Com o avanço do processo de globalização e a entrada do conceito de carros mundiais no País, modelos internacionais de EDI como X12 e Edifact, padrões uniformes para troca eletrônica de dados, começaram a ser frequentemente utilizados em território nacional, exigindo cada vez mais inovação nos processos logísticos. Assim, houve um significativo impacto nos resultados operacionais, com redução nos custos de estoque e agilidade no transporte de suprimentos, tornando fornecedores até então nacionais em mundiais. Neste contexto, o diálogo entre os fornecedores de peças, matéria-prima e as montadoras, agora em qualquer parte do mundo, tornou mais ágil a transmissão do processamento de pedidos e notificação de embarques. Um processo que, antes da implantação de ferramentas eletrônicas, corria o risco de travar a cadeira produtiva e gerar prejuízos econômicos de escala, agora, mundial.
Peça chave na logística
Entre os diversos fatores que compõem os sistemas logísticos dos setores automobilísticos e de agromáquinas, a tecnologia de informação e comunicação, representado pelo EDI (Eletronic Data Interchange), tem atuado como protagonista que flexibiliza as operações de transporte, gestão de estoque e processamento de pedidos entre fornecedores e montadoras, por meio de formatos estruturados processados por um determinado software.
Ao intermediar esses processos e, com o avanço da tecnologia e a crescente demanda dos setores (o de agromáquinas espera ampliar de 4% a 5% a produção este ano. O automotivo, até 2017, estima que o País terá condições de produzir 6 milhões de unidade por ano), as empresas buscam se aprimorar para tornarem-se mais competitivas e atenderem o aquecido mercado.
Quando o EDI deu os primeiros passos, empresas especializadas surgiram e buscaram desenvolver tecnologias que, baseadas no EDI via VAN (Value Added Network), atuam como intermediário entre os parceiros de negócios e compartilham informações. Essas tecnologias facilitam a comunicação eletrônica que possibilita a troca de informações e documentos, de acordo com as necessidades especificas de cada empresa. Mesmo tratando-se de companhias que fornecem para os mesmos setores, automotivo e de agromáquinas, a gestão das atividades das montadoras e seu fluxo de abastecimento varia pela estrutura organizacional de cada uma, além de demandar peças e matérias primas dos mais diversos setores para projetar um veículo ou máquina. Contexto este que se denomina regra-de-negócios dos parceiros envolvidos.
EDI e os resultados no mercado
A introdução de ferramentas no processo logísticos das empresas representa redução nos níveis de estoque, permitindo a reposição contínua dos materiais pelas montadoras. Isso cria um diálogo tecnológico em que montadoras são beneficiadas pelo desempenho ágil e eficiente das empresas que fornecem os produtos para fabricação dos automóveis e maquinários; do outro lado, os fornecedores se sentem capazes de abastecer a maior quantidade de empresas sem nenhum risco de comprometer sua demanda, sendo muito mais assertivos no envio de materiais.
Ao encontro do anseio das indústrias automotivas, empresas especializadas em EDI e processos logísticos desenvolveram ao longo dos anos ferramentas que potencializaram o fluxo logístico e recepção de documentos fiscais, resultando na melhor atuação das operações com impactos em diversos aspectos logísticos.
Com elas, as variações de erros foram nitidamente reduzidas e os processos ganharam uma robustez e agilidade sem igual, com resultados nas áreas de transporte, armazenagem, processamento de pedidos e gestão de estoques.
Werter Padilha, CEO da Sawluz Informática, é analista de sistemas com especializações em administração industrial pela Fundação Vanzolini e Fundação Getúlio Vargas.