Bem, o cenário do aftermarket é bem diferente, onde a falta de padrões em uma cadeia tão complexa ainda é uma realidade, onde os problemas de garantia ou mesmo devolução são uma constante, isso sem falar dos altos investimentos em capacitação, tudo isso acontecendo há décadas. E onde estão os indicadores de produtividade? Como medir? Quais as bases de referência?
O Brasil já teve uma breve passagem no período de 1996 a 2006 com a aplicação da certificação norte-americana ASE – Automotive Service Excellence, quando milhares de mecânicos e varejistas tiveram a oportunidade de pela primeira vez medir seus conhecimentos, de nortear capacitação mais ajustada e efetivamente aceitar um conceito que simbolizaria o mínimo aceitável, para promover inúmeras ações por parte de todo o mercado e principalmente a imagem junto a sociedade.
Vale destacar que o IQA (Instituto da Qualidade Automotiva) já disponibiliza um belíssimo e valoroso trabalho de certificação de empresas no aftermarket, mas o fator humano no mercado de reparação automotiva segue sendo vital para serviços e comércio, em todos os elos desta importante cadeia de valor, sem distinção, com necessidade premente de atestar o conhecimento dos profissionais do aftermarket como um todo. A robotização ainda não chegou até aqui.
Para o pós-crise, é necessário reascender a chama deste importante instrumento que é a “certificação de competências”, denominação adotada pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), à qual o Brasil é signatário, para que todos os atores do aftermarket de forma colegiada possam adotar novamente esse instrumento no País. Mas isso deve ser feito com uma roupagem totalmente alinhada ao mercado nacional, utilizando ferramentas tecnológicas disponíveis, o que possibilitará atuação em 100% do território brasileiro.
A certificação de competências poderá ajudar o profissional a estabelecer o seu nível de conhecimento e necessidades de capacitação; potencializará todos os centros de treinamentos existentes; permitirá programas mais sólidos de garantia; induzirá a criação de indicadores extremamente relevantes; a imagem do aftermarket automotivo junto a sociedade poderá ser colocada em novo patamar.
Não podemos repetir o day after de crises anteriores, quando o desemprego ocorreu e utilizou-se a mesma sistemática para contratação de profissionais no reaquecimento natural dos negócios, cuja capacidade de reação neste caso é mais rápida do que a de empresas com robôs.
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Luiz Sergio Alvarenga é diretor da Alvarenga Projetos Automotivos e conselheiro do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA)