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A nova realidade da cadeia de valor automotiva

Cenários 2021 | 20/04/2021 | 20h00

A nova realidade da cadeia de valor automotiva

Após um ano de pandemia, empresas focam em produtividade e novas parcerias enquanto equalizam desafios de abastecimento

PAULO RICARDO BRAGA, AB

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A pesquisa Cenários na Indústria Automobilística, promovida em conjunto por Automotive Business e pela Roland Berger, apontou que a gestão do custo de matérias-primas, foco em produtividade e parcerias estratégicas serão alguns dos aspectos essenciais à performance do setor de autopeças.



- Faça aqui o download do relatório completo da pesquisa Cenários para a Indústria Automobilística



“Em linha com a trajetória atual de recuperação do mercado de componentes automotivos, espera-se maior crescimento de vendas e exportações do segmento para 2021; no entanto, a performance dependerá fortemente do crescimento da atividade econômica”, afirma Marcus Ayres, diretor e sócio global da Roland Berger.

Para 47% dos respondentes da pesquisa, a expectativa é de crescimento leve das vendas (de 5% a 10%). O estudo revela que para os fabricantes de autopeças o retorno à lucratividade dependerá de definições estratégicas para aumento da produtividade, celebração de parcerias e adequação da estrutura organizacional.

Os entrevistados apontam que o crescimento das exportações de autopeças depende de diversos fatores, entre eles: gestão do custo de matéria-prima, celebração de acordos comerciais, melhoria da infraestrutura logística e do ambiente regulatório, e manutenção de taxa de câmbio favorável.

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OS DESAFIOS PARA AS PEQUENAS E MÉDIAS



Atento às adaptações drásticas necessárias para a sobrevivência das pequenas e médias empresas (PMEs) da cadeia de suprimentos automotivos que representa, o Sindipeças vem oferecendo a suas filiadas um programa de mentoria para fortalecer as operações locais. “Os resultados têm sido muito bons”, revela George Rugitsky, conselheiro da entidade. Ele explica que para levar adiante esse projeto a entidade recorre a profissionais experientes já aposentados

“Cada vez mais o mercado busca fornecedores de autopeças competitivos e com capacidade tecnológica”, afirma o conselheiro.



Ele explica que para as PMEs se manterem competitivas há um desafio de investimento inevitável em posicionamento em áreas como automação; digitalização; sensorização de equipamentos; softwares como big data; equipamentos tecnologicamente atualizados; capacitação e aquisição de novas tecnologias.

No seu entender, os gestores das PMEs devem se conscientizar sobre as novas necessidades de investimento para obtenção de um upgrade tecnológico que aumente sua competitividade. Além disso, paralelamente, surge a necessidade de investimentos referentes à adaptação das empresas aos conceitos da Indústria 4.0.

O conselheiro do Sindipeças lembra que as PMEs fabricam os componentes que serão utilizados na montagem dos sistemas e, portanto, são a base da cadeia automotiva, atuando como tiers 2 e 3. “Só teremos uma Indústria automotiva competitiva caso todos os elos dessa cadeia sejam competitivos”, observa.

“Os tiers 2 e 3 dependem de suporte por parte do topo da cadeia: as OEMs e tiers 1. Os esforços nessa direção devem ser feitos o quanto antes, enquanto a cadeia de valor procura se realinhar”, explica Rugitsky.



GOVERNANÇA CORPORATIVA



O próximo passo importante do Sindipeças em relação às PMEs associadas será oferecer suporte à governança corporativa das pequenas e médias empresas com o empenho de também de gestores aposentados.

“Será um esforço para levar conhecimento e experiência de fora para dentro dessas companhias”, define Rugitsky, esclarecendo que se trata de uma iniciativa de grande alcance para garantir a perenidade dos negócios na cadeia de produção. “Vamos oferecer apoio ao planejamento estratégico associado à gestão de risco. Paralelamente vamos incentivar a participação das PMEs nas atividades de reposição automotiva na América do Sul, estimulando as exportações”, afirma o conselheiro. Para isso, o Sindipeças vai contar também com a experiência dos ex-gestores da indústria.

Não são apenas as PMEs as empresas afetadas pelas profundas transformações na indústria automobilística. “Em quarenta anos nunca tivemos um período tão desafiador, que coloca em risco até mesmo grandes empresas do setor. Muitas delas estão acordando agora e procurando se adaptar aos novos tempos. É o caso, por exemplo, das empresas voltadas exclusivamente para o powertrain a combustão, que terão seu portfólio colocado em xeque”, afirma o especialista.

Ele entende que, com a chegada da eletrificação, um segmento até agora importante na cadeia de valor terá de buscar uma nova vocação. Já se espera que nem tudo será produzido no Brasil, sendo necessário adotar novas estratégias. “As transformações ocorrerão em um ritmo cada vez mais intenso, como demonstrou a decisão da Ford em deixar de produzir no País”, observa.

Outro alerta: não colocar todos os ovos na mesma cesta. Que o digam os fornecedores que dependiam exclusivamente dos negócios da Ford. “É indispensável pensar no futuro com emissões zero, zero acidentes e zero tráfego”, antecipa Rugitsky. “Nesse caso, é preciso lembrar que um veículo elétrico em três mil peças, enquanto um a combustão interna tem 15.000 peças. Imagine o impacto na cadeia de valor. Mesmo que essa transformação leve dez anos ou mais para se concretizar, as empresas que atuam neste mercado já devem ter iniciado o planejamento da transição caso queiram sobreviver”, conclui.

2: Cenários para a Indústria Automobilística
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Tags: Cenários para a Indústria Automobilística, cadeia automotiva, fornecedores, Sindipeças, autopeças, indústria automotiva.

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