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Inclusão de surdos nas empresas também exige ações concretas e abertura de oportunidades

Diversidade | 06/10/2020 | 17h57

Inclusão de surdos nas empresas também exige ações concretas e abertura de oportunidades

Especialista em gestão de pessoas aborda os desafios que a comunidade surda também enfrenta para emergir no mercado de trabalho

SUELI REIS, AB

Para alcançar um cargo de liderança em uma empresa, não basta o profissional atender todos os requisitos e ter um currículo exemplar: é necessário que surja oportunidades reais dentro das companhias e essa realidade não é diferente para a comunidade surda, onde se encaixam as pessoas com algum tipo de deficiência na audição, seja total ou parcial.

O especialista em gestão de pessoas, Zucoloto, W., que há 20 anos atua na área de desenvolvimento de projetos e treinamento de RHs, conta que muitas organizações estão atrasadas quando o quesito é inclusão de surdos em suas equipes e esse atraso é ainda maior quando se considera cargos de liderança. O especialista, que iniciou sua carreira no setor automotivo há 30 anos, realizou recentemente o primeiro treinamento para lideranças de seu portfólio exclusivamente para pessoas surdas em parceria com a Wise Hands, empresa de desenvolvimento de soluções e tecnologias em acessibilidade.

“Houve relatos de que são raras as pessoas nas empresas que se esforçam para se comunicar com os surdos ou que têm interesse em aprender libras”, conta Zucoloto. “Também houve quem disse que deseja muito crescer na empresa, mas não há oportunidade para ela. A comunidade surda possui muitas pessoas com habilidades profissionais e competências tão boas ou até melhores do que outros concorrentes de carreira que são ouvintes - é tudo uma questão de oportunidades para ambos”, defende.

PRIMEIRO PASSO É O INTERESSE PELA INCLUSÃO


Embora muitas empresas não possuam surdos em seus quadros de funcionários, se interessar por eles é o primeiro passo para a inclusão. Zucoloto reforça que é necessário preparar a equipe/comunidade ouvinte para entender como é a comunidade surda, conhecer suas limitações, mas também suas capacidades e modos de se comunicar.

“Depois disso, o segundo passo é investir em tecnologias e acessibilidade de forma a tratar essas pessoas como qualquer outra do quadro. Se associar a entidades e instituições que conhecem bem essa realidade também é importante para esse desenvolvimento”, orienta.

É fato que a comunicação entre as comunidades surda e ouvinte é a maior limitante, mas já existem muitas tecnologias e ferramentas capazes de tornar esse diálogo comum e ajudar os surdos a se expressarem. “Acredito que vai haver uma grande mudança daqui em diante, com as empresas evoluindo nesta questão e a comunidade surda cada vez mais presente no mercado de trabalho e tudo por meio da tecnologia – e isso já é possível, já existe.”

Em seu treinamento para lideranças, o foco é aprimorar competências e agregar com conteúdo específico da mesma forma como é feita para a comunidade ouvinte. “O curso, assim como qualquer preparação profissional, oferece conhecimento de forma que a pessoa se sinta pronta para assumir melhores cargos na empresa. Com a primeira turma, senti que foi muito além de um treinamento, foi uma experiência de troca incomensurável. É um privilégio realizar este treinamento sabendo que quem te ouve vai colocar em prática o que aprendeu.”

Sua próxima turma em parceria com a Wise Hands está prevista para o período entre 2 e 4 de novembro. Mais informações sobre o treinamento para lideranças surdas serão divulgadas em breve em sua página no LinKedin (Zucoloto, W.).



Tags: Inclusão, diversidade, carreira, gestão de pessoas, comunidade surda, surdos.

Comentários

  • SérgioAparecido Zucoloto

    Excelenteassunto abordado. Parabéns.

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