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Brasil sobe de gama com Peugeot 208
Varin (esquerda) e o governador Cabral com o Peugeot 208 no fim da linha de montagem de Porto Real (RJ)

Indústria | 30/01/2013 | 21h00

Brasil sobe de gama com Peugeot 208

PSA começa a fabricar o carro global no País, que ganha importância estratégica para a internacionalização

PEDRO KUTNEY, AB | De Porto Real (RJ)

Phillippe Varin, presidente mundial do grupo PSA Peugeot Citroën, foi conduzido ao palco instalado no interior da fábrica de Porto Real (RG) a bordo do novo Peugeot 208, que um ano após ser lançado no mercado europeu, começou agora a ser produzido em larga escala também no Brasil, na única planta que monta o modelo fora da Europa. O cuidadoso motorista de Varin no evento de quarta-feira, 30, foi o governador do Rio de Janeiro em pessoa, Sérgio Cabral, que lembrou do esforço de sua gestão para transformar o Estado no segundo maior polo automotivo do País e ofereceu todos os incentivos que a PSA precisar para avançar na região.

A solenidade de lançamento industrial do Peugeot 208 nacional, um carro global projetado para atender consumidores de três continentes, simboliza o quanto o Brasil e a América do Sul ganharam relevância na estratégia de internacionalização da PSA, desenhada para escapar da dependência do combalido mercado europeu. As vendas do grupo fora da Europa saltaram de 24% em 2009 para 33% em 2011 e 38% em 2012, com objetivo declarado de chegar a 50% até 2015. “O Brasil, como quarto maior mercado do mundo, é essencial para essa estratégia”, disse Varin, destacando também os investimentos da companhia em duas fábricas na China e outra na Rússia.

“Nosso grupo enfrenta grandes dificuldades na Europa, com crise econômica e guerra de preços”, reconheceu Varin. Para tentar superar os maus resultados, o executivo lembrou que a PSA já determinou cortes de € 1 bilhão em 2011, mais € 1,5 bilhão em2012, ao mesmo tempo em que lançou um plano estratégico até 2015 que prevê a busca de rentabilidade pela via da “subida de gama”. Ele destacou que os modelos premium da Peugeot e Citroën nos últimos cinco anos dobraram a participação nas vendas do grupo e representam 18% do faturamento. A intenção é fazer esse porcentual crescer também fora da Europa, com o avanço da presença internacional das duas marcas. Ou seja: o Brasil entrou no mapa da empresa e participa do jogo global com produtos idem.

STATUS ELEVADO

Tudo mudou bastante desde que, duas décadas atrás, Thierry Peugeot superou a arrogância da corporação em relação aos países emergentes para tentar a sorte por aqui. Há exatos 20 anos e oito meses (garante-se que foi uma feliz e conveniente coincidência esse tempo coincidir com o lançamento do homônimo numérico 208 em Porto Real), Peugeot começou a distribuir os carros da marca da empresa de sua família no Brasil. Ele se tornou cidadão carioca, suas filhas nasceram no Rio, e ainda hoje fala bem o português, a língua que usou para, de improviso, agradecer a acolhida: “Estamos muito felizes em lançar o 208 aqui, obrigado pela ajuda desde o início”, disse o hoje presidente do conselho de administração da PSA, que costurou a instalação da fábrica brasileira do grupo, inaugurada em 2001.

Além da efeméride temporal, o Peugeot 208 traz à tona uma série de simbologias, por ser o mais importante lançamento e a maior aposta da PSA atualmente no mundo – e no Brasil. “É um pequeno carro no qual depositamos grandes ambições”, disse Varin, destacando que o modelo deverá entrar para o rol dos mais importantes veículos já lançados pela PSA, como o Citroën 2CV, o Peugeot 403 e a própria série 2, lançada pela primeira vez em 1929. “O 208 é uma importante evolução para atender as expectativas dos atuais 15 milhões de clientes no mundo dos modelos Peugeot da série 2”, lembra Varin.

Na Europa, o 208 já cumpre a missão de ser o mais vendido de sua categoria. Aqui, a expectativa é que seja o Peugeot mais vendido do mercado brasileiro – este ano a projeção é produzir 55 mil unidades para o Brasil e outros países da região, o que toma cerca de um quarto da capacidade instalada de Porto Real, que chega ao fim de 2013 com potencial para fazer 40 veículos por hora, ou 220 mil por ano, em três turnos.

INCENTIVOS

No Brasil a PSA teve e ainda recebe incentivos para crescer em Porto Real. Boa parte dos aportes foi financiada a juros baixos pelo BNDES. Com a chegada da Nissan à vizinha Resende, o governo fluminense estendeu ao grupo francês os mesmos benefícios para as obras de ampliação. O principal foi a postergação de recolhimento do ICMS. Fontes não oficiais dizem que, para atrair a Nissan, o Estado ofereceu 90% de desconto no imposto por dez anos, que poderão ser pagos depois por meio da aquisição de títulos com grande deságio, por algo como 20% do valor de face.

“Quando fizemos a parceria com a PSA para instalar a fábrica aqui muitos não entenderam, mas a história mostrou que estávamos certos”, justificou o governador Sérgio Cabral, que no fim dos anos 90 era presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e teve participação ativa nas negociações para instalação da planta do grupo francês. “Eu vi esta fábrica nascer”, lembra.

“Em breve o Rio de Janeiro será o segundo maior polo automotivo do País. Estamos trabalhando muito para isso. Podem continuar contando conosco em política tributária diferenciada, instalação de infraestrutura e formação de mão de obra qualificada”, disse o governador aos representantes da empresa.

Assista abaixo a reportagem especial da ABTV sobre o lançamento industrial do Peugeot 208 no Brasil:



Tags: PSA, Peugeot, Citroën, 208, Porto Real, fábrica, investimento, Phillippe Varin, Sérgio Cabral.

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