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Mercado | 05/05/2015 | 16h40

Fenabrave espera queda de 19% nas vendas de veículos

Entidade projeta que resultado de 2015 fique perto de 2,83 milhões de unidades

GIOVANNA RIATO, AB

Sem sinal de reação do mercado, as vendas de veículos poderão terminar 2015 com queda de 18,9% na comparação com o ano passado. A expectativa foi anunciada pela Fenabrave, federação dos distribuidores do setor, na terça-feira, 5. Se o resultado se concretizar, o mercado brasileiro somará 2,83 milhões de emplacamentos, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Será a primeira vez desde 2008 que o patamar de vendas fica abaixo das 3 milhões de unidades.

-Veja aqui os dados da Fenabrave

A organização espera que a retração seja puxada pelo enfraquecimento da demanda por modelos pesados, que deve acumular queda de 37,2% até o fim do ano, com 25,3 mil ônibus e apenas 80,8 mil caminhões, pior resultado desde 2003. No segmento de leves a queda deverá chegar a 18%, com 2,28 milhões de automóveis e 445,4 mil comerciais leves. “Estamos enfrentando muito mais obstáculos do que esperávamos”, diz Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave, ao explicar o que motivou que a entidade revisasse novamente a expectativa para 2015.

No início de janeiro a organização tinha anunciado expectativa de que o mercado interno se mantivesse estável ou apresentasse leve retração na comparação com 2014 (leia aqui). Naquela época era esperada a venda de 3,47 milhões de veículos no País este ano. Em seguida, no início de março, Assumpção admitiu que a queda nas vendas poderia se aprofundar e chegar a 10% (veja aqui). “Quando o ano começou tínhamos expectativa boa com a nova equipe do governo e com as medidas de ajuste fiscal. Hoje estas iniciativas sequer terminaram de ser anunciadas”, critica o executivo. Segundo ele, só é possível pensar no início de uma recuperação a partir de 2016.

1º QUADRIMESTRE

Outro motivo importante para a revisão das expectativas da Fenabrave foi o decepcionante resultado do primeiro quadrimestre de 2015. De janeiro a abril as vendas sofreram queda de 19,2%, para apenas 893,7 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Se considerado o patamar de vendas dos últimos anos, nessa época o mercado interno já teria rompido a marca de 1 milhão de emplacamentos.

A maior queda foi registrada nas vendas de caminhões, que caíram 38,9% no acumulado do ano, para 25,1 mil unidades. A demanda por ônibus também teve redução expressiva, de 21,9% para 8,3 mil chassis. Entre os leves, a melhor performance foi registrada no emplacamento de automóveis, que somou 725 mil carros com baixa de 18% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2014. Com 135,1 mil licenciamentos, o mercado de comerciais leves caiu 20,3%.

Apenas no mês de abril as vendas totais somaram 219,3 mil veículos, com queda de 6,5% sobre com março e de 25,2% sobre o mesmo período do ano passado. A queda no mês ganhou força com a diferença no número de dias úteis. Em março foram 22 dias de vendas, enquanto o mês passado foi afetado pelos feriados de Tiradentes e pela Sexta-Feira Santa e teve apenas 20 dias. Com isso, a média diária de emplacamentos ficou em 10,9 mil unidades/dia.

Segundo a MB Associados, consultoria econômica responsável pelas estatísticas da Fenabrave, o resultado reflete a queda da massa salarial, com comprometimento da renda das famílias e o aumento da inflação. Além disso, a evolução da Selic resulta em taxas de juros mais altas nos bancos, que têm restringido a oferta de crédito. Na análise de Assumpção, a combinação destes fatores espanta o consumidor das concessionárias. “Há ainda a falta de confiança na economia”, lembra.

Tereza Maria Dias, diretora da MB Associados, esclarece que desatar o nó que tem travado as vendas este ano será mais difícil do que foi em 2008 e 2009, quando o mercado brasileiro permaneceu aquecido mesmo diante da crise mundial. “Naquela época o governo podia gastar e adotou medidas anticíclicas. As famílias não estavam endividadas, a oferta de crédito ainda estava em patamar muito baixo e começou a crescer”, explica. A situação agora, segundo ela, depende muito mais do ajuste fiscal.

Assista à entrevista exclusiva com Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave:



Tags: Fenabrave, vendas, veículos, mercado, projeção.

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