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Mercedes-Benz paga R$ 100 mil para quem sair
Assembleia de trabalhadores na porta da fábrica da Mercedes-Benz aprova acordo para reduzir número de demissões em São Bernardo

Trabalho | 24/08/2016 | 19h00

Mercedes-Benz paga R$ 100 mil para quem sair

Incentivo tem meta de cortar 1,4 mil empregados; os demais terão estabilidade

PEDRO KUTNEY, AB

A Mercedes-Benz cedeu parcialmente aos apelos e protestos dos trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, vai suspender as 1,87 mil demissões que estavam em curso e no lugar disso abriu um novo programa de demissão voluntária (PDV) que vai pagar R$ 100 mil a qualquer funcionário que decidir sair entre 24 e 31 de agosto, independentemente do tempo de casa e da idade do colaborador. O objetivo é reduzir o quadro em 1,4 mil pessoas e os que restarem terão estabilidade até o fim de 2017, mesmo passando por regimes de afastamento temporário (layoff). Também ficou acertado que não haverá reposição da inflação de 2016 nos salários do próximo ano, o que será compensado pelo pagamento de abono de R$ 4 mil.

Após anunciar os cortes há exatos 20 dias (leia aqui), que desencadearam uma série de manifestações e na paralisação total da fábrica desde a semana passada (leia aqui), a Mercedes-Benz e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC entraram em negociação que durou uma semana até a construção do acordo, aprovado em assembleia de trabalhadores na manhã da quarta-feira, 24, com a inclusão do expressivo incentivo financeiro para quem pedir demissão, até agora sem igual no setor.

Vice-presidente do sindicato e trabalhador na Mercedes, Aroaldo Oliveira da Silva, afirmou que a indenização foi fundamental para o acordo. “Durante todo o processo, a empresa argumentou a necessidade de acabar com o excedente de 2.670 metalúrgicos. A negociação não avançava, pois eles não aceitavam rever as demissões. Depois das mobilizações, conseguimos conversar. Insistimos que a proposta só seria viável se a empresa investisse num PDV realista, que levasse em conta o perfil dos companheiros que estão na fábrica. Hoje na Mercedes 60% dos metalúrgicos têm até 12 anos de casa e os PDVs anteriores só eram interessantes para quem tinha mais tempo de trabalho”, explicou em comunicado à imprensa do sindicato.

MEDIDAS PARA ADMINISTRAR O EXCEDENTE

A Mercedes-Benz informou que, embora a meta do PDV seja atingir 1,4 mil funcionários, não há uma limitação exata para cima ou para baixo. Segundo a empresa, se as adesões ao programa superarem o objetivo, ou ficarem aquém dele, novas medidas serão estudadas e negociadas. Se ficar nas 1,4 mil pessoas, a Mercedes pagará R$ 140 milhões em indenizações, sem contar as demais verbas rescisórias.

Com o acordo a Mercedes afirma que será possível “combater a ociosidade e, assim, manter as operações enquanto não ocorre a recuperação do mercado brasileiro”, diz em nota distribuída à imprensa. Contudo, a meta de corte do PDV aberto agora fica ainda abaixo do excedente de colaboradores na fábrica de São Bernardo, que segundo a empresa chega a mais de 2,5 mil pessoas na unidade, devido à forte retração do mercado de caminhões e ônibus acumulada nos últimos dois anos, que fez a ociosidade da planta subir acima dos 50%.

A Mercedes informa que ainda estuda como fará os ajustes para administrar o excedente de pessoal que restará após o fechamento do PDV. “Uma vez atingida a meta (do PDV), o restante do acordo fica garantido. O excedente será administrado, a princípio, por meio de layoff rotativo, com revezamento dos trabalhadores afastados. E a estabilidade vai até dezembro de 2017”, destacou Aroaldo, do sindicato.

“Com o novo acordo, a Mercedes-Benz apresenta mais uma alternativa aos seus colaboradores para suportar os efeitos da forte crise econômica no Brasil”, ressaltou a empresa em nota. A fábrica de São Bernardo emprega atualmente cerca de 9 mil trabalhadores e os metalúrgicos encontram-se em licença remunerada desde o dia 5 de agosto.



Tags: Mercedes-Benz, trabalho, cortes, demissões, PDV, layoff.

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