de grande valia no crescimento pessoal. “A parte mais legal de editar mapas do Waze é falar com gente que eu jamais teria conhecido se não fosse por isso”, afirma. “Hoje, eu conheço até pessoas de outros países por causa da comunidade. Essas pessoas se tornaram minhas amigas. A gente convive, troca experiências, viramos uma família mesmo”, conta.

Ele descreve como foi feito o trabalho de mapeamento das unidades de saúde:

“Eu coordeno um grupo de 11 pessoas da edição de mapas que se chama RRT (Rapid Response Team) e atua em situações específicas que exigem ação rápida. Em dezembro de 2019, o editor de mapas Michel Machado teve a ideia de a gente verificar os postos de saúde do Brasil que não estavam no mapa do Waze. Ele fez esse levantamento de 50 mil localidades e, então, nós organizamos a tarefa e começamos a trabalhar na interseção das unidades na plataforma", conta. E prossegue:

"Chamamos toda a comunidade para participar dessa iniciativa. Editamos 5.100 postos de saúde inicialmente. Com a pandemia, retomamos esse trabalho. Até hoje, nós já editamos, incluímos no mapa ou revisamos as informações de mais de 16 mil postos de saúde e unidades de assistência à saúde públicas e privadas.”



Esse é um trabalho importantíssimo no Brasil, destaca o editor, lembrando que, nas 20 maiores cidades do País, cerca de 228 mil pessoas acima de 50 anos de idade e de baixa renda estão a mais de 30 minutos de caminhada até uma unidade de saúde, segundo dados do Ipea.

“É um trabalho bem desafiador, que exige consulta a uma infinidade de fontes e lugares para checar os dados”, relata Casarotto. Ele afirma que um de seus motivadores é o sentimento de estar sendo útil para a sociedade. “Se eu ajudei a salvar uma vida, uma pessoa que, em algum momento, precisou de um posto de saúde ou de atendimento médico e recorreu ao Waze para se localizar, já valeu”, acredita o editor de mapas.



Tags: Waze, covid-19, mapa, aplicativo, voluntários, mobilidade, saúde, postos de saúde.

Veja também

Mobility Now