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Escassez de borracha é o novo risco para a indústria automotiva
Fábrica de pneus nos EUA: produção de borracha começar a sentir primeiros os efeitos

Insumos | 15/04/2021 | 18h03

Escassez de borracha é o novo risco para a indústria automotiva

Com o preço subindo, fabricantes dos EUA são os primeiros a aumentar compras para não ficar sem pneus e outros derivados

REDAÇÃO AB

Como se não bastasse a escassez de mundial de semicondutores, que tem obrigado inclusive fábricas no Brasil a parar sua produção, agora surge no horizonte um novo produto que deve começar a desaparecer dos estoques: a borracha, essencial para a produção de pneus e outros itens utilizados na fabricação de veículos, como tapetes, tubos e materiais isolantes.

Os suprimentos mundiais de borracha estão se reduzindo drasticamente, problema causado por uma série de fatores, como o crescimento repentino da demanda mundial, o aumento dos estoques na China e uma doença que atacou as árvores que produzem a matéria-prima natural, como relata reportagem da agência Bloomberg.

Com esse cenário se agravando, fabricantes de pneus e outros fornecedores das montadoras nos Estados Unidos já começaram a aumentar o total de encomendas a fim de evitar que fiquem sem borracha para sua produção interna. Nessa indústria há um grande receio de que a escassez da borracha pode se tornar em breve uma nova versão da crise dos semicondutores, que alguns analistas já avaliam que pode se estender por anos.

“É como toalhas de papel no início da crise da Covid-19. Se você conseguir colocar as mãos em algum plástico ou borracha, vai pedir mais do que precisa, porque não sabe quando vai conseguir fazer a próxima encomenda”, diz Steve Wybo, da consultoria Conway MacKenzie, em relato à Bloomberg.



O problema começou em 2020, quando a China manteve seu volume de compras de borracha natural quase igual ao do ano anterior, mesmo tendo interrompido sua produção local por conta do auge da pandemia no país. Ao mesmo tempo, o fornecimento de borracha para os Estados Unidos na época foi reduzido, a ponto de zerar os estoques de muitas fábricas americanas.

Com a normalização da produção mundial, a escassez do produto foi aumentando. Em fevereiro deste ano, a borracha natural estava cotada a cerca de U$ 2 por quilo, a maior alta dos últimos quatro anos. Mas quem trabalha nessa indústria estima que os preços ainda vão subir mais, podendo alcançar os US$ 5 dentro de cinco anos.

O USO DA BORRACHA NATURAL



A borracha natural é produzida hoje a partir de seringueiras cultivadas na Tailândia (o maior produtor e exportador mundial) e Vietnã. Apesar de a borracha derivada do petróleo ser a preferida na maioria do uso industrial, a versão natural é essencial para aplicações específicas, como luvas e materiais para embalagem, produtos que tiveram uma explosão de demanda durante a pandemia.

Com a quebra dessa cadeia, ocorreu um desarranjo geral em todo o ecossistema ligada à produção de borracha. Como essa indústria é dominada por pequenos proprietários, é mais difícil para eles se ajustarem rapidamente a mudanças de demanda, o que acaba provocando alterações sensíveis no preço e no abastecimento ao longo de todo o processo, do fornecedor da matéria-prima ao consumidor final, no caso as montadoras.

As grandes montadoras nos Estados Unidos, incluindo Ford e Stellantis, estão acompanhando tudo de perto e dizem oficialmente que ainda não sentiram um grande impacto. A GM relata que, por enquanto, não está preocupada com seu suprimento de borracha.

Mas a fabricante francesa de pneus Michelin reconhece que já precisou contornar o congestionamento dos portos usando remessas aéreas de frete diretamente da Ásia. Enquanto isso, os fabricantes de médio e pequeno porte estão passando por um aperto e, com a falta do produto, passaram a aumentar suas compras sempre que o insumo estivesse disponível para formar estoques. “Eu já avisei todo mundo que vou comprar tão rápido quanto eles conseguirem produzir”, disse à Bloomberg Gary Busch, diretor de compras globais do Carlstar Group, que fabrica pneus para veículos off-road e agrícolas.



Tags: Borracha, pandemia, Covid-19, Estados Unidos, EUA, Michelin, Ford, Stellantis, Tailândia, semicondutores, logística.

Comentários

  • DaltroRodrigues

    Reciclaros pneus usados . Ou seja fazer se faz com o plastico . Dereter pneus pra fazer novos . É possivel...???

  • RodrigoDe Oliveira Santos

    Vaifaltar e muita matéria prima, essencial para fabricação de pneus e outros acessórios!

  • MarcosClaver

    Seráque não seria o momento de incentivar a recapagem de pneus em carros populares, algo que gasta bem menos borracha, pois só troca a banda de rodagem. Algo que já é muito comum com ônibus e caminhões.

  • FelipeCunha

    Aborracha de pneus é vulcanizada e impede sua reciclagem para transformação de borracha virgem novamente, mas pode ser reutilizada principalmente na indústria de construção civil como isolante térmico e rodovias....

  • jorgealmada

    Esqueceramde informar que uma seringueira leva até 8 anos após o plantio para produzir Látex e sua producao é descontinuada por alguns meses do ano.

  • jorgealmada

    Daltrona reciclagem da borracha não é da mesma forma que a do plastico. A borracha NÃO derete se voce aquercer muito ela vai degradar e não funde. O processo de vulcanizacao é o responsavel por esta degradacao. Quanto ao aproveitamento das materias primas contida no pneu se faz atraves de processos específicos.

  • HERMESARISTIDES PEDRAZZI

    Aseringueira ( Hevea Brasilienses ) é nativa do BRASIL e o nosso látex tem sua cotação em dólar , Portanto o mesmo devia ser ser citado na produção mundial ...

  • EderMoreira - ECEMBORG

    Temosque ficar muito atentos aos preços das matérias primas e insumos para fabricação de peças de borracha.

  • AntonimarMarinho dos Santos

    Aseringueira e a solução da falta de borracha no mundo. Falta políticas governamentais para incentivar o plantio desta importante cultura em nosso país. Apesar da seringueira ter origem na Amazônia, onde encontramos a maioria das espécies, o Brasil só produz 1% da borracha mundial. É uma vergonha para nosso país. Temos tecnologia, solo abundante e gente pra trabalhar, o que falta é uma política séria de incentivo ao cultivo da seringueira. Eng. Agr. Antonimar Marinho dos Santos- pesquisador em seringueira da Empaer- MT.

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