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Autopeças | 12/04/2011 | 20h00

Sistemistas buscam regionalização

Montadoras afirmam que priorizam compras locais.

Giovanna Riato, Automotive Business

Giovanna Riato, AB, com a participação de Sueli Osório

Já faz tempo que a indústria automobilística brasileira reclama da falta de competitividade mas, apesar das dificuldades que podem reduzir drasticamente os volumes de produção nacional, o Brasil continua como um dos grandes focos de investimento de montadoras e sistemistas.

Enquanto o País ainda não desata os seus nós quem segura o interesse das empresas é o mercado interno. Um exemplo é a Delphi, que há cinco anos mantém o investimento anual de US$ 40 milhões. “Nossa estratégia é localizar compras e produção”, conta Gábor Deák, presidente da companhia. O executivo afirma que a marca de 4,2 milhões de veículos vendidos nos mercados brasileiro e argentino em 2010 era impensável poucos anos atrás. Em 2006 a região correspondia a 3% do faturamento global da companhia. Hoje este percentual chega a 9%.

Gábor revela que o conteúdo local dos produtos fornecidos pela Delphi fica em torno de 70%. A intenção é ampliar este percentual para 78% até o final deste ano. Outro atrativo para os investimentos é o aumento da exigência tecnológica do consumidor brasileiro. “Estamos investindo para ampliar a produção de sistemas de ar condicionado de 1,4 milhão para 2 milhões por ano”, conta o executivo.

A estratégia de manter o fôlego da produção no Brasil arma a companhia para enfrentar a chegada de novas empresas. “Cerca de 45 concorrentes entraram no mercado nos últimos anos”, conta o presidente da companhia.

A Magneti Marelli é outra companhia que busca regionalizar o fornecimento para conseguir acompanhar a expansão do mercado.”Essa estratégia nos protege de ficar sem componentes quando há crises em outros países, como a que está acontecendo no Japão”, conta Virgilio Cerutti, presidente da empresa no Mercosul. A fabricação local acaba servindo como garantia nos mercados em expansão.

Fora a Itália, o Brasil é a única região onde a fabricante produz todas as linhas de produtos. A importância do Mercosul, puxado pelo País, cresceu com a crise financeira. A preocupação é que o ritmo de queda das exportações não seja proporcional à velocidade de crescimento das importações dos sistemistas, que têm fábricas em nações desenvolvidas com mercados estacionados.

A Delphi garante que não houve alta expressiva nas compras externas e destaca que continua exportando. “Há produtos que só são fabricados no Brasil”, explica Gábor. Já a Marelli afirma que é inegável o aumento das importações do setor mas defende que a companhia só tem trazido de fora itens que não são produzidos aqui. “Importamos componentes eletrônicos”, garante.

Compras locais

A iniciativa dos fabricantes de autopeças em dar atenção a produção local tem contrapartida na intenção das montadoras de adquirir volumes expressivos de componentes na região. Durante o painel Novas Equações na Cadeia de Suprimentos, realizado nesta segunda-feira no II Fórum da Indústria Automobilística, os executivos responsáveis por compras das quatro principais montadoras instaladas no País garantiram que contam prioritariamente com o suprimento de fornecedores locais, embora tenham sempre em vista a competitividade.

“Em média, compramos 95% de fornecedores locais. Importamos para modelos de baixo volume ou se a competitividade é muito diferente”, disse Osias Galantine, diretor de compras do Grupo Fiat, que neste ano aplicará R$ 14 bilhões em compras produtivas e de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões em compras não produtivas. Ele salientou que 70% do que compra vem de empresas situadas em raio de 150 quilômetros da fábrica.

João Pimentel, diretor de compras da Ford, informou que a empresa tem 350 fornecedores para a América do Sul e a metade deles é local. “A opção é por comprar componentes localmente até valer a pena. Quanto mais perto da nossa localização, melhor.”

Na General Motors, segundo o diretor de compras, Orlando Cicerone Filho, há 90% a 95% de conteúdo local nas plataformas correntes. “Vamos ter vários lançamentos e tivemos de puxar alguns produtos importados de saída. Queremos ter conteúdo local grande até para não ter problemas como os acarretados pela tragédia do Japão. Mas nas plataformas correntes temos muito pouco conteúdo importado, como na S10.”

Alexander Seitz, vice-presidente de compras da Volkswagen para a América do Sul, reforça que é importante definir duas fontes: uma nacional e outra importada. Segundo Seitz, hoje a Volkswagen conta com 80% a 85% de conteúdo local – contabilizado para a região do Mercosul –, o que considera um nível bom.



Tags: Autopeças, Delphi, Magneti Marelli, indústria automobilística, sistemista, importação, exportação.

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