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Concessionários Peugeot e Citroën querem barrar fusão PSA-FCA no Brasil
Concessionária dual Peugeot e Citroën: expansão da rede com representantes de marcas da FCA preocupa os atuais concessionários

Distribuição | 18/12/2020 | 22h00

Concessionários Peugeot e Citroën querem barrar fusão PSA-FCA no Brasil

Distribuidores reclamam de prejuízos e que estão sendo preteridos em negociações expandir a rede por meio de representantes das marcas da FCA

PEDRO KUTNEY, AB

Está ainda mais estremecida a já difícil relação entre concessionários Peugeot e Citroën com o Grupo PSA, fabricante dos carros de ambas as marcas. No último dia 10, as duas associações que reúnem esses revendedores, Abracop (Peugeot) e Abracit (Citroën), encaminharam ofício ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica, ligado ao Ministério da Justiça), para que suspenda no País a fusão entre os grupos PSA e FCA, anunciada há um ano e prevista para ser concluída globalmente a partir de janeiro próximo.

O envio do ofício (com cópia para Presidência da República, Casa Civil, Ministério da Economia e conselheiros do Cade) foi motivado após a publicação no jornal O Estado de São Paulo (Estadão), no último dia 10, que o conselho havia aprovado a fusão no País que resultará na criação de uma nova companhia, a Stellantis. Em comunicado conjunto encaminhado à imprensa na sexta-feira, 18, Abracit e Abracop afirmam que pedem “a suspensão temporária da fusão entre os grupos PSA e FCA, no Brasil, até que essas redes sejam ouvidas no processo, por meio de suas associações”, diz o texto.

Abracit e Abracop alegam que não foram consultadas no processo e temem que seus associados fiquem de fora da rede de distribuição do novo grupo. Segundo acusam as entidades, a PSA já teria iniciado negociações com concessionários que representam marcas da FCA (Fiat, Jeep, Ram e Dodge) para que estes também abram lojas para vender carros Peugeot e Citroën. “Pelo menos um desses concessionários Fiat (FCA) já teria iniciado obras em suas instalações” para abrigar as duas marcas, afirmaram as associações no ofício enviado ao Cade.

“Esse plano (de expansão da rede) contempla a sobreposição de pontos de vendas em áreas onde já existem concessionárias Peugeot e Citroën em operação, o que representará perdas ainda maiores para os concessionários já existentes nesses locais se o mesmo volume de vendas tiver de ser compartilhado por mais pontos”, alegam as associações.

PRÁTICA PARA EXPULSAR CONCESSIONÁRIOS SEM INDENIZAR



Abracit e Abracop também afirmam ao Cade suspeitar que a PSA esteja praticando uma política comercial hostil que “vem minando o negócio de seus concessionários, forçando-os a deixar a marca (sair do negócio) sem o pagamento da devida indenização, para abrir espaço aos concessionários Fiat que já atendem algumas praças”, acusam.

Procurada, a PSA afirmou que não vai comentar as negociações comerciais com seus concessionários. No ofício encaminhado ao Cade, Abracit e Abracop dizem que a fabricante nega que esteja praticando essa política com a rede e afirmou às associações que o conselho não teria obrigação de consulta-las no processo para aprovar a fusão com a FCA.

Os concessionários também reclamam que os últimos lançamentos de produtos Peugeot e Citroën “não contaram com a devida divulgação por parte da montadora junto aos consumidores, provocando perda de margem, de participação de mercado e consequente falta de retorno sobre os altos investimentos que vêm sendo realizados pelas concessionárias”.

As associações apontam ainda que com lançamentos escassos e de pouca penetração as duas marcas são as que mais perderam mercado nos últimos anos, o que aumenta a fricção no relacionamento entre montadora e rede. De janeiro a novembro foram vendidos 12,6 mil veículos Citroën, que assim acumula participação em 2020 de apenas 0,73%, enquanto a Peugeot teve resultado ainda pior, com 11,5 mil emplacamentos no período e market share de 0,67%. Ou seja, as duas somadas respondem por 1,4% das vendas totais no País e há 10 anos esse porcentual ultrapassava os 5%.

NEGOCIAÇÕES SOBRE 2021 FORAM INTERROMPIDAS



Nesse cenário, Abracit e Abracop confirmaram que suspenderam as negociações de política e ações comerciais para 2021 com a montadora. Poucos dias antes do ofício ao Cade, a associação dos concessionários Citroën enviou aos gestores da marca na PSA uma carta em que reclama do tratamento dado à rede e alerta para a “grave situação” dos distribuidores.

“A manutenção de um único produto VP (veículo de passeio), sujeito a um aumento de preços sem precedentes, muito superior à concorrência, aliado à extinção da isenção total no canal PcD (vendas com desconto de impostos para pessoas com deficiência) tornaram impossível a sobrevivência da rede com o baixo volume de negócios. Num ano tão conturbado quanto 2020, tivemos o pior market share da história para a marca Citroën”, diz o texto da carta à qual Automotive Business teve acesso.

Com esses argumentos, a Abracit informou que não iria mais negociar com a montadora “em repúdio às imposições da marca que não sustentam a nossa competitividade ou não atendem a nossa convenção”, diz a carta. “Retornaremos à mesa de negociações quando a Citroën manifestar seu sincero desejo de buscar crescimento de volumes no mercado, fazendo aprovar uma política comercial de aplicação mais simples, com menos regras, que trabalhe na premiação das ações do concessionário no lugar da sua punição, e que permita a sobrevivência da rede até que mais produtos sejam agregados ao portfólio”, finaliza.

A PSA não quis manifestar sua posição a respeito do embate com seus concessionários, mas suas alegações serão acrescentadas a esta matéria caso a empresa desejar.



Tags: Distribuição, fusão, FCA, PSA, Peugeot, Citroën, Fiat, Jeep, Ram, Abracit, Abracop.

Comentários

  • CharlesDays

    Quemvê de fora parece que as revendedoras tem razão, primeiro lançamentos com preços elevados e mecanica defasada, como é o caso do 208, e vai por aí afora...acho que assim elas vão desaparecer...

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