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A China chegou

A Chery inaugurou na quinta-feira, 28, hoje muito mais do que uma fábrica de carro. A unidade de Jacareí (SP) é a ponta de lança da empresa (porque não dizer da China) no Ocidente. Claro que a escolha do Brasil não foi casual.
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Redação AB

29 ago 2014

3 minutos de leitura

Zhou Biren, vice-presidente da Chery e chefe de operações internacionais da fabricante, falando na cerimônia de inauguração ao lado do vice-presidente do Brasil, Michel Temer, enumerou uma série de razões para justificar o investimento de R$ 1,2 bilhão na operação brasileira, mesmo tendo de ouvir alguns jornalistas, na coletiva de imprensa, questionarem “um investimento tão alto num momento de crise”.

Segundo Zhou, o Brasil tem um enorme potencial e essa é a razão do investimento, e como acredita na inclusão de novos consumidores ao mercado, a empresa vai se dedicar a carros de entrada, na faixa inferior a R$ 40 mil.

Entre as razões do otimismo, enumerou:
Brasil tem uma população de 200 milhões de habitantes;
Tem um desenvolvimento econômico rápido e constante;
A indústria automobilística também está crescendo rapidamente;
A Chery chegou a vender 3,5 mil carros por mês no início das importações (depois caiu por causa do IPI extra de 30pontos);
Produtos da empresa se adaptaram muito bem às necessidades do consumidor brasileiro;
A grande acolhida dos brasileiros, povo e autoridades, mostra que o projeto tem apoio no Brasil;
A base da indústria é forte e o País tem mão de obra qualificada.

Mesmo se tudo isso não fosse suficiente para justificar a instalação da primeira fábrica chinesa de veículos no Brasil (e também a primeira fora da China), ainda haveria outra forte razão: trata-se de um investimento que não visa simplesmente vender carros, mas sim um aprendizado no exterior; fincar um pé no Ocidente, num país receptivo para os produtos chineses, ao contrário de grandes e tradicionais mercados, notadamente Estados Unidos e Europa, onde não conseguiram vencer as barreiras.

Gigante mesmo para os padrões chineses, a Chery ainda está aprendendo a fazer carros, nasceu em 1997 com investimento total do governo chinês, com o objetivo de se tornar uma marca global e nesse pouco tempo torneou-se a maior montadora independente da China (sem vínculo com a marca estrangeira). Em 2009 foi reconhecida pela revista Fortune como a empresa chinesa mais respeitada. Na sua sede na província de Wuhu os 24 mil funcionários produzem 21 modelos, 900 mil carros e 900 mil motores por ano, tudo com desenvolvimento próprio.

Hoje com apenas 0,35% do mercado de carros e comerciais leves no Brasil, a Chery quer conquistar 3% em 2017. Para isso terá que reestruturar a rede de concessionárias, que hoje tem 67 representantes e deve chegar a 100 até o fim do ano, quando estará comercializado o Celer fabricado em Jacareí.

Luis Curi, responsável pela operação brasileira, diz que vai investir pesadamente no Nordeste, onde enxerga potencial muito maior para os carros da marca, pois o consumidor está aumentando o poder aquisitivo e as vendas estão em franco crescimento.

Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
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