
A nova edição do relatório anual Global Electricity Review, produzido pela ONG Ember, aponta que 38% de toda a energia elétrica gerada no mundo em 2021 veio de fontes limpas. As energias eólica e solar atingiram, pela primeira vez, 10% do total, o que representa mais do que o dobro dos valores de 2015 (4,6%), quando o Acordo de Paris foi assinado.
O relatório analisa dados de 209 países entre 2000 e 2021, o que representa 93% de toda a demanda energética do planeta. Segundo a empresa, no ano passado, 50 países atingiram a marca de 10% de sua energia sendo eólica ou solar, incluindo as cinco maiores economias mundiais (China, EUA, Reino Unido, Japão e Alemanha).


O Brasil está entre esses países, já que 11,3% de sua matriz é eólica (era 3,8% em 2015) e 2% é solar (era 0% em 2015). Nossa principal fonte de energia continuam sendo as hidrelétricas (58,1%), seguidas de gás natural (12,2%), eólica (11,3%), bioenergia (7,7%), carvão (4,2%), outros combustíveis fósseis (2,4%), nuclear (2,3%) e solar (2%). Vale dizer que nossa dependência das águas está caindo gradativamente, pois as hidrelétricas eram 88% da nossa matriz em 2000.

Para os outros países, as energias solar e eólica são a principal forma de atingir uma matriz prioritariamente limpa. A primeira cresceu 23% globalmente em 2021 e a segunda, 14%. De acordo com os ambientalistas, se o crescimento dessas modalidades se mantiver em 20% nos próximos 10 anos, isso poderá ser suficiente para limitar o aquecimento global em apenas 1,5 oC, como os cientistas desejam.
Essa discussão é importante para a mobilidade porque, conforme aumenta a população mundial, aumenta também a demanda por transporte. E a tendência agora é que modais com matriz elétrica (carros elétricos, metrô, trens) sejam usados para percursos médios e longos, substituindo os automóveis a combustão. O asseguramento de uma energia elétrica mais abundante e limpa é essencial para que isso aconteça. Só em 2021, a demanda energética do mundo subiu 5,4%, o que equivale a ter uma Índia a mais consumindo eletricidade.
Nem tudo são notícias boas, porém, uma vez que a porcentagem de matriz energética a partir de combustíveis fósseis do mundo subiu em 2021 para 62%, perante 61% em 2020. É a primeira vez que a cota de combustíveis fósseis aumenta desde 2012.
“Mesmo com o carvão e as emissões de energia atingindo outro recorde, há sinais claros de que a transição elétrica global está encaminhada”, afirma Dave Jonas, líder global da Ember. “Mais energia solar e eólica está sendo adicionada às redes do que em qualquer outro momento da história. E não apenas em alguns países, mas em todo o mundo. Essas matrizes são capazes, e espera-se isso delas, de prover a maior parte da energia limpa necessária para eliminar gradativamente os combustíveis fósseis, ao mesmo tempo aumentando a segurança energética”, analisou ele.