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Frota de ônibus elétricos cresce 200% em 5 anos na América Latina

Mobilidade | 14/05/2021 | 14h0

Frota de ônibus elétricos cresce 200% em 5 anos na América Latina

Expansão tende a seguir acelerada até 2030. Conheça os cinco principais fatos e estimativas para este mercado na região

NATÁLIA SCARABOTTO, AB



O volume de ônibus elétricos praticamente dobrou na América Latina nos últimos cinco anos. O movimento é puxado pelo Chile, que tem a maior frota da região e investe em políticas para ampliar a adesão dos coletivos sustentáveis. O Brasil ocupa o quarto lugar no ranking de países com mais ônibus elétricos, com o reforço da sua alta frota de trólebus. As informações são do monitor E-bus Radar, elaborado pelo Labmob e da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A tendência é que o número de ônibus elétricos cresça ainda mais até 2030, segundo o relatório da Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica. Com informações dessas duas bases de dados, o Mobility Now destaca cinco pontos importantes sobre os ônibus elétricos e perspectivas para a América Latina e no Brasil.

1 – AUMENTO EXPRESSIVO NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS



A América Latina tem 2,3 mil ônibus elétricos. Nos últimos cinco anos, o número de ônibus elétricos cresceu 216% na região. Em 2017, eram 728 ônibus, todos trólebus. Em 2021, o número total saltou para 2.306. A quantidade de trólebus cresceu, mas os coletivos movidos a baterias ganharam força a partir de 2018 e hoje representam mais da metade da frota total (1,3 mil).

O Chile é o país com a maior frota de coletivos elétricos, com 819 ônibus. O Brasil aparece em quarto lugar com 350 e Argentina, com 107 ônibus elétricos, na quinta posição. As maiores frotas estão nas capitais latino-americanas ou nos principais centros financeiros, como Santiago, Bogotá, Cidade do México e São Paulo.



2 - PRINCIPAIS MODELOS E FABRICANTES



O modelo mais popular na região é o ônibus convencional a bateria, com frota de 1,1 mil veículos do tipo. Os países que mais utilizam o modelo são Chile, Colômbia e Uruguai. Os ônibus midi a bateria somam 266 veículos e circulam na Colômbia e em Barbados. Os países têm, respectivamente, 216 e 33 unidades.

O Brasil tem 45 ônibus convencionais a bateria e apenas dois chassis midi. No País, o principal modelo utilizado são os trólebus: 302 unidades, sendo a maior parte da frota no estado de São Paulo, principalmente na capital. Os veículos são parte da estratégia da cidade para atingir a meta municipal de redução de emissões de gases de feito estufa. Em outros estados brasileiros também estão em curso iniciativas sustentáveis, como a eletrificação do BRT em Salvador (BA) e um projeto piloto de ônibus elétricos em Belo Horizonte (MG).

A maior fabricante de ônibus elétricos na América Latina é a chinesa BYD, que produz seus modelos em Campinas (SP). Dos 2,3 mil veículos da frota regional, 974 são da marca chinesa. Cerca de 330 ônibus elétricos são da Yutong; 215 unidades da Foton; 73 da Eletra e 26 da KingLong.



3 – AS METAS DO PROGRAMA ZEBRA



Desde 2019, o programa Zero Emission Bus Rapid-deployment Accelerator (Zebra) tem como objetivo acelerar a implantação dos ônibus elétricos em São Paulo, Medellín, Santiago e Cidade do México, metrópoles que possuem metas para descarbonização do transporte público. Estão envolvidos gestores públicos, fabricantes de veículos, operadores e financiadores.

A iniciativa também traz o compromisso das principais fabricantes de aumentar a frota na região. Para isso, os fabricantes colaboram por meio de especificações técnicas dos veículos, definição de estratégias de carregamento, projetos-piloto e outros aspectos tecnológicos.

No ano passado, a aliança Zebra anunciou a meta de alcançar US$ 1 bilhão em investimentos da sua rede de parceiros para expandir o transporte sustentável na região.

4 - IMPACTO POSITIVO NO MEIO AMBIENTE E NA SAÚDE



Dados evidenciam o impacto positivo no meio ambiente do aumento da frota de veículos elétricos. Com a frota atual, a América Latina evita a emissão de 234 mil toneladas de CO2 por ano na comparação com o uso de modelos equivalentes movidos a combustíveis fósseis, segundo o E-bus Radar.



A qualidade do ar também impacta a saúdE da população. De acordo com o anuário da Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica, se São Paulo substituísse toda a frota de ônibus a diesel por modelos elétricos, seriam evitadas 12,7 mil mortes prematuras. Além de salvar vidas, esse cenário ideal traria benefício monetário de R$ 3,8 bilhões pelo ganho de produtividade com o aumento da expectativa de vida.

5 - PROJEÇÕES E INVESTIMENTOS



A pandemia impactou na expansão da frota de veículos elétricos na América Latina, os governos mostram a intenção de adiar as metas de descarbonização e diminuir investimentos em transporte coletivo sustentável, segundo a Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica. As decisões são reflexo da queda no uso do transporte público por causa do distanciamento social e, em países como o Brasil, pesou também a alta do dólar para importação de peças.



Considerando tais impactos, especialistas da plataforma apostam em uma perspectiva moderada sobre o futuro no Brasil. O cenário previsto é que a frota de ônibus elétricos nacional tenha ligeiro acréscimo até 2025, mas aumente de forma expressiva nos anos seguintes, atingindo 3,9 mil ônibus elétricos em 2030.

Além disso, os modelos com a tecnologia são uma opção para redução dos custos com transporte público, segundo o levantamento da mesma organização. Apesar de saírem mais caros na hora da compra se comparados com a versão a diesel, no longo prazo valem mais a pena. Enquanto o ônibus comum dura uma década, o elétrico pode ser usado por 15 anos - o que, no final do período, equivaleria a um valor de compra 6% menor, além da economia com o custo do diesel, que sobe anualmente.



Tags: ônibus, elétricos, eletrificação, frota, mercado, tecnologia, meio ambiente.

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