
Para Gonçalves, o fato de o governo já ter adiado mais de uma vez a publicação do cronograma oficial do programa indica que pode haver uma nova prorrogação de prazos. Por ora, o sistema opera em testes e é voluntário para empresas que já pretendem unificar seus dados trabalhistas ao novo sistema. “Em curto e médio prazo o eSocial vai dificultar muito a vida do RH das empresas, por causa da burocracia e adaptação às normas e especificidades técnicas de TI e organização interna. Os dois primeiros anos vão ser difíceis”, analisa o executivo.
Apesar de o RH ser responsável por 80% do processo de preenchimento da informações do eSocial, ele não é o único responsável pela implementação, já que outras áreas estão diretamente envolvidas, como tecnologia da informação, jurídico, financeiro e medicina e segurança do trabalho. “O problema de implementação do eSocial não está no TI e sim no processo. Se as informações trabalhistas não chegarem adequadas e com qualidade ao RH, haverá rupturas, já que a prestação de contas dura um período de 24h do sistema aberto”, explica Marcus Vinicius Gonçalves.
A princípio, as alterações devem ser reportadas no sistema imediatamente e as empresas terão de ajustar processos e cultura, a exemplo dos pedidos de férias, que deverão ser feitos com 30 dias de antecedência e sem divisão no período de gozo. As companhias terão de atualizar seus sistemas eletrônicos de armazenar e obter informações como admissão e demissão de funcionários, recolhimento de impostos trabalhistas, afastamentos médicos e folha de pagamento, entre outras, para alimentar o sistema on-line do governo.