Produtos com qualidade certificada por um organismo de terceira parte representam evolução, um ato de cidadania, e deveriam ser adotados de forma voluntária por todas as empresas que dizem ser praticantes da responsabilidade social. O motivo é simples: a certificação minimiza o risco de ocorrerem falhas durante o processo produtivo e, se por acaso o problema ocorrer no campo, facilita a identificação e sua correção, antes mesmo de mais peças irem para a prateleira e chegarem ao consumidor final.
Mas há outras vantagens de proteção para as empresas que adotam a certificação. Isso tem ficado cada vez mais evidente no mercado de autopeças. Vivenciamos uma ‘invasão’ de produtos vindos do outro lado do mundo, a preços muito competitivos e com qualidade ainda duvidosa. Mas, se a qualidade não é assegurada, por que usar? O principal motivo é sempre o baixo custo. Isso sem falar das peças piratas que também encontramos no mercado.
Há, porém, formas de se proteger sem necessariamente entrar em uma guerra de preços, mesmo porque esta política não gera bons resultados para ninguém. Aceito pela OMC (Organização Mundial do Comércio), a avaliação da conformidade da qualidade é a forma mais eficaz de nivelar preços. Quando se investe na produção de autopeças com determinado padrão da qualidade, torna-se quase impossível praticar preços muito menores do que a média.
Os profissionais e empresários que encaram a certificação como custo e não como investimento na satisfação do cliente e na preservação da vida precisam rever seus conceitos. Para a maioria das indústrias, a conquista da certificação é um passo obrigatório, principalmente para aquelas que vendem seus produtos no exterior. Afinal de contas, em muitos países, inclusive na China, a certificação é parâmetro obrigatório para iniciar uma negociação.
Esta mudança de cultura é muito importante, tanto que o assunto deveria ser matéria obrigatória nas escolas de engenharia, pois produtos com qualidade certificada são ferramentas de cidadania. Precisamos entender que a segurança do ser humano vem na frente dos resultados financeiros envolvidos nos produtos que fabricamos.
Assim, é preciso ter bom senso. O investimento em certificação é mínimo se comparado com os benefícios que ela proporciona. O alvo visado pelo governo por meio do Inmetro é a sociedade brasileira, que vai dispor de um produto mais confiável e com garantia do procedimento.
Esta deve ser a preocupação número um das empresas. Para muitas já é. Mas, se estes argumentos não bastam, é preciso lembrar que a qualidade é essencial para impulsionar a competitividade. Se isso não for feito agora, dificilmente cresceremos nos negócios e, uma vez que não protegemos nossa sociedade destes maus empresários, também não cresceremos como nação. Ganhar dinheiro não é pecado desde que os esforços sejam canalizados em favor do ser humano.