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Como a Ford perdeu R$ 61 bilhões no Brasil

Indústria | 20/05/2021 | 15h35

Como a Ford perdeu R$ 61 bilhões no Brasil

Reportagem da Reuters revela que prejuízo por carro vendido era de R$ 10,5 mil e perdas acumuladas antes de fechar as fábricas atingiram R$ 39,5 bilhões

REDAÇÃO AB

Reportagem da agência Reuters publicada nesta quinta-feira, dia 20, revela que as perdas da Ford no Brasil chegarão a US$ 11,6 bilhões (R$ 61 bilhões) em 10 anos quando a empresa finalizar o processo de fechamento das três fábricas no País, que atinge mais de 5.000 trabalhadores e 300 concessionárias.

A reportagem teve acesso a arquivos corporativos não revelados anteriormente. Os documentos mostram a escala dos problemas financeiros que levaram à decisão da matriz nos Estados Unidos de transformar a Ford do Brasil em uma importadora de veículos.

“A Ford havia queimado US$ 7,5 bilhões (R$ 39,5 bilhões), a maior parte em prejuízos acumulados, mas também em algumas injeções de dinheiro, de acordo com os documentos arquivados no estado de São Paulo, onde a montadora está registrada no Brasil”, aponta a matéria.

O texto de autoria do jornalista Marcelo Rochabrun, que foi distribuído para todas as filiais da Reuters no mundo, explica que quase todas as perdas e injeções de dinheiro ocorreram nos últimos oito anos, quando a empresa perdeu cerca de US$ 2.000 (R$ 10,5 mil) para cada carro vendido.

Como a Ford ainda terá que gastar US$ 4,1 bilhões (R$ 21,6 bilhões) para desligar funcionários e ressarcir concessionários da marca, além do pagamento de obrigações legais, o preço da operação brasileira sobe para US$ 11,6 bilhões (R$ 61 bilhões).

ERRO ESTRATÉGICO



A reportagem diz que a pandemia da Covid-19 só agravou um “erro estratégico que deixou a empresa atrás de seus rivais na transformação de sua linha de carros compactos não lucrativos em SUVs de margem mais alta”. Até havia um plano para alavancar a presença da Ford nesse rentável segmento de mercado, mas “ela foi muito lenta em implementá-lo”.

Entre os erros, a reportagem cita o movimento que a marca fez para enfrentar a baixa demanda interna e a dificuldade de exportação: ela quintuplicou as vendas de veículos para frotistas entre 2011 e 2019, além de aumentar os descontos para 30% ou mais.

Como consequência de decisão, a matriz se viu obrigada a reforçar "sua subsidiária brasileira com US$ 1,3 bilhão (R$ 6,8 bilhões) em injeções de capital, em nove transferências ocorridas entre março de 2018 e janeiro de 2021”, segundo os arquivos da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).

"Não havia outras opções viáveis", explicou à Reuters Lyle Watters, presidente da Ford para a América do Sul, em um comunicado sobre a decisão de sair do país. Previsto para assumir em julho a direção da divisão de veículos de passageiros na China, o executivo atribuiu ao "ambiente econômico desfavorável, menor demanda de veículos (e) maior capacidade ociosa da indústria" a saída da empresa do Brasil como fabricante.

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PREJUÍZO PARA VW, GM E TOYOTA



A reportagem reconhece que os custos para produzir no Brasil são elevados, em parte porque os preços não são competitivos para a exportação, o que obriga as montadoras a ficarem restritas às variações do mercado interno. Um dos exemplos dados foi o do México, que exporta mais de 80% dos carros e que tem custos tão baixos que chegam a competir no mercado brasileiro até mesmo com fabricantes instaladas localmente.

“Um estudo de 2019 da PwC descobriu que vender um carro mexicano no Brasil era 12% mais barato para uma montadora do que vender um veículo feito localmente, incluindo custos de produção, impostos e logística”, explicou a reportagem.

Por fim, a texto mostra que até mesmo os fabricantes que passam a investir pesadamente na produção e venda de SUVs no Brasil também estão com dificuldades para manter sua operação lucrativa, que é o caso de Volkswagen, GM e Toyota.

“A Volkswagen Brasil acumula prejuízo de US$ 3,7 bilhões (R$ 19,5 bilhões) desde 2011, de acordo com os registros da Jucesp. A GM Brasil recebeu US$ 2,2 bilhões (R$ 11,6 bilhões) em injeções de dinheiro desde 2016 e a Toyota Brasil, no ano passado, recebeu perdão para US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) em dívidas com a matriz, mostraram os documentos”, conclui a reportagem.



Tags: Ford, Volkswagen, GM, VW, General Motors, Toyota, custo Brasil, montadora, indústria.

Comentários

  • Totiy

    Seestavam operando no vermelho por todo esse tempo, porque investiram em Camaçari e compraram a Troller ?

  • FábioColla de Andrade

    Nãoacredito em dados dos Sindicalistas da Anfavea. A Ford NUNCA pagou IPI desde que instalou a fábrica em Camaçari-BA (Sucessivas prorrogações do Regime Automotivo do Nordeste e aquisição da Troller), e sendo verdade, era incompetência administrativa.

  • Luis

    Bobagem.A empresa sempre que esteve no Brasil, era financiada pelo governo. A fonte secou. Ninguém segue por anos com um nível de prejuízo como esse. O mercado local deixou de ser interessante para eles. Vide o produto que tinham aqui e lá fora.

  • Felipeda Cunha e Silva

    Incompetênciasem precedentes, a quarta montadora do país fecha por falta de lucratividade, o que leva as outras montadoras instaladas que sem mantém ativas e competitivas e que estão abaixo deste ranking?

  • ATMaeda

    Realmentetemos a lamentar, a carga tributária ( custo Brasil ) não consegue competir internacionalmente, por isso uma das partes mais importantes, é necessário que o nosso representante ( Senadores e Deputados ) em revisar o custo Brasil ( custo fiscal ). Também comprometemos de mais os gastos para funcionalidades públicas etc

  • Ayaguaruguaru

    Soubastante cético com essas declarações. Sempre houve favorecimento e vantagens governamentais e muita ineficiência, teimosia, lentidão nas ações e tomadas de decisão, ate pela cultura centralizadora. Então, se deixou de fazer dinheiro e dar lucro, foi por causa da ineficiência da própria empresa e incapacidade de pensar fora da caixa. Eles perderam o principio do fundador e são hoje muito mais focados nos contadores. Deviam olhar e aprender com a concorrência, principalmente com Toyota.

  • Samir

    Alémde receber subsídios do Governo operava no Vermelho ?

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