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Tecnologia | 11/08/2016 | 18h56

Brasil tem frota de só 2,5 mil carros elétricos e híbridos

ABVE defende medidas para aumentar a presença destes modelos no País

GIOVANNA RIATO, AB

O Brasil tem frota pífia de carros elétricos e híbridos. São apenas 2,5 mil unidades com a tecnologia, uma gota no oceano de mais de 41,5 milhões de veículos em circulação no Brasil. A informação é da ABVE, entidade que defende o aumento da presença de modelos com propulsão alternativa no mercado nacional. “Estes números vão na contramão da necessidade de redução das emissões”, diz Ricardo Guggisberg, presidente da organização.

Segundo ele, foram anunciadas medidas recentes com a promessa de impulsionar este mercado, que no fim se mostraram insuficientes para aquecer a demanda. A principal delas foi a redução do Imposto de Importação destes carros, que agora varia entre zero e 7%. Há ainda iniciativas isoladas em estados ou cidades, como o município de São Paulo, que concedeu isenção de IPVA e do rodízio que restringe a circulação. Outra iniciativa destacada por Guggisberg é a parceria entre CPFL e Graal, que definiu a instalação de dois eletropostos de recarga de carros elétricos em rodovias.

As ações provocaram aumento nas vendas nos últimos anos, mas foram incapazes de elevar os volumes a patamares significativos. Em 2010, quando os híbridos chegaram ao Brasil com o Ford Fusion, foram entregues 40 unidades aos clientes locais. No ano passado, com maior oferta de carros do gênero e incentivos anunciados, foram 846 emplacamentos. Do total negociado no País ao longo destes anos, a maioria é de híbridos, com 2,2 mil unidades.

O QUE FALTA?

Guggisberg alerta que há um caminho longo para percorrer até que os modelos eletrificados ganhem mercado. A infraestrutura é um dos desafios. Na Alemanha, que tem frota de 24 mil veículos zero emissão, são 2,8 mil postos de reabastecimento. Nos Estados Unidos, onde a frota elétrica chega a 275,4 mil unidades, há 21,8 mil estações. A entidade defende a criação de uma política para estruturar o aumento dos números nacionais.

Também falta regulamentação para a venda de energia elétrica como combustível. “Hoje os poucos postos que temos nem chegam a cobrar do cliente, mas não é correto pagar como um uso padrão”, aponta. Ele calcula que o Brasil precisaria que ao menos 30% de seus postos de gasolina hoje no mercado oferecessem estação de recarga elétrica.

Ainda que o Imposto de Importação tenha baixado, a ABVE lembra que o Brasil cobra IPI elevado sobre os carros com propulsão alternativa, que chegam a pagar alíquota de 25% enquanto este porcentual é de 13% para um modelo a gasolina. A entidade defende que o desconto no IPI passe a valer para motocicletas elétricas e para componentes usados na produção de modelos com a tecnologia. “Hoje a tarifa só funciona para autoveículos. Ampliar é uma oportunidade de desenvolver esta cadeia no Brasil”, entende Guggisberg.



Tags: carro elétrico, híbrido, ABVE.

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