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Produção de caminhões cresce 29% em setembro, mas ainda há queda no ano

Indústria | 07/10/2020 | 16h28

Produção de caminhões cresce 29% em setembro, mas ainda há queda no ano

Demanda do mercado interno puxa o ritmo das fábricas, mas restrições impedem atender com mais agilidade

SUELI REIS, AB

A produção de caminhões cresceu 29% em setembro na comparação com agosto, para 9,4 mil unidades, de acordo com dados divulgados na quarta-feira, 7, pela Anfavea, associação das fabricantes. O resultado é reflexo da demanda do mercado interno. Apesar disso, a produção acumulada do ano continua menor que a de 2019: em nove meses, a indústria entregou 58,3 mil unidades, retração de 33% sobre o resultado de igual período do ano passado.



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O presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes, lembra que o segmento de transporte de carga está com algumas categorias demandando maiores volumes do que outras, principalmente os pesados (com PBT igual ou acima de 16 toneladas), sendo impulsionados pelo agronegócio. De janeiro a setembro, esta categoria registra o maior volume de vendas entre as demais, com mais de 31,4 mil unidades emplacadas.

Apesar de estar aquecido nos últimos meses, após paralisia quase que total no segundo trimestre, o mercado de caminhões ainda é impactado pela retração da economia por causa da pandemia. Com isso, as vendas no acumulado do ano também continuam menores do que as de 2019: de janeiro a setembro, com 62,7 mil caminhões, houve queda de 15,4% sobre iguais meses do ano passado.

Em setembro, foram emplacados 7,3 mil caminhões, volume 9,5% menor que o de agosto. Segundo o vice-presidente da Anfavea, Marco Saltini, o resultado de setembro está dentro do esperado pela indústria. “Mas o acumulado está melhor do que estimamos antes, sinal de que o mercado continua demandando”, comenta.

Se por um lado, a demanda de caminhões segue aquecida, por outro, isso se tornou um gargalo para a indústria, que neste momento é incapaz de atender os pedidos com mais agilidade. Saltini recorda que as fábricas estão com um ritmo menor de produção por causa das medidas restritivas de distanciamento exigidas em ambiente fabril como forma de prevenção ao coronavírus.

“A produção de agosto e também de setembro é maior com relação aos meses anteriores e isso mostra que há uma tentativa da indústria em ajustar a produção para a realidade atual do mercado, mas há dificuldades também com a cadeia e o fluxo de recebimento de insumos”, afirma o vice-presidente da Anfavea, Marco Saltini.



Com a chegada do último trimestre do ano, a Anfavea, revisou o cenário econômico e refez suas projeções para 2020, cujas previsões indicam um otimismo moderado. A entidade agora espera encerrar 2020 com a venda de 97 mil veículos pesados, entre caminhões e ônibus, volume acima dos 75 mil veículos previstos na revisão anterior divulgada em junho.

Se for confirmado, representará uma queda de 21% sobre os 122 mil veículos pesados emplacados em 2019. Dentre os 97 mil estimados para este ano, 83,5 mil serão caminhões, segundo a Anfavea, indicando retração de 18% no comparativo anual.

Em sua nova projeção, a Anfavea também estima encerrar o ano com uma produção de 95 mil veículos pesados, entre caminhões e ônibus, o que representa queda de 33% sobre os 141 mil fabricados em 2019.

CAMINHO DA ESCOLA MANTÉM O MERCADO DE ÔNIBUS


Entre os 97 mil veículos pesados que a Anfavea estima vender neste ano, 13,5 mil unidades são ônibus, o segmento que mais sentiu o impacto negativo da crise gerada pela pandemia. Se o número for confirmado no fechamento de 2020, representará queda de 36% sobre os 20,3 mil chassis emplacados no ano passado.

Até setembro, o transporte de passageiros registra a venda de 10 mil veículos, o que já representa retração de 34,4% sobre igual período de 2019, quando o setor emplacou 15,2 mil unidades. O resultado isolado de setembro mostra queda de 17% sobre agosto, com apenas 1,2 mil chassis emplacados. Este volume também é 29% menor que os 1,7 mil ônibus vendidos em setembro de 2019.

“O segmento de ônibus continua sofrendo muito, vale lembrar que dentro dessa parcela de vendas está o Caminho da Escola, mas de fato, os volumes estão muito abaixo do potencial do mercado”, comenta o vice-presidente da Anfavea.

Com a demanda em baixa, a produção também ficou mais lenta: em nove meses, as fabricantes de chassis entregaram 14,2 mil unidades, quase 37% menos do que em mesmo intervalo do ano passado. No entanto, em setembro, a produção aumentou 14% sobre agosto, com 2 mil chassis.

“O setor de transporte de passageiros foi muito afetado pela pandemia; o aumento da produção no mês passado é por causa do Caminho da Escola, que tem sido o fôlego do segmento graças as licitações passadas e que agora estão em fase de entrega. Na categoria de fretamento até houve frotas que aumentaram em 40% suas compras, mas esse volume é baixo com relação às entregas de ônibus às escolas”, analisa Saltini.



O executivo reforça que o setor de ônibus, seja o urbano seja o rodoviário, está descapitalizado por causa da redução drástica do uso do transporte público em tempos de pandemia.

“A questão é bastante delicada, é um setor que precisa de ajuda; acredito que deveria ser prorrogado o período de isenção de pagamento de financiamentos. Se não fizer nada, vai acontecer um desastre”, lamenta.



Tags: Anfavea, vendas, produção de caminhões, caminhões, ônibus, projeção, previsão de mercado, mercado, Luiz Carlos Moraes, Marco Saltini.

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