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10 soluções de smart cities nas quais o Brasil poderia se inspirar
Em Amsterdã, SolaRoad é a ciclovia capaz de gerar energia elétrica

Internacional | 15/04/2021 | 19h34

10 soluções de smart cities nas quais o Brasil poderia se inspirar

Tem sensores de mobilidade, latas de lixo conectadas, ciclovias que geram energia elétrica e muitas outras ferramentas para tornar cidades inteligentes

VICTOR BIANCHIN, AB



Já houve uma época em que contar com internet banda larga era o suficiente para que uma cidade se qualificasse como “smart city”. Esses tempos, porém, já estão bem distantes. O termo se transformou para hoje designar algo diferente: cidades que estão sempre conectadas e intercambiam dados de diferentes setores para criar soluções combinadas.

São respostas que geralmente têm objetivos como: combater o aquecimento global, diminuir tempos de deslocamento, atrair empresas e capital, tornar a vida mais confortável para os cidadãos e garantir mais segurança.

As 10 cidades da lista abaixo foram eleitas pelo ranking IESE Cities in Motion Index como as mais inteligentes de todo o mundo. Confira soluções que elas criaram e que poderiam cair bem para o Brasil.

1- OS POSTES DE LUZ COM WI-FI EM HONG KONG



Apesar dos problemas políticos e sociais que a província vem passando, Hong Kong permanece como um dos símbolos mundiais de inclusão digital e inovação. Quase toda a população possui smartphones e há múltiplos pontos de internet sem fio por toda a cidade.

Mais importante que isso, porém, é o Smart City Blueprint, mapa de objetivos para seis diferentes áreas (mobilidade, habitação, meio ambiente, população, governo e economia) que foi originalmente apresentado em 2017 e renovado em 2020.

Entre as medidas em implementação estão a instalação de postes de luz inteligentes com Wi-Fi, câmeras de vigilância e medidor de temperatura. É uma forma de incrementar um objeto essencial do dia a dia e utilizá-lo para transformar a cidade e a vida dos moradores.

2- A ANÁLISE DE DADOS QUE PERMITE ÔNIBUS MAIS CONFORTÁVEIS EM SINGAPURA



Em 2014, Singapura começou a implementar o seu programa Smart Nation, que teve um investimento de US$ 1,73 bilhão. A estratégia consiste em diversas iniciativas em áreas distintas, especialmente mobilidade, uma vez que apenas 12% do território da cidade é dedicado à infraestrutura de transporte. Por causa desse índice, é essencial que os deslocamentos sejam feitos da forma mais rápida possível.

Daí veio a ideia do Open Data para transporte urbano, iniciativa que coletou informações (anônimas) dos cartões de viagem dos passageiros em 5 mil ônibus. A partir desses dados e também do monitoramento em tempo real dos veículos, o governo conseguiu descobrir todos os gargalos do sistema, como baixa oferta e pouco conforto.

Segundo o governo local, com as medidas tomadas em cima desses dados, foi possível uma redução de 92% em problemas de superlotação nos ônibus. O tempo de espera também caiu para no máximo 7 minutos.

3- OS INCENTIVOS ÀS STARTUPS EM AMSTERDÃ



O programa Amsterdam Smart City foi implementado em 2008 com o objetivo primário de diminuir as emissões de CO2. Mais tarde, foi estendido para criar novas formas de crescimento, sempre priorizando a tecnologia e a sustentabilidade.

Uma das formas encontradas foi fomentar um ecossistema de startups na cidade. Isso incluiu a criação de uma área especifica para as sedes físicas, o Amsterdam Science Park, e uma iniciativa chamada Startup Amsterdam com políticas de incentivo.

Indo além, a cidade ainda criou o City Data, um portal com diversas bases de dados coletadas pelo governo e disponibilizadas de graça para o público e para as startups. Esses dados abrangem diversas áreas, como mobilidade, infraestrutura, turismo, energia, espaços públicos e afins.

Foi assim, liberando as informações que as startups precisavam para ser criativas, que a cidade estabeleceu seu modelo único de colaboração entre iniciativas pública e privada. Um dos resultados foi a SolaRoad, uma superfície para ciclovias e estradas que absorve energia solar e transforma em energia elétrica. Amsterdã tem mais de 140 mil km de vias públicas, o que representa um potencial gigantesco de geração de energia limpa.

4- OS SENSORES DE MOBILIDADE EM BERLIM



Berlim só começou seu programa de smart city em 2015, mas tem feito progresso notável. No momento, os esforços estão concentrados em instalar sensores de veículos em cruzamentos. Esses dispositivos irão abastecer de informações uma central que cuidará do controle de tráfego na cidade, incluindo os semáforos. Dessa forma, é possível ajustar o funcionamento desses aparelhos para atender corretamente o fluxo de pedestres, ciclistas e veículos.

A cidade também lançou o BeMobility, um programa de € 9 bilhões focado em expandir a frota de veículos elétricos e de estações de carregamento. Também faz parte do programa a ideia de aumentar o uso de carsharing.

5- O MAPA DA POLUIÇÃO DO AR EM COPENHAGE



Tudo que é smart na cidade é capitaneado pelo Copenhagen Solutions Lab, uma iniciativa do governo que cria soluções baseadas em dados. Muitas dessas propostas são voltadas ao meio ambiente, uma vez que a cidade pretende zerar suas emissões de carbono em 2025.

A cidade trocou, por exemplo, 380 semáforos para versões inteligentes que priorizam o fluxo de ônibus e bicicletas em cruzamentos. Isso diminuiu o tempo de deslocamento em até 20% para quem pega os coletivos e em 10% para os ciclistas.

Outra medida foi a parceria do Solutions Lab com o Google em 2016 para instalar medidores de poluição nos carros do Google Street View. Dessa forma, foi possível montar um mapa da qualidade do ar da cidade. Esse projeto recebeu o nome de Google Air View.

Em seguida, foram analisadas as rotas percorridas por crianças e tutores nos caminhos para a escola. Notou-se que muitos dos trajetos escolhidos passavam por zonas de muita poluição e novas rotas foram montadas e sugeridas. Outra medida que surgiu a partir desse levantamento foi a proibição de estacionamento de veículos em algumas ruas e a colocação de áreas verdes nesses espaços, criando barreiras naturais contra a poluição para os pedestres.

6- O APP DE ÔNIBUS DE REYKJAVIK



A Islândia tem 364 mil habitantes, o que é apenas uma pequena parcela da população da cidade de São Paulo. Essa pequeneza ajudou a comunidade a se tornar sustentável: a Islândia é o primeiro país do mundo com 100% de sua energia elétrica oriunda de fontes renováveis (usinas hidrelétricas e geotérmicas).

Uma das grandes sacadas da cidade é o app do Strætó, o serviço estatal que opera os ônibus. Com o objetivo de incentivar o uso do transporte coletivo, ele concentrou em um lugar só diversas funcionalidades: você pode comprar passagens, planejar jornadas, checar horários e ainda acompanhar notícias sobre os ônibus.

Isso faz parte de um esforço recente do governo para diminuir o uso de automóveis, já que a Islândia é muito acostumada com eles - em 2016, o país tinha 711 carros para cada mil pessoas, segundo maior índice da Europa, atrás apenas de Liechtenstein. A média europeia na época era 505 carros para cada mil pessoas.

Além disso, o programa Reykjavik Fibre Network oferece internet de fibra óptica para 100% da cidade. O objetivo é chegar a 100% de todas as cidades vizinhas em breve.

7- O PROGRAMA DE REDE ELÉTRICA INTELIGENTE DE TÓQUIO



O grande desafio de Tóquio é diminuir sua emissão de carbono. Em 2020, a governadora Yuriko Koike declarou que o plano é reduzir a praticamente zero as emissões até 2050.

Esse plano também passa pelo uso de energia elétrica, é claro. Desde o tsunami de 2011, o Japão tem se esforçado para criar uma rede de energia que seja menos suscetível a desastres - e tornar a rede “smart” é uma forma de ajudar nisso. Até 2025, o governo pretende instalar 27 milhões de medidores inteligentes em casas e prédios de todo o país.

Esses equipamentos permitem saber o quanto cada parte da casa (luzes, chuveiro, eletrodomésticos, etc.) gasta de energia, de modo que os cidadãos agora podem gerenciar o consumo. A partir disso, o governo pôde criar programas como o Cap And Trade, que estabelece metas de redução de consumo para famílias e empresas e dá recompensas para quem atingir a cota.

Como o Japão produz energia elétrica principalmente a partir de combustíveis fósseis (petróleo e carvão), economizar energia também significa diminuir a emissão de CO2. O programa em três fases do Japão prevê reduções no consumo em até 27% até 2024.

8- O PROGRAMA DE INCENTIVO A CARROS ELÉTRICOS DE PARIS



Toda a França está com um programa chamado “bônus de conversão” que oferece até 5 mil euros para quem comprar um veículo “limpo” (elétrico ou a gás) para substituir um antigo. Ainda dá para obter mais dinheiro pelo programa dependendo do veículo comprado.

Outra medida para estimular os carros elétricos são as ZCR (Zonas de Circulação Restrita) em Paris e arredores, onde só podem circular os veículos com as etiquetas de certificação 1, 2 ou 3 no horário comercial de segunda a sexta – os mais poluentes não se qualificam. Até 2021, todas as 79 municipalidades da Grande Paris deverão ter adotado o programa.

Em 2020, o presidente Emmanuel Macron também anunciou um pacote de € 8 bilhões para aumentar a produção de carros elétricos no país e tornar a França o maior produtor de automóveis limpos do mundo. Já é a maior da Europa – foram quase 240 mil veículos montados em 2019.

9- AS LATAS DE LIXO INTELIGENTES DE NOVA YORK



A Big Apple é bem ranqueada na lista principalmente devido à sua forte economia e ao seu planejamento urbano.

Um projeto bastante noticiado é o Smart Street Lightning que pretende substituir, até 2025, 500 mil postes de luz na cidade por outros com luzes LED e recursos inteligentes, como o controle de intensidade e a ativação apenas quando há humanos nas proximidades.

Outra novidade são as latas de lixo da empresa Bigbelly, que estão sendo espalhadas pela cidade – só na Times Square já há cerca de 200. Elas possuem compactadores embutidos (o que significa que possuem cinco vezes a capacidade de uma normal) e enviam alertas para o sistema de coleta quando estão cheias.

10- O SISTEMA UNIFICADO DE ANÁLISE DE DADOS DE LONDRES



Esta é a cidade mais smart do mundo, segundo o IESE. Em 2018, a prefeitura lançou o programa Smarter London, que reunia metas em diversos segmentos para melhorar a qualidade de vida em Londres.

Um dos maiores avanços do programa foi a criação da iniciativa London Office for Data Analytics (LODA). Trata-se de um hub que recebe informações de universidades e empresas públicas e privadas. Esses dados são então analisados para criar novas políticas públicas. A ideia é que eles também sejam disponibilizados ao público.

Outra iniciativa que nasceu do programa é a Connected London, focada em melhorar o acesso à internet da cidade. Entre as medidas apresentadas nessa iniciativa estão a eliminação de pontos com baixa ou nenhuma conexão na cidade, parcerias com entidades privadas para baratear a instalação de redes de fibra óptica e a criação das Creative Enterprise Zones, áreas que terão preços fixos e baratos de conexão (fixa ou móvel), de modo a estimular a vinda de pequenos negócios.

Por fim, vale citar a Sharing Cities, uma iniciativa voltada à substituição dos postes de luz da cidade por postes inteligentes com medidores de qualidade de ar, câmeras, Wi Fi público e estações de carregamento para veículos elétricos.



Tags: smart cities, cidades inteligentes, mobilidade, conectividade.

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