
A General Motors e o quadro de funcionários da unidade de Gravataí (RS), onde é produzido o compacto Chevrolet Onix, entraram em consenso na terça-feira, 30, a respeito da renovação do acordo coletivo que vai até 2026.
Em assembleia, os trabalhadores validaram as propostas negociadas desde janeiro entre a montadora e o sindicato que os representa, o Sinmgra, que envolve pagamento de abono, participação nos lucros, reajuste de piso salarial pela inflação e pagamento de banco de horas.
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Apesar do acordo, que foi celebrado por funcionários na assembleia, que ocorreu na tarde da terça-feira em meio às fortes chuvas que caem no Rio Grande do Sul, ainda paira em Gravataí um clima de incerteza a respeito do futuro da unidade no contexto produtivo da GM.
Ainda que a montadora tenha anunciado aporte de R$ 7 bilhões na região, os trabalhadores percebem indícios na unidade de que algo pode não estar indo bem.
Uma fonte ligada à montadora disse à reportagem que a produção na unidade tem sido interrompida com frequência às sextas-feiras pela fabricante. No pátio, ainda segundo o interlocutor, haveria um estoque equivalente a 1 mês e meio de produção, cerca de 19 mil unidades.
“São fatores que nos causam preocupação a respeito do futuro de uma fábrica que não consegue produzir nem a metade da sua capacidade instalada”, contou a fonte.
Procurada pela reportagem, a GM ainda não se manifestou a respeito do estoque de veículos.
Hoje, a produção da unidade estaria configurada para 180 mil unidades/ano. A capacidade instalada, no entanto, é de 380 mil unidades/ano.
A versão hatch do Chevrolet Onix produzido em Gravataí encerrou 2023 como o segundo veículo mais vendido, com 102 mil unidades. A sua versão sedã, o Onix Plus, terminou o ano na quarta posição, com 74,8 mil unidades vendidas, apontam dados do Renavam.
A julgar pelo desempenho da companhia no mercado, e pelos volumes envolvidos, é possível denotar que a montadora ajustou sua produção em Gravataí segundo os ventos da demanda por veículos do tipo no país.
Algo que já vem acontecendo há algum tempo não apenas na GM, mas nas demais concorrentes instaladas no Brasil frente a um mercado que despencou e segue sem conseguir crescer para além dos patamares atuais.
Trabalhadores aguardam recursos para Gravataí
De qualquer forma, o Mundo GM em Gravataí está apreensivo acerca do fato da unidade ser alvo – ou não – de parte do investimento anunciado em Brasília (DF) no começo do ano.
De acordo com a fonte ouvida pela reportagem, não apenas funcionários temem pelo futuro da unidade, como também representantes das sistemistas instaladas no condomínio industrial da GM, a prefeitura e o governo do estado.
“Após o anúncio do investimento, representantes da montadora nos procuraram para falar sobre o assunto, mas não conversamos sobre o direcionamento dos recursos”, contou Edson Dorneles, diretor do sindicato local dos metalúrgicos.
O representante disse, ainda, que não há no horizonte qualquer chance de greve por parte dos trabalhadores. “Percebemos que as coisas estão sendo feitas com os recursos e possibilidades que existem. Tudo está no limite.”
