Automotive Business
  
News Mobility Now

Notícias

Ver todas as notícias
PSA e FCA têm lucro em 2020 e esperam margem de 5,5% a 7,5% em 2021 juntas na Stellantis

Balanço | 03/03/2021 | 22h00

PSA e FCA têm lucro em 2020 e esperam margem de 5,5% a 7,5% em 2021 juntas na Stellantis

Antes da fusão, as duas empresas apuraram resultado operacional somado de € 7,1 bilhões, com margem de 5,3% sobre faturamento combinado de € 134,3 bilhões

PEDRO KUTNEY, AB

Após concluir a fusão em janeiro passado, FCA e PSA divulgaram simultaneamente na quarta-feira, 3, os seus balanços financeiros de 2020, que pela última vez foram apresentados separadamente. Apesar de abaladas pela pandemia com queda de produção, faturamento e lucros na comparação com 2019, as duas companhias conseguiram fechar o ano no azul, com resultados sólidos, e já projetam chegar ao fim do primeiro ano de existência da Stellantis com significativo aumento na margem operacional de lucro, que em 2021 deverá girar entre 5,5% e 7,5% sobre as receitas líquidas, isso se a evolução da Covid-19 no mundo não causar novas paralisações, segundo pondera o comunicado da empresa.

Apesar de os dois grupos terem apurado lucro em 2020, a PSA foi mais lucrativa em meio ao cenário adverso, com Ebit (lucro antes de impostos e despesas financeiras) de € 3,4 bilhões (retração de 32,5% sobre 2019), que resultou em expressiva margem operacional de 7,1% sobre o faturamento líquido de € 47,6 bilhões (-19,2%). Já a FCA apurou Ebit quase igual, de € 3,7 bilhões, mas com queda bem maior, de 44%, sobre o ano anterior, que equivaleu à margem também muito menor, de 4,3%, sobre receitas bem maiores que as da parceira, somando € 86,7 bilhões, em recuo de 20% na comparação com um ano antes.

A PSA teve queda maior das vendas em unidades (-27,8%) em relação a 2019, com 2,5 milhões de veículos entregues aos clientes no mundo todo, enquanto a FCA vendeu quase 1 milhão de unidades a mais, 3,4 milhões, em queda de 22% ante o ano anterior. Mesmo assim, apesar de vender muito menos, o lado francês da Stellantis obteve resultados financeiros mais robustos que do lado ítalo-americano.

O lucro líquido contabilizado pela PSA em 2020 somou € 2,34 bilhões, em queda de 19% sobre 2019, enquanto o resultado líquido ajustado da FCA chegou a € 1,86 bilhão e caiu bem mais, com forte retração de 57% ante o ano anterior. Contudo, após a contabilização de provisões para despesas extraordinárias – como pagamento de multas nos Estados Unidos e custos de reestruturação de negócios – a FCA declarou fechou seu balanço de 2020 no “equilíbrio financeiro”, sem lucro nem prejuízo.

Fazendo a soma simples dos dois balanços, a Stellantis nasce com uma herança de 5,9 milhões de veículos vendidos em 2020, faturamento combinado de € 134,3 bilhões e lucro operacional de € 7,1 bilhões, resultando em margem de 5,3%. Mas segundo Carlos Tavares, CEO do novo grupo, a Stellantis será mais do que a soma de FCA e PSA, pois as sinergias devem reduzir custos de produção e tornar a empresa mais lucrativa.

“Estes números divulgados hoje demonstram a solidez financeira da Stellantis, unindo duas empresas fortes e saudáveis. A Stellantis decola para um ótimo início e está totalmente focada em alcançar todas as sinergias prometidas”, afirmou Carlos Tavares.



RESULTADOS INVERTIDOS NA AMÉRICA LATINA



Se globalmente a PSA foi mais lucrativa em 2020 que sua sócia na Stellantis, na América Latina acontece exatamente o contrário. A FCA vende muito mais na região (sem contar o México), com 475 mil veículos comercializados no ano das marcas Fiat, Jeep, Ram e Dodge, em retração de 17,7% sobre 2019, mas com participação que cresceu 3,4 pontos no quarto trimestre, para 17,8% – resultado sustentado pelo Brasil, onde a fabricante é líder de vendas com market share que nos últimos três meses do ano avançou mais de 5 pontos, para 24,2%.

A PSA tem atuação bem mais tímida na América Latina. Em 2020 as quatro marcas do grupo vendidas na região (Peugeot, Citroën, DS e Opel) venderam o total de 95 mil veículos, em forte queda de 30% sobre o ano anterior. O volume representou participação de mercado de apenas 2,6% (quase os mesmos 2,7% de 2019). Com vendas bem menores do que as da FCA, o tombo da PSA foi muito maior nos mercados latino-americanos.

Ao contrário da PSA, a FCA também divulgou os resultados financeiros na América Latina, que depreciados principalmente pela forte desvalorização cambial do real, não foram altos, mas ao menos não foram negativos. O faturamento líquido na região convertido somou € 8,5 bilhões, em retração de 37,6% sobre 2019. Fortemente afetado pelo câmbio desfavorável, o Ebit de apenas € 6 milhões caiu 99% em relação ao ano anterior, quando foi de € 501 milhões, e assim a margem de lucro operacional caiu de 5,9% para 0,1% entre um ano e outro.



Tags: Stellantis, PSA, FCA, balanço 2020, projeção 2021, resultados.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

Mobility Now