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Chery reúne 160 possíveis fornecedores
Kong Fan Long, presidente da Chery Brasil: intenção é nacionalizar o máximo possível

Autopeças | 18/06/2012 | 21h05

Chery reúne 160 possíveis fornecedores

Empresa monta cadeia de suprimentos para fábrica no Brasil

PEDRO KUTNEY, AB

A Chery começou nesta segunda-feira, 18, um longo processo para definir os integrantes de sua rede de suprimentos no Brasil e, por consequência, o que será importado e o que será nacional na produção de carros em sua fábrica de Jacareí (SP), a ser inaugurada no segundo semestre de 2013 após receber investimentos de US$ 400 milhões. Com a ajuda do Sindipeças, associação que integra cerca de 500 fabricantes de componentes automotivos no País, a montadora chinesa realizou em São Paulo o Chery Day, evento no qual reuniu 160 possíveis fornecedores, divididos em quatro grupos: motores, chassis e powertrain, plásticos e eletroeletrônicos.

No evento, os participantes foram informados sobre os planos da Chery para o Brasil e as possíveis oportunidades de fornecimento de componentes que integram 35 sistemas automotivos. Como principal atrativo, a montadora mostrou sua capacidade de produção no País, de 50 mil carros/ano em um primeiro estágio, com objetivo de chegar a 150 mil/ano em cerca de dois anos. “Já mantínhamos conversas com prováveis fornecedores, mas precisávamos ampliar o leque de opções. Foi o que fizemos hoje, para começar o processo de escolha e validação, que dependendo do componente pode levar de seis meses a dois anos”, explicou Alexsandro Godoy, gerente de compras da Chery Brasil.

Segundo Godoy, de agora em diante serão agendadas reuniões exclusivas com os interessados em fornecer, para dar início às negociações, com cotações e visitas técnicas às fábricas dos candidatos. Ele disse que, entre as várias condições da Chery para validar um fornecedor, estão certificações internacionais de qualidade (como ISO e QS), ser uma empresa que já integra a cadeia de suprimentos de outros fabricantes de veículos, fazer produtos universais usados por vários tipos de carros e passar pela auditoria da montadora. O processo será conduzido pelo que a Chery chama de Product Model Team, equipe formada por integrantes dos departamentos de compras, logística, qualidade e engenharia.

As empresas que já são fornecedoras da Chery na China, caso de gigantes multinacionais do setor como Bosch, Delphi e Magneti Marelli que também têm fábricas no Brasil, passarão por um processo abreviado, mas as unidades locais de produção terão de passar por vistorias técnicas.

ESFORÇO DE NACIONALIZAÇÃO

Kong Fan Long, presidente da Chery Brasil, disse que o processo de nacionalização é “complexo”, mas a intenção é nacionalizar “o máximo possível todos os componentes usados na produção de carros no Brasil”. Ele reconhece que esse será um processo demorado, passando sempre por análises de custos sobre o que vale a pena importar e o que é mais vantajoso comprar aqui. Um exemplo é o aço, cujos preços são sempre considerados altos demais no Brasil: “Se fosse hoje, provavelmente importaríamos a maior parte e compraríamos uma pequena parte aqui. Mas esse cenário está sempre mudando, pode ser que mais adiante nossa decisão seja oposta”, explicou.

Dentro dessa estratégia, a Chery já decidiu que, nos primeiros anos de operação aqui, vai importar da China 100% dos motores, até que a produção atinja nível suficiente para justificar novo investimento em uma fábrica de motores.

Também está nos planos trazer parceiros da China para a operação brasileira, seguindo dois modelos: o primeiro seria o investimento próprio dessas empresas em novas fábricas aqui; o segundo seria por meio de associações com fornecedores já instalados. “Nós incentivamos bastante essa fórmula e já existem negociações avançadas nesse sentido”, contou Long, sem no entanto revelar nomes nem componentes.

Long diz que conhece bem a grande diferença de custos de produção entre Brasil e China, mas avalia que a vantagem chinesa não é tão grande aqui quando se consideram os impostos sobre produtos importados e a logística. “Sabemos que é mais barato produzir na China, contudo não ficamos tão competitivos depois de agregar todos os outros custos envolvidos.”

“A experiência de montar em CKD no Uruguai foi muito válida para nós, pois trazemos carros de lá (Tiggo e Face atualmente) sem pagar imposto de importação. Por isso estou convicto que continuaremos a ter preços competitivos com a produção nacional”, afirmou Luis Curi, vice-presidente e diretor comercial da Chery Brasil. “É preciso lembrar que só o imposto de importação é de 35% e daí incidem os demais tributos em cascata; é um custo muito importante que não teremos produzindo aqui. O transporte também é complicado: entre o pedido e a chegada do carro no País o processo leva quatro meses. E o yuan (moeda chinesa) está sob forte pressão, valorizou 20% contra o dólar nos últimos meses. Tudo isso deixa o produto importado muito caro”, elencou Curi.

PRINCIPAL INVESTIMENTO FORA DA CHINA

Du Weiqiang, vice-presidente da Chery International, que veio da China para participar do evento com os fornecedores, enfatizou que hoje o Brasil é o maior investimento da montadora no mundo. “Pela potência de seu mercado, o País é o mais importante para a Chery no momento”, afirmou.

O executivo reconhece que o cenário internacional é desfavorável para novos investimentos em todo o mundo, “inclusive no Brasil, com a adoção das novas regras de IPI” (desde o ano passado majorado em 30 pontos porcentuais para produtos importados de fora do Mercosul e México ou com baixo conteúdo nacional). “Mas não mudamos de opinião sobre o Brasil. A importação é só para testar mercado. Vimos que nossos produtos foram bem aceitos e por isso tomamos a decisão de fabricá-los aqui”, destacou Weiqiang. “Nosso desejo é fabricar carros competitivos no Brasil, trazer modelos do Uruguai e importar de fora só uma pequena parte para o mercado brasileiro”, explicou.



Tags: Chery, Sindipeças, autopeças, fornecedores, Luis Curi, Kong Fan Long, Du Weiqiang, Alexsandro Godoy.

Comentários

  • ÁTILA FERNANDES DE OLIVEIRA

    Eu como funcionário da Cadeia de Auto peças, espero sinceramente que essa empresa realmente nacionalize sua produção. Espero também que o Governo Brasileiro veja o que está acontencendo com as empresas de auto peças Brasileiras onde estamos perdendo nossos empregos pois a concorrencia Chinesa e desumana, não há como concorrer com o trabalho escravo.

  • ca3@dr.com

    Sou muito otimista à Chery. Minha esposa tem um Face e eu estou negociando um Tiggo. Gosto muito da força de pensamento expansionista do grupo. Já pesquiso a marca, antes de sua entrada no Brasil. Sou favorável a pagar o justo pelo consumido. O leque de itens de série dos carros da Chery são muito convidativos. Sou realista para dizer com segurança que de fato o primor de acabamento ainda é a desejar, mas observei muitos detalhes e semelhanças com marcas brasileiras muito comuns. Por exemplo o Gol da VW é tão ruim ( entenda RUIM como uma expressão para comparação e não como definitiva ) quanto o do Face. O Gol, já tive um, tem um péssimo acabamento e mesmo assim milhares de pessoas compram e o acham o melhor carro do mundo. Sobre as peças, podemos fazer apenas um apanhado de leve na internet para verificar que até as marcas BMW e M.Bens tem seus problemas com clientes. Mas o fato é de que gostei, de um modo geral, da marca quando somado ao custo x beneficio.

  • CARLOS ALBUQUERQUE

    Sou muito otimista à Chery. Minha esposa tem um Face e eu negociando um Tiggo. Gosto muito do pensamento expansionista da Chery. Pesquiso a marca, antes de sua entrada no Brasil. Sou favorável a pagar o justo pelo consumido. O leque de itens de série dos carros deles são muito convidativos. Sou realista para dizer que de fato o primor de acabamento ainda é a desejar, mas observo muitos detalhes e semelhanças com a VW. Por exemplo o Gol é tão "mal acabado" quanto o Face. O Gol, já tive um, tem um péssimo acabamento e mesmo assim milhares de pessoas compram e o acham o melhor carro do mundo. Sobre as peças, podemos fazer apenas um apanhado de leve na internet para verificar que até as marcas BMW e M.Bens tem seus problemas com clientes. Mas o fato é de que gostei, de um modo geral, da marca quando somado ao custo x beneficio. O problema é que com o nacionalização os preços, infelizmente, explodirão. Hoje quem consegue comprar a um preço acessivel um KIA ou HYUNDAI??

  • ilma

    minha sobrinha comprou um carro da marca Chery no mes de junho, logo na primeira semana teve um problema de embreagem , na segunda semana , mais um probleminha e na terceira semana , ou seja , à 30 dias atrás , o carro encontra-se na autorizada do Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro , sem nenhuma solução. Pergunto a quem recorrer? Espero que alguem da esfera superior da empresa me responda. Obrigada. Ilma.

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