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A importância estratégica do crédito no atacado

No esforço para que a economia brasileira não seja impactada pela crise internacional, o governo vem acertadamente promovendo cortes significativos e sistemáticos na taxa de juros. Finalmente voltamos aos patamares de apenas um dígito. Agora é torcer para que o spread bancário realmente caia e que possamos desfrutar de juros a níveis condizentes com as demais economias internacionais. Hoje não temos mais o juro real mais alto do mundo. Perdemos este posto para a Rússia. Já é um começo.
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Redação AB

02 mai 2012

3 minutos de leitura

Em paralelo com o anúncio de mais um corte da Selic, uma série de comentários e notícias de preocupação com o crédito no varejo apareceu. O risco de inadimplência impede hoje que os promovam a aceleração da economia tão pretendida pelo governo e que todos almejam.

O que ninguém fala, principalmente no setor automotivo, é sobre o risco do crédito no atacado. A indústria, que já enfrenta esse obstáculo, poderá ter ainda mais problemas nessa área nos próximos anos, caso não haja um planejamento estratégico.

Crédito varejo automotivo

O mercado interno que saltou de 2 milhões para 3 milhões de veículos, com possibilidade de alcançar 4 milhões em breve. Esse movimento foi impulsionado pelos fabricantes e importadores, já existentes ou novos entrantes, que promoveram a criação ou expansão de suas redes de concessionárias com o mesmo grupo de empresários já existentes no setor. Diante disso, fica nítido que a operação de crédito no atacado estará mais alavancada a cada dia. Os ativos dos empresários que expandem a rede de todas as marcas, que garantem o seu estoque, são estruturalmente o mesmo.

O motor principal deste movimento é o expertise destes empresários. Eles conhecem o mercado, o negócio e as pessoas. Sabem operar e gostam do que fazem. Não possuem expectativas além do que o negócio pode dar e já conhecem os processos, sistemas e fornecedores. Enfim é mais rápido e fácil crescer com quem já conhece o negócio.

Qual é o real nível de alavancagem de cada grupo de concessionárias hoje? Difícil responder. Qual é o nível de alavancagem de cada marca como um todo? É outra pergunta complicada, até porque as participações societárias entre as empresas variam muito.

Outro dia o diretor de uma newcomer disse não ter enfrentado dificuldades para selecionar sua rede. Ele afirmou ter recebido candidatos de todas as marcas concorrentes. São os mesmos empresários que buscam as novas montadoras. Assim, algumas marcas deveriam se questionar sobre a disposição e procupação em promover novos empresários com novos ativos em sua rede.

Seguramente, não é fácil trazer empresários que desconhecem o setor. Os que estão na área sobreviveram a momentos muito ruins da economia e sabem operar seus negócios e, por isso, são muito valiosos para qualquer marca. Este é o outro lado da moeda. Alguns empresários, com bons ativos líquidos, boa capacidade administrativa e lealdade devem ser estrategicamente monitorados e reconhecidos. Onde estão investindo? Em qual marca? Como administra o seu portfólio de investimento? Em qual empresa apostaria no futuro? Por que?

Entretanto, estas preocupações de gestão estratégica de rede estão presentes de forma sistemática em poucos executivos e companhias do setor. Mais preocupados e focados em objetivos de curto prazo, eles acabam restringindo as questões de planejamento de rede a algumas poucas variáveis, como dimensionamento, localização e gestão financeira.

Neste momento de alto crescimento, ao mudarmos de patamar de mercado, outras variáveis estratégicas surgem de forma determinante para o sucesso ou fracasso das empresas. Preservar os bons concessionários, buscar conhecer a real satisfação deles com cada montadora e gerir o grau de alavancagem no atacado são algumas das preocupações que farão diferença competitiva no futuro próximo.