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Produção encerra 2020 em expansão e Anfavea prevê crescer 25% em 2021

Indústria | 08/01/2021 | 17h28

Produção encerra 2020 em expansão e Anfavea prevê crescer 25% em 2021

Efeitos de nova onda de Covid-19 preocupam; limitações nas fábricas reduziram estoques ao menor nível histórico

WILSON TOUME, PARA AB

A Anfavea apresentou na sexta-feira, 8, o seu primeiro balanço mensal do ano e informou que foram produzidos 209,3 mil veículos em dezembro, o que representa queda de 12,1% em relação às 238,2 mil unidades fabricadas em novembro. Mas, quando comparado com o resultado do mesmo mês de 2019 (170,5 mil), houve avanço de 22,8%. No acumulado de 2020, como era previsto, houve recuo de 31,6%, com pouco mais de 2 milhões de automóveis produzidos em 2020, contra 2,9 milhões em 2019.

Luiz Carlos Moraes, presidente da entidade, observou que o resultado obtido foi o melhor para um mês de dezembro desde 2017. “A indústria terminou 2020 com uma produção bastante forte, considerando o cenário que a gente vivia”, lembrou. “As fábricas enfrentaram algumas microparadas [por falta de insumos], mas a indústria procurou compensar isso com horas extras, jornadas adicionais ou até férias coletivas mais curtas; tudo para tentar manter a oferta de produtos no mercado e atender o crescimento da demanda nos últimos meses do ano. Isso mostrou o empenho do setor, junto com a cadeia de fornecedores, para mitigar ao máximo a falta de produtos”, completou Moraes.

O executivo lembrou ainda que, apesar do bom resultado de dezembro, o desempenho do setor no acumulado foi o pior desde 2003. Além disso, a ociosidade das montadoras nacionais segue muito alta, de aproximadamente 3 milhões de unidades.

ESTOQUES NO MENOR NÍVEL DA HISTÓRIA



Outro número preocupante é o estoque muito baixo, tanto nas fábricas quanto nas concessionárias. Em dezembro, havia 96,8 mil veículos produzidos à espera de compradores, com 82,8 mil nas lojas e 14 mil nos pátios das montadoras. Tendo como base o ritmo de vendas do mês, esse total era suficiente para apenas 12 dias de vendas e foi o mais baixo da história da indústria.

O presidente da Anfavea observou que, embora preocupe, esse número reflete o momento atual, com as fabricantes tendo de enfrentar dificuldades com as regras de distanciamento, redução de jornada, número de empregados e, principalmente, falta ou atraso na entrega de insumos e componentes para produzir. “O importante é que a indústria se esforçou para manter a oferta de produtos”, afirmou.

EMPREGO SEGUE EM QUEDA



O nível de emprego na indústria ficou praticamente estável em dezembro, com 120,5 mil postos ocupados, contra 120,8 mil em novembro, ou redução de 0,2%. De acordo com Luiz Carlos Moraes, houve diminuição de 300 postos de trabalho no setor de autoveículos e um aumento de 100 vagas preenchidas no de máquinas agrícolas e rodoviárias.

Já em relação a dezembro de 2019, a queda no número de empregos na indústria foi de 4%, passando de 125,6 mil colaboradores para os atuais 120,5 mil. Ou seja, em postos de trabalho, o custo da pandemia na indústria automotiva foi de aproximadamente 5 mil empregos até agora, segundo o presidente da Anfavea.

PREVISÃO DE CRESCIMENTO, COM CAUTELA



Durante a apreseentação de resultados de 2020, a Anfavea também divulgou a sua primeira projeção para 2021, e Luiz Carlos Moraes fez questão de lembrar que se trata de uma estimativa conservadora, já que ainda existem muitas incertezas no horizonte, como a crise sanitária que pode ser novamente agravada por uma segunda onda de contágios e obstáculos como o aumento do ICMS anunciado pelo governo de São Paulo, além dos sempre mencionados – e criticados – “custo Brasil” e falta de competitividade do País. Assim, a entidade projeta que a produção das fábricas de veículos vai crescer 25%, superando 2,5 milhões de unidades até o fim deste ano.

Os números podem até parecer animadores, mas Moraes fez questão de lembrar que o País conta com capacidade técnica para fabricar até 5 milhões de veículos por ano, e que caso a projeção da Anfavea se concretize, a ociosidade da indústria ainda será muito alta, de 50% aproximadamente. “Estamos vendo um cenário com alguns aspectos positivos e com algumas preocupações importantes, que nos fazem ter uma projeção um pouco conservadora sobre o crescimento de 2021”, observou.

Por fim, o executivo afirmou que a entidade não terá nenhum problema em revisar essa projeção, caso perceba algum movimento diferente do imaginado no decorrer do ano.



Tags: Indústria, Anfavea, produção, projeção, balanço, logística, fábricas, emprego, IPVA, São Paulo, Luiz Carlos Moraes.

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