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Tecnologia encara crise no Congresso SAE
Sistema de injeção indireta Advanced PFI, da Bosch, com dois injetores por cilindro: em desenvolvimento para uso no Brasil

Engenharia | 21/09/2015 | 23h00

Tecnologia encara crise no Congresso SAE

Com mostra esvaziada, empresas apresentam soluções para indústria

PEDRO KUTNEY, AB

Promover desenvolvimento tecnológico e apresentar soluções em tempos de profundos cortes de custos. Este é o maior desafio atual de todas as empresas da cadeia automotiva no Brasil, espelhado com precisão pela mostra tecnológica do Congresso SAE 2015 (de 22 a 24 de setembro no Expo Center Norte, em São Paulo), maior evento no Hemisfério Sul da comunidade de engenharia da mobilidade, realizado anualmente pela SAE Brasil, que abre suas portas ao público nesta terça-feira com apenas 50 expositores – menos da metade do que já aconteceu em anos recentes. Quem veio, no entanto, tem algumas novidades importantes a apresentar e continua a investir em tecnologia para encarar a crise, mesmo que de forma mais comedida.

“Não há muito mais o que fazer além de trabalhar para enfrentar esse momento e passar por ele. Ao menos estaremos melhor preparados para o ano que vem. A solução para nós segue sendo o desenvolvimento tecnológico dos produtos para elevar receitas e exportar mais”, resume o sentimento geral Lourenço Oricchio, diretor geral da Sabó, uma das poucas empresas de autopeças de capital nacional que restaram no País, graças à estratégia de extrapolar fronteiras e internacionalizar sua produção. Juntas e retentores com sofisticadas tecnologias agregadas, com utilização em mercados do mundo todo, são a receita de sobrevivência da Sabó e é justamente isso que a empresa expõe na pequena mostra do Congresso SAE (leia mais aqui e aqui).

EFICIÊNCIA MAIS BARATA

No Brasil, apresentar soluções mais baratas para atingir metas de nacionalização de componentes e eficiência energética continua a ser o foco principal da engenharia de diversas empresas, como é o caso da Bosch, que em seu estande mostra pela primeira vez no Brasil um sistema avançado de injeção indireta de combustível, chamado Advanced PFI (leia mais aqui). “É uma combinação de tecnologias já conhecidas que a matriz começou a desenvolver na Alemanha, que pode substituir a injeção direta com componentes totalmente nacionais. Já existem quatro a cinco montadoras interessadas em usar aqui e estamos agora desenvolvendo para uso em motores flex gasolina-etanol”, explica Martin Leder, chefe de engenharia avançada da companhia no Brasil.

O sistema Advanced PFI trabalha de forma mais eficiente em motores turbinados, com redução de consumo de cerca de 12%, muito próximo de um motor com injeção direta (DI), mas também pode ser empregado sem turbo, com economia menor. Em tese, a tecnologia pode ser adaptada a motores já feitos no Brasil com injeção indireta (PFI). A principal vantagem, destaca Leder, é que todos os componentes do sistema são fabricados no País, o que eleva a participação de compras nacionais para abatimento de impostos conforme as regras do Inovar-Auto, além de reduzir substancialmente os custos de importação com o sistema DI, hoje sem produção brasileira. Os materiais e elementos em si também são mais baratos: em vez de uma bomba de alta pressão e injetores de aço, ambos importados, o Advanced PFI usa dois bicos de plástico por cilindro (para tornar a injeção mais eficiente) e bomba com controle eletrônico de vazão.

Muitas tecnologias ainda dependem de volume para produção local. A alemã Schaeffler trouxe para seu estande na mostra da SAE componentes que espera poder produzir e vender no Brasil. O rolamento de terceira geração, que embute disco de freios e roda em uma só peça, uma tendência global já fornecida aqui, mas a peça ainda é importada da unidade da empresa China. “Podemos fazer aqui, mas ainda estamos esperando por maior demanda para justificar o investimento”, explica Marcelo Machado, vice-presidente sênior automotivo da empresa na América do Sul.

Outras soluções da Schaeffler que esperam por clientes locais são a Shift Tower, que pode ser aplicada em qualquer transmissão manual para obter maior conforto e precisão aos movimentos de engate e seleção; e um sistema de acionamento de caixa de câmbio com sensor, comandado por uma central eletrônica, para aplicações em transmissões automatizadas.

Os três dias do Congresso SAE vão bem além de sua mostra tecnológica. Este ano o encontro terá 23 painéis e fóruns de discussões que abrangem toda a cadeia automotiva, além da já tradicional apresentação prevista de 144 trabalhos inéditos de engenharia de autores brasileiros e estrangeiros. Com ou sem crise, muita gente continua pensando no desenvolvimento da indústria.

Assista abaixo o programa especial da ABTV sobre o Congresso SAE 2015 e entrevista exclusiva com Frank Sowade, presidente da SAE Brasil





Tags: Congresso SAE Brasil 2015, tecnologia, engenharia, mostra tecnológica, inovação, pesquisa, desenvolvimento.

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